Após mais de três anos de espera, declaração de Jerônimo Rodrigues reacende o debate sobre planejamento, execução e entrega de uma das obras mais aguardadas da cidade.
Durante evento recente de assinatura de convênios, o governador Jerônimo Rodrigues fez uma declaração que repercutiu em toda a Bahia.
Ao comentar atrasos em obras públicas, afirmou que muitos municípios enfrentam dificuldades não por falta de recursos, mas pela ausência de projetos estruturados.
Segundo o governador, há prefeitos com boa vontade, mas sem uma carteira de projetos capaz de atrair investimentos e acelerar a execução das obras.
A frase que mais chamou atenção foi direta:
“Projeto bom não falta dinheiro.”
A declaração inevitavelmente traz à memória dos itabunenses um dos maiores símbolos de atraso dos últimos anos: a reforma da Feira do São Caetano.
A obra foi anunciada em janeiro de 2023, recebeu ampla divulgação institucional e se transformou em uma das principais vitrines da gestão municipal.
Ao longo dos anos, o início da reforma foi apresentado à população em visitas, anúncios, entrevistas e peças publicitárias. Enquanto isso, centenas de feirantes seguiram trabalhando em uma estrutura provisória, convivendo com queda nas vendas, incertezas e sucessivos adiamentos da entrega.
Recentemente, uma das justificativas apresentadas para a não inauguração da nova feira foi a ausência de agenda do governador para participar da cerimônia oficial.
Mas a própria fala de Jerônimo acaba levantando uma nova reflexão.
Se o recurso existia.
Se a obra foi anunciada como prioridade.
Se, segundo o governador, projeto bom não fica sem dinheiro.
O que explica uma espera superior a três anos para a conclusão da Feira do São Caetano?
A pergunta ganha ainda mais relevância porque, poucos dias após a justificativa relacionada à agenda, Jerônimo participou de compromissos oficiais em Ilhéus, incluindo atos ligados à duplicação da Zona Sul.
Naturalmente, isso fez surgir novos questionamentos entre moradores e feirantes sobre as razões que efetivamente levaram ao prolongamento da obra.
Mais do que uma discussão sobre inauguração, a questão central continua sendo outra.
A nova Feira do São Caetano conseguirá atender todos os trabalhadores que dependem dela para sustentar suas famílias?
Porque obras públicas não são avaliadas apenas pelo lançamento da pedra fundamental, pelos discursos ou pelas placas inaugurais.
São avaliadas pelo prazo de entrega, pela transparência na execução e, principalmente, pelo impacto real na vida da população.
E nesse aspecto, a história da Feira do São Caetano ainda deixa perguntas sem respostas.










