Categoria: Memória Fiscalizatória

  • Quando o social vira propaganda: Exposição institucional intensa levanta debate sobre foco da gestão e prioridade da assistência social

    A divulgação do chamado “Acesso Solidário” ganhou espaço relevante nas redes e na imprensa local. O que chama atenção não é apenas a ação em si, mas o volume e a sequência de aparições públicas relacionadas ao tema.

    Primeiro, o presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, Aldo Rebouças, concedeu entrevistas associando o Carnaval à responsabilidade social. Depois, a primeira-dama Andrea Castro passou a protagonizar matérias institucionais sobre a iniciativa. Na sequência, a servidora Suse Mayre Martins Moreira Azevedo apareceu em vídeo oficial reforçando o pedido de doações.

    Os fatos são públicos e verificáveis. A pergunta que surge é administrativa, não pessoal: por que a comunicação ocupa tanto espaço enquanto dados sobre execução orçamentária, metas da Secretaria de Promoção Social e resultados permanentes da política assistencial não recebem a mesma visibilidade?

    Assistência social é política pública contínua, prevista em orçamento e submetida a controle e prestação de contas. Ações pontuais podem complementar, mas não substituir planejamento estruturado.

    Quando o marketing institucional passa a ser mais visível do que números, relatórios e indicadores, o debate deixa de ser sobre solidariedade e passa a ser sobre prioridade. Transparência não é discurso, é dado concreto. E política pública se mede por execução, não por exposição.

  • Prefeito e primeira-dama mobilizam ônibus e servidores em dia útil para Lavagem do Bonfim em Salvador

    Deslocamento para agenda fora da cidade levanta questionamentos sobre uso da estrutura administrativa

    Informações que circulam em grupos políticos e bastidores administrativos apontam que o prefeito e a primeira-dama participaram de agenda em Salvador acompanhados por, ao menos, três ônibus com pessoas ligadas à Prefeitura de Itabuna, além de servidores que teriam se deslocado em veículos próprios. O fato teria ocorrido em pleno dia útil.

    Relatos indicam possível esvaziamento de setores da administração durante o expediente. Até o momento, não houve divulgação oficial detalhando a natureza institucional do evento, a eventual liberação formal de servidores, a compensação de jornada ou a fonte de custeio do transporte.

    A legislação brasileira estabelece limites claros quanto ao uso de servidores, veículos e recursos públicos. A Constituição Federal impõe os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. A legislação eleitoral também veda o uso da máquina pública para fins de promoção pessoal ou política.

    Diante das informações, as perguntas são objetivas: houve autorização formal para o deslocamento? A agenda era estritamente institucional? Quem arcou com os custos do transporte? Houve prejuízo ao funcionamento dos serviços públicos?

    Transparência não é ataque político. É dever legal e respeito ao cidadão.

  • LOA 2026 prevê R$ 11,7 milhões para a Secretaria de Esporte, sendo R$ 7 milhões por meio de empréstimo. Entregas estruturais continuam sem conclusão.

    A Lei Orçamentária Anual de 2026 destina R$ 11.777.400,00 à Secretaria de Esporte e Lazer de Itabuna. Do total previsto, R$ 7 milhões são classificados como operações de crédito, ou seja, recursos obtidos por meio de financiamento que deverão ser pagos futuramente pelo município.

    O orçamento chama atenção não apenas pelo valor, mas pela proporção financiada por dívida pública. Mais de metade dos recursos da pasta dependem de crédito.

    Embora existam registros de realização de eventos esportivos, campeonatos e ações comunitárias, não há até o momento entrega de obra estruturante concluída, como o Estádio anunciado em diferentes momentos como prioridade. Também não se identificam, nos registros públicos disponíveis, programas permanentes com metas e indicadores amplamente divulgados.

    Quando o orçamento cresce e a principal obra permanece inconclusa, a pergunta é legítima: qual é o impacto real desse investimento para a população?

    Planejamento orçamentário exige coerência entre previsão e resultado. Sem isso, o número vira apenas cifra no papel.

  • R$ 3,42 milhões em trios elétricos em ano eleitoral levantam debate sobre prioridades e exposição política em Itabuna

    R$ 3,42 milhões em trios elétricos em ano eleitoral levantam debate sobre prioridades e exposição política em Itabuna

    Carnaval é manifestação cultural legítima e pertence ao povo. Se há festa, que a população participe. O recurso é público, portanto é da própria cidade. O que merece reflexão não é a alegria nas ruas, mas o contexto.

    A Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania homologou contrato de R$ 3,42 milhões para locação de trios elétricos, conforme publicação no Diário Oficial. O ato é formal, legal e público. A questão é outra: trata-se de prioridade adequada diante da realidade atual do município?

    Estamos em ano eleitoral. Paralelamente, a primeira-dama é tratada nos bastidores como pré-candidata. Eventos de grande visibilidade naturalmente ampliam exposição e capital político. Não há ilegalidade nisso. Mas é legítimo perguntar se a festa cumpre apenas função cultural ou também estratégica.

    Enquanto o trio desfila duas vezes no circuito, a Feira do São Caetano segue sem conclusão após três anos, o Hospital de Base enfrenta relatos de falta de insumos, as ruas continuam esburacadas, a conta de água sofreu reajustes e os salários dos vereadores foram aumentados.

    Gestão pública envolve escolhas. A publicação oficial mostra onde parte do recurso está sendo direcionada. O eleitor, por sua vez, precisa avaliar se concorda com essa ordem de prioridades.

    Carnaval passa. Mandatos passam. Candidaturas passam.

    O que permanece é a memória do cidadão sobre como e quando o dinheiro público foi aplicado.

  • Acesso solidário ou privilégio em evento público?

    Quando a cultura financiada com recursos públicos passa a carregar assinatura política, o alerta é institucional.

    Em entrevista recente, o presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania atribuiu à primeira-dama e pré-candidata a deputada estadual Andreia Castro a criação do chamado “acesso solidário” para evento promovido com apoio da Prefeitura de Itabuna.

    Pelo modelo anunciado, quem levar alimentos, produtos de higiene ou ração animal terá entrada mais rápida no evento, inclusive na fila de revista realizada pela Polícia Militar da Bahia. Ainda que o termo “fura-fila” seja evitado, há diferenciação objetiva de acesso.

    A discussão não é sobre a importância da doação. A questão é outra: em evento custeado com recursos públicos, é legítimo condicionar vantagem de acesso a quem aderir a uma campanha vinculada à imagem de agente político em contexto pré-eleitoral?

    A Constituição impõe à administração pública princípios como impessoalidade e isonomia. Políticas culturais devem servir ao interesse coletivo, sem distinções entre cidadãos e sem associação personalizada que possa sugerir promoção individual.

    Quando ação pública ganha autoria exaltada e capital simbólico eleitoral, a fronteira entre gestão e politização merece ser observada com cautela.

    A pergunta é simples e objetiva: trata-se de política pública estruturada ou de estratégia de imagem em ambiente financiado pelo contribuinte?

  • Quem ganha mais manda mais?

    Gratificações de função sem decreto levantam questionamentos sobre legalidade e hierarquia administrativa

    Enquanto a Prefeitura de Itabuna pede compreensão da população diante das dificuldades financeiras, dados disponíveis no Portal da Transparência revelam uma situação que exige explicação formal.

    Registros oficiais mostram que servidores do setor de tributos e alguns lotados na Secretaria da Fazenda receberam gratificações de função de forma contínua ao longo do ano, com impacto direto na remuneração. Em ao menos um caso, o salário bruto registrado em dezembro superou a remuneração do próprio secretário da pasta, criando uma inversão hierárquica interna.

    O ponto central, porém, não é apenas o valor. Até o fechamento desta matéria, não foi localizado decreto do Poder Executivo formalizando e motivando a concessão dessas gratificações, indicando quais servidores seriam contemplados e quais razões administrativas justificariam o ato.

    Pela legislação que rege a administração pública, o ato que concede gratificação deve ser formal, motivado e publicado. A ausência de decreto ou de motivação expressa compromete a validade do ato e dificulta o controle social sobre a despesa pública.

    Todos os dados citados constam no site oficial da Transparência do Município e podem ser verificados por qualquer cidadão. A pergunta que permanece é objetiva: qual o fundamento legal específico que autorizou essas concessões?

    O debate não é político. É administrativo. E transparência, nesse caso, é obrigação.

  • Justiça suspende reajuste da EMASA e reacende debate sobre reação da sociedade

    Decisão judicial interrompe aumento de 7,5% e reforça que o controle dos atos públicos também passa pelo cidadão

    A suspensão do reajuste de 7,5% nas tarifas de água e esgoto de Itabuna, autorizado pelo Decreto Municipal nº 16.656/2025, recoloca no centro da discussão um ponto essencial: até onde vai o poder do Executivo para majorar tarifas sem ampla transparência e participação social?

    A decisão, proferida pela Vara do Recesso Cível no processo nº 8000003-42.2026.8.05.0113, atendeu a ação popular ajuizada por um cidadão, questionando a legalidade da chamada revisão tarifária extraordinária. O magistrado apontou indícios de uso inadequado desse instrumento, reservado a situações excepcionais, além de mencionar ausência de audiência pública, estudos técnicos amplamente divulgados e participação social efetiva.

    Também foi considerado o fato de se tratar do segundo aumento em menos de 12 meses, circunstância que suscita debate sobre modicidade tarifária e anualidade.

    A tutela de urgência mantém as tarifas nos valores anteriores até julgamento final.

    Mais do que discutir percentuais, a decisão reacende uma questão maior: quando há dúvidas sobre legalidade, transparência ou proporcionalidade de um ato administrativo, o cidadão deve aceitar passivamente ou utilizar os instrumentos previstos na Constituição?

    A resposta institucional foi clara. Provocada, a Justiça analisou.

    O debate agora não é apenas sobre tarifa. É sobre participação, fiscalização e responsabilidade pública.

  • Enquanto a Feira adoece, a Câmara dorme e o prefeito faz festa

    Feirantes relatam queda de renda, adoecimento e abandono, enquanto Legislativo entra em recesso após reajuste salarial

    A Feira do São Caetano, tradicional ponto de sustento de dezenas de famílias em Itabuna, vive um momento de forte tensão econômica e humana. Relatos encaminhados ao blog indicam que feirantes enfrentam queda significativa nas vendas, acúmulo de dívidas e abalo emocional profundo.

    Dois trabalhadores do setor de açougue, conhecidos na comunidade, sofreram Acidente Vascular Cerebral após um período descrito por pessoas próximas como marcado por intensa pressão financeira e insegurança quanto ao futuro. Um deles encontra-se acamado, dependendo de ajuda para cuidados básicos. São fatos relatados por familiares e colegas, que expõem uma realidade preocupante dentro da feira.

    Paralelamente, a Câmara Municipal encontra-se em recesso parlamentar. Antes da pausa, aprovou reajuste salarial para os próprios vereadores, decisão registrada em sessão oficial. A medida ocorreu em meio às dificuldades enfrentadas por trabalhadores da cidade.

    No Executivo, a agenda institucional segue com realização de eventos públicos e festividades.

    Diante desse cenário, a pergunta é inevitável: houve avaliação formal do impacto das mudanças na feira sobre a saúde e a renda dos feirantes? Existe algum plano emergencial de apoio social ou econômico? A Câmara pretende discutir o tema quando retomar os trabalhos?

    A Feira do São Caetano não é apenas um espaço comercial. É fonte de subsistência. Quando trabalhadores adoecem, o debate deixa de ser político e passa a ser humano.

  • Antes de aplaudir, cabe ao eleitor perguntar: qual é a função?

    Primeira-dama participa de reunião administrativa e publicação gera debate sobre limites institucionais e uso do espaço público

    Uma publicação divulgada nas redes sociais mostrou a primeira-dama do município, também pré-candidata a deputada estadual, participando de reunião de “alinhamento” do Carnaval antecipado ao lado do prefeito e secretários.

    A repercussão foi imediata. Parte da população aplaudiu. Outra parte questionou. E é justamente aí que começa o debate necessário.

    No ordenamento jurídico brasileiro, a figura da primeira-dama não possui atribuição legal, administrativa ou orçamentária formal. Não se trata de cargo público previsto em lei. Assim, a presença em reuniões administrativas só possui natureza institucional se houver designação formal, ato publicado ou vínculo funcional devidamente registrado.

    O ponto central não é acusar ilegalidade. É discutir limites. Reuniões, agendas institucionais e planejamento de eventos são custeados com recursos públicos. Quando essas agendas passam a ser divulgadas como capital político, especialmente em cenário pré-eleitoral, surge um questionamento legítimo sobre a separação entre gestão pública e promoção pessoal.

    Democracia exige mais do que aplauso. Exige pergunta. E o eleitor não é espectador passivo. Projetos políticos, inclusive os familiares, só se consolidam porque recebem votos, silêncio ou concordância.

    Questionar não é atacar. É exercer cidadania.

  • O Entre Nós não ficou no microfone. Virou referência pra quem quer cobra na justiça.

    O Entre Nós não ficou no microfone. Virou referência pra quem quer cobra na justiça.

    Informação responsável virou referência para quem decide cobrar na Justiça

    O Entre Nós, idealizado e conduzido por Charliane Sousa, ultrapassou o formato de debate político e passou a ocupar um espaço mais profundo na vida pública de Itabuna. O projeto deixou de ser apenas um programa de análise para se tornar fonte organizada de fatos, documentos e registros públicos que vêm sendo utilizados por cidadãos e profissionais do direito como base para questionamentos formais.

    Sem exercer mandato, Charliane assumiu um papel contínuo de fiscalização, traduzindo contratos, decisões administrativas, votações legislativas e atos oficiais para a linguagem acessível da população. O diferencial sempre foi o método. Nenhuma acusação gratuita, nenhuma afirmação sem lastro documental. Apenas leitura técnica de fatos verificáveis.

    Ao abordar reajustes tarifários, contratos públicos, decisões da Câmara, gestão cultural e problemas na saúde e na educação, o conteúdo produzido organizou informações que já estavam nos registros oficiais, mas que raramente eram explicadas ao cidadão comum.

    O resultado foi natural. Quando a informação é clara e fundamentada, ela deixa de ser apenas opinião. Passa a servir como referência para quem decide formalizar representações, pedir providências ou recorrer ao Judiciário.

    O Entre Nós não acusa nem condena. Expõe fatos públicos e levanta perguntas legítimas. Em uma cidade onde muitas decisões passam despercebidas, organizar a informação também é um ato de responsabilidade.

    Se a notícia virou instrumento de cobrança, a consequência não veio do microfone. Veio dos próprios fatos.