Festa milionária não apaga hospital lotado, rua destruída e posto sem remédio.
A população tem direito à cultura, ao lazer e às festas populares. Isso não está em discussão.
O que precisa entrar em discussão é outra coisa: qual é a prioridade real da gestão pública?
Nos últimos meses, o Ministério Público da Bahia passou a questionar contratos milionários de artistas pagos por prefeituras, apontando valores acima do padrão de mercado e exigindo explicações sobre gastos públicos em cidades que enfrentam dificuldades financeiras.
Enquanto milhões aparecem rapidamente para estruturas, cachês e grandes eventos, a realidade de muitos bairros continua praticamente a mesma:
postos sem medicamentos, exames demorados, ruas esburacadas, escolas com problemas estruturais e serviços públicos funcionando no limite.
E talvez o ponto mais importante seja esse:
o dinheiro da festa não nasce da prefeitura.
Ele vem dos impostos pagos pela própria população.
Não se trata de ser contra festa.
O povo deve ir, aproveitar e celebrar sua cultura.
Mas também precisa entender que festa pública não é presente político.
É dinheiro público.
E dinheiro público exige transparência, responsabilidade e prioridade.
Porque quando uma gestão consegue mobilizar milhões em poucos dias para um evento, surge uma pergunta inevitável:
Por que essa mesma urgência quase nunca aparece para garantir uma saúde pública digna, ruas melhores e serviços funcionando de verdade?


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