Autor: Marcos Pastor

  • “Foi na mão grande”, diz Geraldo sobre controle do PT em Itabuna

    “Foi na mão grande”, diz Geraldo sobre controle do PT em Itabuna

    O ex-prefeito Geraldo Simões fez uma das declarações políticas mais pesadas dos últimos meses ao comentar a disputa interna do PT de Itabuna e a ascensão de Manoel Porfírio dentro do grupo ligado ao prefeito Augusto Castro.

    Durante entrevista ao Pod Gusmão, Geraldo afirmou que nunca perdeu a disputa interna no voto.

    Segundo ele, o que houve foi uma intervenção política conduzida pela direção estadual do partido, ligada ao Governo da Bahia, para retirar o comando do diretório municipal e construir apoio ao atual prefeito.

    A acusação é grave.

    Geraldo afirma que o diretório eleito foi destituído “na marra”, substituído por uma comissão provisória formada por pessoas ligadas à prefeitura.

    Também afirmou que houve filiação em massa de funcionários municipais para alterar o equilíbrio interno do partido.

    Mas a declaração mais dura veio ao falar sobre a decisão final do PT em Itabuna:

    “Essa decisão em Itabuna foi na mão grande.”

    A fala escancara uma ruptura antiga dentro do partido:
    de um lado, militantes históricos que defendem autonomia política;
    do outro, grupos alinhados ao poder institucional da prefeitura e do governo estadual.

    Sem atacar Manoel Porfírio pessoalmente, Geraldo deixou claro o distanciamento político.

    Disse que não tem problemas pessoais com o presidente da Câmara, mas afirmou não ter assunto para tratar com ele por considerar que Porfírio representa um projeto de apoio ao atual governo municipal.

    E foi além:
    classificou a gestão de Augusto Castro como “horrível para o povo mais humilde da cidade”.

    No fim, a entrevista não expôs apenas um racha partidário.

    Ela levantou uma suspeita política muito maior:

    o PT de Itabuna ainda decide seus caminhos pela militância… ou pela força do poder?

  • Quando o vereador deixa de fiscalizar, quem perde é a cidade

    Quando o vereador deixa de fiscalizar, quem perde é a cidade

    O problema não é apoiar prefeito. O problema é esquecer quem colocou o vereador lá.

    Em muitas cidades, a população ainda confunde independência com briga política.

    Mas vereador não foi eleito para ser inimigo do prefeito.
    Também não foi eleito para ser defesa permanente da gestão.

    Foi eleito para representar o povo.

    E isso inclui cobrar, fiscalizar, questionar gastos, acompanhar contratos e denunciar falhas quando elas existem.

    O problema começa quando parte do Legislativo abandona esse papel para viver apenas de aplausos, inaugurações, eventos e alianças políticas.

    Porque cidade nenhuma melhora sem fiscalização.

    O vereador que realmente trabalha costuma incomodar.

    Incomoda porque visita bairros esquecidos.
    Porque leva problemas para a tribuna.
    Porque cobra respostas.
    Porque denuncia abandono.
    Porque exige transparência.

    E talvez seja exatamente por isso que tanta coisa continue acontecendo sem a pressão necessária.

    Enquanto a população reclama de buracos espalhados pela cidade, a cobrança da água aumenta.
    Enquanto escolas ainda enfrentam problemas estruturais, milhões são investidos em festas e propaganda.
    Enquanto equipamentos esportivos aguardam manutenção, estruturas públicas seguem deterioradas.
    Enquanto a reforma da FICC atravessa anos de anúncios e promessas, contratos e gastos administrativos continuam avançando com rapidez.

    E isso não significa ser contra festa, cultura ou eventos populares.

    O problema é o desequilíbrio das prioridades.

    Porque a população começa a perceber que existe velocidade para o que gera palco, imagem e marketing político.
    Mas lentidão para o que realmente impacta a vida diária de quem depende do serviço público.

    E é exatamente nesse ponto que a atuação do vereador se torna fundamental.

    Nem todo vereador governista é omisso. Assim como nem toda oposição trabalha de verdade.

    Mas existe uma diferença muito clara entre apoiar projetos importantes para a cidade e abrir mão completamente da independência política.

    Quando o vereador passa a defender tudo sem questionar nada, a população perde sua principal ferramenta de cobrança.

    E o eleitor precisa refletir sobre isso.

    Muitos reclamam da saúde, da infraestrutura, das obras paradas e dos serviços precários. Mas esquecem que também elegeram vereadores justamente para fiscalizar o uso do dinheiro público e cobrar resultados da prefeitura.

    Prefeito sem fiscalização confortável demais raramente entrega o melhor para a cidade.

    Porque poder sem vigilância tende ao comodismo.

    Cidade sem vereador independente vira território confortável para gestão.

    E quando o poder deixa de ser vigiado, quem paga a conta é sempre a população.

  • Campo reformado não é só inaugurar, tirar foto e entregar microfone.

    Campo reformado não é só inaugurar, tirar foto e entregar microfone.

    Moradores e desportistas do Lomanto denunciam que o campo está sofrendo com problemas de drenagem e alagamento, impedindo até a prática esportiva para evitar danos maiores ao gramado.

    Segundo relatos, a própria EMASA teria identificado que o problema não está nas manilhas, mas sim na tubulação da drenagem do campo, situação que dependeria de providências da Secretaria de Esportes.

    Enquanto isso, atletas e moradores seguem sem resposta concreta.

    E a pergunta que fica para o atual secretário é simples:

    Até quando o esporte de bairro vai continuar sendo tratado apenas como palco de entrega e não como compromisso de manutenção?

    Porque obra pública não termina na inauguração.
    Ela começa na responsabilidade de manter funcionando.

    Se nem um campo recém reformado consegue ter manutenção adequada, como ficará a situação quando começar o Interbairros?

    O Lomanto já avisa: com o campo alagado e abandonado, não há clima para receber competição.

  • Milhões para festas, pouco para o básico: contratos entram na mira do MP

    Milhões para festas, pouco para o básico: contratos entram na mira do MP


    Festa milionária não apaga hospital lotado, rua destruída e posto sem remédio.

    A população tem direito à cultura, ao lazer e às festas populares. Isso não está em discussão.

    O que precisa entrar em discussão é outra coisa: qual é a prioridade real da gestão pública?

    Nos últimos meses, o Ministério Público da Bahia passou a questionar contratos milionários de artistas pagos por prefeituras, apontando valores acima do padrão de mercado e exigindo explicações sobre gastos públicos em cidades que enfrentam dificuldades financeiras.

    Enquanto milhões aparecem rapidamente para estruturas, cachês e grandes eventos, a realidade de muitos bairros continua praticamente a mesma:
    postos sem medicamentos, exames demorados, ruas esburacadas, escolas com problemas estruturais e serviços públicos funcionando no limite.

    E talvez o ponto mais importante seja esse:
    o dinheiro da festa não nasce da prefeitura.
    Ele vem dos impostos pagos pela própria população.

    Não se trata de ser contra festa.
    O povo deve ir, aproveitar e celebrar sua cultura.

    Mas também precisa entender que festa pública não é presente político.
    É dinheiro público.

    E dinheiro público exige transparência, responsabilidade e prioridade.

    Porque quando uma gestão consegue mobilizar milhões em poucos dias para um evento, surge uma pergunta inevitável:

    Por que essa mesma urgência quase nunca aparece para garantir uma saúde pública digna, ruas melhores e serviços funcionando de verdade?

  • ENTRE ANÚNCIOS E LAMA: MORADORES DA JOSÉ ALVES FRANCO PROTESTAM E DÃO ULTIMATO À PREFEITURA

    ENTRE ANÚNCIOS E LAMA: MORADORES DA JOSÉ ALVES FRANCO PROTESTAM E DÃO ULTIMATO À PREFEITURA

    Após anos de promessas de drenagem, pavimentação e mobilidade, população fecha via no São Roque e ameaça bloquear a BR-415

    Moradores dos condomínios Pedro Fontes I, Pedro Fontes II e Itabuna Parque realizaram nesta quinta-feira um protesto na Rua José Alves Franco, no bairro São Roque, em Itabuna. A manifestação bloqueou a principal via da região e expôs a insatisfação da população com problemas antigos de infraestrutura que, segundo os moradores, seguem sem solução definitiva apesar das sucessivas promessas feitas pela Prefeitura.

    A Rua José Alves Franco foi apresentada diversas vezes pela gestão municipal como uma obra estratégica de mobilidade urbana. Entre 2023 e 2024, a Prefeitura anunciou recuperação da pista, drenagem pluvial, pavimentação asfáltica e integração da via ao novo corredor de acesso da cidade.

    Mas nesta quinta-feira, o cenário visto pelos moradores foi outro: lama, dificuldade de acesso, problemas no transporte público e preocupação com atendimentos de saúde.

    Durante o protesto, uma moradora do Itabuna Parque afirmou que ambulâncias enfrentam dificuldades para chegar ao local e relatou a situação de crianças que fazem hemodiálise e dependem de deslocamento rápido.

    “Nós precisamos de drenagem, de uma pista decente, de uma calçada decente. A ambulância precisa ser rápida e às vezes demora”, declarou.

    Outro ponto levantado pelos moradores foi a precariedade do transporte coletivo e a falta de estrutura adequada nos pontos de ônibus, especialmente em períodos de chuva.

    A manifestação terminou após negociação com o superintendente de Serviços Públicos do município, Souza Lino, que esteve no local e afirmou que a Prefeitura iniciará na próxima terça-feira uma nova intervenção de drenagem seguida de pavimentação asfáltica.

    Mesmo após o acordo, os moradores fizeram um alerta direto: se as promessas não forem cumpridas em até 15 dias, um novo protesto será realizado, desta vez com bloqueio da BR-415.

    O episódio reacende uma discussão recorrente em Itabuna: o distanciamento entre os anúncios oficiais de obras e a realidade enfrentada pela população nos bairros.

    Enquanto vídeos institucionais falam em requalificação e mobilidade, moradores afirmam ainda conviver com dificuldades básicas de acesso, insegurança e abandono estrutural.

  • ITABUNA TROCA ÁRVORES POR CONCRETO?

    ITABUNA TROCA ÁRVORES POR CONCRETO?

    Supressão de árvores em praças, avenidas e obras públicas começa a levantar debate sobre calor urbano, paisagismo e modelo de cidade adotado pela gestão municipal

    A retirada de árvores durante a reforma da Praça do Góes Calmon reacendeu um debate que já vinha crescendo silenciosamente em Itabuna. O problema é que o caso não é isolado.

    Nos últimos anos, diferentes obras de requalificação urbana executadas pela Prefeitura passaram a ser acompanhadas de cortes de árvores adultas em áreas públicas da cidade. A discussão já apareceu na Orla da Beira-Rio, em intervenções viárias e agora voltou ao centro do debate após vídeos mostrarem máquinas atuando em meio à arborização da Praça do Góes Calmon.

    Nas imagens gravadas no local, moradores questionam a supressão de árvores que, segundo eles, deveriam ser preservadas conforme o projeto apresentado inicialmente. Troncos cortados, galhos espalhados e equipamentos de obra passaram a simbolizar uma crítica cada vez mais presente: Itabuna estaria adotando um modelo de urbanização que privilegia concreto, estética e circulação viária, enquanto reduz sombra e conforto climático.

    E aqui entra uma questão técnica importante.

    Árvore adulta não é apenas elemento decorativo. Ela exerce função ambiental e urbana direta:

    • reduz temperatura;
    • diminui ilhas de calor;
    • melhora drenagem;
    • reduz poeira;
    • absorve carbono;
    • cria conforto para circulação de pedestres;
    • e fortalece a convivência nos espaços públicos.

    Quando uma cidade remove árvores maduras, ela perde imediatamente esses benefícios. Já o replantio de mudas, frequentemente utilizado como compensação ambiental, leva anos ou até décadas para produzir o mesmo efeito climático.

    Essa é justamente a principal crítica feita por urbanistas em várias cidades brasileiras: compensação numérica não significa compensação funcional.

    Na prática, uma muda de 1 metro não substitui uma copa consolidada de 20 ou 30 anos.

    Outro ponto que chama atenção em Itabuna é o padrão visual das novas obras. Muitas intervenções recentes seguem a mesma lógica:
    mais piso,
    mais concreto,
    mais áreas abertas,
    menos cobertura vegetal.

    A gestão municipal sustenta que as intervenções fazem parte de projetos de mobilidade urbana, revitalização e modernização da cidade. Em algumas ocasiões, também afirmou existir compensação ambiental para árvores removidas.

    O problema é que a transparência técnica dessas supressões raramente chega de forma clara para a população.

    Quais espécies foram retiradas?
    Quantas árvores foram suprimidas?
    Quais laudos autorizaram?
    Houve estudo de impacto térmico?
    O replantio ocorrerá na mesma região afetada?
    Quantas árvores efetivamente sobreviverão?

    Sem essas respostas públicas, cresce a percepção de que a cidade está substituindo arborização consolidada por paisagismo de curto prazo.

    E existe ainda um aspecto político delicado nisso tudo:
    Itabuna já enfrenta temperaturas elevadas, deficiência de áreas verdes e problemas históricos de ocupação urbana desordenada. Em cidades assim, retirar sombra não é apenas uma decisão estética. É uma decisão que afeta diretamente a qualidade de vida.

    A própria Orla da Beira-Rio já havia sido alvo de críticas semelhantes durante as obras. Moradores registraram remoção de árvores e questionaram a perda de áreas sombreadas em um dos principais cartões-postais urbanos do município.

    Enquanto isso, cidades modernas no Brasil e no mundo caminham no sentido contrário:

    • ampliação de corredores verdes;
    • proteção de árvores antigas;
    • criação de microclimas urbanos;
    • redução de concreto exposto;
    • incentivo à mobilidade humana e não apenas veicular.

    Porque cidade inteligente não é a que apenas entrega obra rápida e bonita na inauguração.

    É a que consegue manter pessoas caminhando, convivendo e respirando melhor anos depois da fita cortada.

  • FICC: A CULTURA ESPERA. O PALCO NÃO.

    FICC: A CULTURA ESPERA. O PALCO NÃO.

    Enquanto milhões circulam nas festas, a principal referência cultural de Itabuna passou anos entre anúncios, abandono e promessas repetidas.

    A imagem da sede da FICC deteriorada virou mais que um problema estrutural. Virou um retrato das prioridades da gestão pública em Itabuna.

    Durante anos, a população assistiu sucessivos anúncios sobre a reforma:
    promessa de recuperação, homologação de licitação, ordem de serviço, nova licitação após desistência da empresa e mais discursos sobre “requalificação” e “ampliação”.

    Enquanto isso, o prédio continuava fechado, deteriorado e servindo como símbolo silencioso do abandono cultural da cidade.

    E a comparação é inevitável.

    Porque o palco do Itapedro sobe rápido.

    Em poucas semanas, estruturas milionárias aparecem, grandes atrações são anunciadas, publicidade toma conta das redes e a máquina pública funciona com velocidade impressionante.

    Já a principal casa da cultura da cidade passou anos esperando definições básicas.

    Isso revela um problema maior:
    Itabuna parece ter desenvolvido uma política forte para eventos, mas ainda frágil para cultura permanente.

    E existe diferença.

    Evento gera impacto imediato.
    Política cultural gera legado.

    Uma cidade culturalmente forte não vive apenas de festa. Vive também de espaços culturais preservados, incentivo contínuo aos artistas locais, oficinas, formação cultural, memória histórica e acesso da periferia à cultura.

    A própria situação da FICC expõe essa contradição.

    O prédio já havia sido reformado anos atrás. Mesmo assim, voltou a apresentar deterioração severa, sem que houvesse manutenção contínua capaz de preservar um patrimônio histórico e simbólico para o município.

    O problema não é o Itapedro existir.
    A população gosta da festa.
    O comércio movimenta.
    A cidade ganha visibilidade.

    Mas a pergunta continua necessária:

    como uma gestão consegue mobilizar milhões rapidamente para eventos temporários, mas leva anos para recuperar sua principal estrutura cultural fixa?

    Porque no fim, festa passa.

    Mas o abandono da cultura deixa marcas permanentes na identidade de uma cidade.

  • PRECATÓRIOS DO FUNDEF: SILÊNCIO DA PREFEITURA AUMENTA PRESSÃO E DESCONFIANÇA ENTRE PROFESSORES EM ITABUNA

    PRECATÓRIOS DO FUNDEF: SILÊNCIO DA PREFEITURA AUMENTA PRESSÃO E DESCONFIANÇA ENTRE PROFESSORES EM ITABUNA

    Falta de sanção oficial e ausência de calendário para pagamento ampliam cobrança pública da categoria

    A demora na publicação oficial da lei dos precatórios do FUNDEF em Itabuna começou a aumentar a pressão sobre a Prefeitura e a gerar forte repercussão entre professores, herdeiros e representantes da categoria.

    Mesmo após a aprovação do projeto pela Câmara Municipal, ainda não houve publicação da sanção da lei no Diário Oficial nem divulgação oficial sobre prazos, documentação ou previsão de pagamento. A situação levou o SIMPI a fazer uma cobrança pública nas redes sociais, questionando a demora do Executivo.

    A repercussão nos comentários da publicação revelou um clima crescente de insegurança e desconfiança entre profissionais da educação. Muitos afirmam que esperam há mais de 20 anos pelo reconhecimento das perdas salariais e defendem que o município dê mais transparência ao processo.

    Entre os comentários, professores questionam a ausência de informações oficiais, demonstram preocupação com possíveis adiamentos e cobram respeito à categoria. Alguns também levantaram discussões sobre os rendimentos financeiros que os recursos poderiam gerar enquanto permanecem depositados.

    A mobilização também começou a ganhar tom político. Parte dos comentários defende maior pressão popular, participação de empresários e acompanhamento permanente do caso para evitar novas demoras.

    O tema, que inicialmente foi tratado como uma conquista para a categoria, agora começa a produzir desgaste público pela falta de comunicação clara da gestão municipal sobre os próximos passos.

    Sem calendário oficial, sem publicação da sanção e sem definição pública sobre os pagamentos, a principal pergunta que hoje circula entre professores e herdeiros é direta: quando o município vai apresentar oficialmente uma solução para quem espera por esse direito há mais de duas décadas?

  • ESPORTE EM ITABUNA: MAIS AUTONOMIA, MAS ONDE ESTÃO OS RESULTADOS?

    ESPORTE EM ITABUNA: MAIS AUTONOMIA, MAS ONDE ESTÃO OS RESULTADOS?

    Após mais de cinco anos de gestão, criação da FITEL reacende debate sobre estrutura, orçamento e entregas reais para o esporte da cidade

    A aprovação da FITEL, Fundação Itabunense de Esportes e Lazer, foi comemorada pela gestão municipal como um avanço histórico para o esporte de Itabuna. Segundo o secretário Alcântara Pellegrini, a nova fundação dará mais autonomia financeira, agilidade administrativa e facilidade para receber convênios e emendas parlamentares.

    O discurso é positivo.

    Mas a pergunta que começa a surgir é outra:

    O esporte de Itabuna precisava primeiro de uma nova fundação ou de resultados mais visíveis?

    A discussão não é sobre ser contra o esporte. Nem contra investimentos.

    A questão é proporcionalidade entre estrutura, orçamento e entrega.

    De 2021 até 2026, a Secretaria de Esportes passou a contar com orçamento milionário, retomada institucional da pasta e espaço político dentro do governo. Ainda assim, a cidade continua sem uma política esportiva estruturante claramente identificável pela população.

    O principal símbolo esportivo da gestão segue sendo o Campeonato Interbairros, evento importante para a tradição do futebol amador local, mas insuficiente para representar sozinho uma política pública esportiva de longo prazo.

    Enquanto isso, seguem abertas algumas perguntas:

    • Quantos atletas recebem apoio permanente do município?
    • Quais modalidades além do futebol possuem investimento contínuo?
    • Onde estão os centros de formação esportiva?
    • Quais bairros possuem projetos esportivos permanentes?
    • Quais metas públicas foram estabelecidas para o setor?
    • Onde a população pode acompanhar os indicadores de resultado da secretaria?

    Outro ponto que chama atenção é o orçamento.

    A própria LOA 2026 prevê cerca de R$ 11,7 milhões para a Secretaria de Esportes e Lazer. Desse total, aproximadamente R$ 7 milhões têm origem em operação de crédito, ou seja, recursos provenientes de endividamento público.

    Quando parte significativa do investimento vem de dívida pública, a cobrança por resultado deixa de ser apenas política. Passa a ser administrativa e institucional.

    Além disso, o estádio municipal continua sem conclusão definitiva, enquanto a cidade ainda carece de projetos esportivos permanentes capazes de integrar esporte, educação, inclusão social e formação de jovens.

    Agora, com a criação da FITEL, a prefeitura amplia a autonomia administrativa da área esportiva.

    E justamente por isso a cobrança por transparência também precisa aumentar.

    Porque autonomia sem controle pode gerar dúvidas.
    Autonomia sem metas públicas pode virar apenas expansão administrativa.
    E autonomia sem resultados concretos perde legitimidade diante da população.

    Fundação pública não é problema por si só. Em muitos municípios ela funciona como instrumento eficiente de gestão.

    Mas sua eficácia depende de algo essencial:
    transparência, planejamento e prestação pública de resultados.

    A cidade agora espera saber:

    • como os recursos serão aplicados,
    • quais projetos serão executados,
    • quais critérios serão utilizados,
    • quais mecanismos de fiscalização existirão,
    • e quais metas reais serão entregues ao esporte de Itabuna.

    Porque no fim, o debate não é sobre discurso institucional.

    É sobre resultado.

    Dinheiro público não pode financiar apenas estrutura.
    Precisa produzir transformação visível para quem vive a cidade todos os dias.

  • TARCÍSIO VOLTA À GRADE DO ITAPEDRO 2026, MAS PREFEITURA AINDA NÃO EXPLICOU O QUE ACONTECEU EM 2025

    TARCÍSIO VOLTA À GRADE DO ITAPEDRO 2026, MAS PREFEITURA AINDA NÃO EXPLICOU O QUE ACONTECEU EM 2025

    Cantor aparece novamente entre as atrações oficiais enquanto seguem sem resposta pública informações sobre cancelamento, contrato e possível devolução de valores

    A divulgação da grade oficial do Ita Pedro 2026 trouxe novamente o nome de Tarcísio do Acordeon entre as atrações principais da festa em Itabuna. O problema é que até hoje a população não recebeu uma explicação clara sobre o que ocorreu em 2025, quando o cantor foi anunciado, divulgado nas peças oficiais, mas não se apresentou no evento.

    Desde então, não houve transparência pública detalhada sobre:

    • se houve cancelamento contratual,
    • se existia contrato formal assinado,
    • se houve pagamento antecipado,
    • se houve devolução de recursos,
    • ou quais medidas administrativas foram adotadas após a ausência do artista.

    Agora, ao recolocar o nome do cantor na grade de 2026, a gestão municipal reacende um debate que nunca foi encerrado oficialmente.

    O questionamento não é sobre a realização da festa. O ponto central é transparência. Em eventos financiados com recursos públicos, publicidade oficial e estrutura custeada pelo município, a população tem o direito de saber exatamente como foram conduzidas as contratações e quais consequências ocorreram quando uma atração anunciada não sobe ao palco.

    Sem essas respostas, o anúncio de 2026 acaba produzindo um efeito político delicado: parte da população interpreta como se o episódio de 2025 simplesmente tivesse sido ignorado.

    A gestão ainda pode esclarecer:

    • houve prejuízo financeiro?
    • houve multa contratual?
    • houve substituição formal?
    • o município recuperou eventual valor pago?
    • ou sequer existiu contratação efetivada?

    Transparência não é detalhe administrativo. É obrigação pública.