Autor: Marcos Pastor

  • Quando até a morte encontra abandono: denúncia do Albergue Bezerra de Menezes expõe o colapso da assistência social em Itabuna

    Quando até a morte encontra abandono: denúncia do Albergue Bezerra de Menezes expõe o colapso da assistência social em Itabuna

    Após enfrentar dificuldades para garantir o sepultamento de uma idosa de 98 anos sem familiares, instituição que há mais de 50 anos acolhe idosos em situação de abandono anuncia que deixará de receber novos acolhimentos de pessoas sem responsável legal e cobra providências do poder público.

    Há mais de cinco décadas, o Albergue Bezerra de Menezes cumpre uma missão que vai muito além da assistência social. A instituição acolhe idosos que chegaram ao fim da vida sem o amparo da família, oferecendo cuidados, alimentação, tratamento e dignidade a pessoas que, muitas vezes, foram esquecidas pela sociedade.

    Mas agora, segundo a direção da entidade, nem mesmo após a morte esses idosos estão encontrando a proteção que deveria ser garantida pelo poder público.

    Em um vídeo divulgado pela presidente da instituição, um episódio envolvendo o falecimento de uma idosa de 98 anos expõe o que ela classifica como um grave abandono da assistência social no município de Itabuna.

    A idosa havia sido encaminhada ao Albergue Bezerra de Menezes por outro município do sul da Bahia após ser encontrada em situação de abandono. Sem familiares, recebeu todos os cuidados necessários durante o período em que permaneceu acolhida, mas faleceu há poucos dias.

    Segundo o relato da presidente, ao comunicar o óbito e solicitar o suporte necessário para os procedimentos funerários, a instituição foi informada de que deveria arcar com os custos da sepultura. A justificativa apresentada, segundo ela, era que a idosa possuía benefício previdenciário. A direção contesta o argumento, afirmando que o benefício ainda não havia sido recebido e que, após a emissão da certidão de óbito, o pagamento é automaticamente bloqueado.

    A situação teria se agravado com a informação de que o município não mantém mais parceria com a Santa Casa de Misericórdia, responsável pelo cemitério local. Conforme a denúncia, isso colocaria em dúvida como seriam realizados os sepultamentos de pessoas sem familiares, moradores de rua e indigentes.

    Ainda de acordo com a presidente, somente após informar que levaria o caso à imprensa foi apresentada uma solução para a retirada do corpo. Mesmo assim, segundo ela, a medida teria sido tratada como um gesto de solidariedade e não como o cumprimento de uma obrigação do serviço público.

    A dirigente afirma ainda que comunicou o caso ao Ministério Público, que, segundo seu relato, não teria conhecimento do impasse envolvendo os sepultamentos.

    Medida drástica

    Diante do episódio, o Albergue Bezerra de Menezes anunciou uma decisão que pode afetar diretamente idosos em situação de extrema vulnerabilidade.

    A instituição informou que deixará de receber pessoas sem familiares ou responsáveis legais, inclusive aquelas encaminhadas por prefeituras da região. A justificativa é que não possui condições de assumir responsabilidades que, em seu entendimento, cabem ao poder público.

    A decisão representa uma mudança significativa para uma entidade que, durante décadas, se tornou referência no acolhimento de idosos abandonados.

    Quem acolhe também precisa ser acolhido

    O caso levanta um debate que ultrapassa os limites da própria instituição.

    Se uma entidade filantrópica, mantida com doações e pela solidariedade da comunidade, afirma não conseguir mais assumir demandas decorrentes da ausência do Estado, a pergunta inevitável é: quem cuidará daqueles que não têm ninguém?

    A denúncia também traz outro questionamento: se houve dificuldade para garantir o sepultamento de uma idosa acolhida por uma instituição organizada, qual é o destino reservado às pessoas em situação de rua, indigentes ou cidadãos que morrem sem qualquer vínculo familiar?

    São perguntas que exigem respostas do poder público e dos órgãos responsáveis pela política de assistência social.

  • Andrea Castro chamou de “entrega histórica”. Uma semana depois, a nova Feira do São Caetano continua sem receber os feirantes.

    Andrea Castro chamou de “entrega histórica”. Uma semana depois, a nova Feira do São Caetano continua sem receber os feirantes.

    No último dia 25 de junho, durante a cerimônia de entrega da nova Feira do São Caetano, a primeira-dama Andrea Castro concedeu entrevista à imprensa e definiu a inauguração como uma “entrega histórica”.

    Na ocasião, declarou:

    “É uma tarde muito especial. É mais do que uma entrega, uma grande conquista para a nossa cidade, para o nosso povo. Isso demonstra dignidade, desenvolvimento e oportunidades para a nossa população. Então estamos muito felizes porque é uma entrega histórica.”

    A declaração foi feita durante um evento que reuniu diversas autoridades e marcou oficialmente a entrega da obra.

    Uma semana depois, porém, a realidade encontrada pelos feirantes é diferente do discurso apresentado na solenidade.

    Nesta quarta-feira, 1º de julho, nenhum permissionário ocupa os novos boxes. Todos continuam trabalhando no espaço provisório da antiga fábrica da Kildare, enquanto aguardam a conclusão de serviços considerados essenciais para o funcionamento da feira.

    Conforme apurado pela reportagem em matérias anteriores, permissionários afirmam que ainda existem pendências estruturais que impedem a transferência para o novo equipamento.

    Entre elas, estão a ausência de fechamento superior dos boxes, que permanecem totalmente abertos até a cobertura principal da feira, além de problemas em setores específicos.

    No setor de carnes, por exemplo, feirantes relatam que a parte elétrica ainda depende da substituição de transformadores para permitir o funcionamento adequado dos equipamentos.

    Diante desse cenário, a principal pergunta continua sem resposta:

    Se a entrega foi considerada histórica, por que a feira ainda não pode cumprir sua principal finalidade, que é receber os trabalhadores e atender à população?

    Outro ponto que chama atenção é o papel desempenhado por Andrea Castro durante a agenda oficial.

    Ao afirmar “estamos entregando” e “tivemos uma agenda de saúde hoje pela manhã”, a primeira-dama adotou um discurso institucional em nome da administração municipal, o que reacende um debate de interesse público: qual é a função oficial exercida por ela dentro da estrutura da Prefeitura de Itabuna?

    A pergunta não diminui a importância da atuação social ou da presença da primeira-dama em eventos públicos. O objetivo é esclarecer qual é sua participação institucional na gestão, especialmente em um momento em que seu nome é apontado como possível candidata a deputada estadual.

    Enquanto essas respostas não chegam, permanece um fato incontestável: a cerimônia de entrega aconteceu, mas os feirantes continuam aguardando o dia em que a nova Feira do São Caetano estará efetivamente pronta para recebê-los.

  • Do tumulto na entrada ao alinhamento no camarote: vídeo reforça a unidade do grupo, mas a sucessão de Augusto Castro continua indefinida

    Do tumulto na entrada ao alinhamento no camarote: vídeo reforça a unidade do grupo, mas a sucessão de Augusto Castro continua indefinida

    Na política, imagens raramente são apenas imagens.

    Horas depois de um vídeo mostrar o presidente da Câmara de Itabuna, Manoel Porfírio, ao lado do deputado federal Joseildo Ramos na entrada do camarote oficial do Itapedro, um novo registro passou a circular nas redes sociais.

    Desta vez, o cenário era completamente diferente. O presidente da Câmara aparece ao lado do prefeito Augusto Castro, do presidente da FICC, Aldo Rebouças, de vereadores e de outros integrantes do governo, em um ambiente de descontração.

    Se o primeiro vídeo gerou comentários e interpretações sobre o episódio na entrada do camarote, o segundo reforça a imagem de unidade do grupo. O que ele não responde, entretanto, é à principal pergunta que já movimenta os bastidores da política de Itabuna: quem será o sucessor político de Augusto Castro?

    Manoel Porfírio nunca escondeu sua pretensão de disputar a Prefeitura. Em entrevistas e declarações públicas, o presidente da Câmara já afirmou acreditar que reúne as credenciais para dar continuidade ao projeto político do atual prefeito.

    Entretanto, esse não é o único nome lembrado dentro do grupo governista.

    Nos bastidores, outras lideranças também aparecem nas conversas sobre a sucessão. Entre elas estão a secretária municipal de Infraestrutura e Urbanismo, Sônia Fontes; o secretário municipal de Transportes e Trânsito, Thales Silva, vereador eleito que reassumiu a SETTRAN; o secretário municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza, Erasmo Ávila, ex-presidente da Câmara que se licenciou do Legislativo para assumir a pasta; e Saulo Pontes, secretário de Infraestrutura do Estado da Bahia, nome que também é citado por interlocutores políticos quando o assunto é o futuro do grupo liderado por Augusto Castro.

    Embora nenhum deles tenha sido apresentado oficialmente como pré-candidato do prefeito, todos aparecem, em maior ou menor intensidade, nas conversas de bastidores sobre quem poderá representar o grupo governista nas eleições de 2028. O simples fato de vários nomes serem lembrados demonstra que, até o momento, a sucessão permanece completamente aberta.

    Augusto Castro, por sua vez, mantém silêncio sobre o assunto. E esse silêncio, natural para quem ainda está no exercício do mandato, acaba alimentando diferentes interpretações dentro do próprio grupo político.

    É justamente por isso que imagens como a divulgada durante o Itapedro ganham tanto significado.

    Mais do que um registro de confraternização, elas acabam sendo interpretadas como demonstrações de unidade em um momento em que a sucessão municipal já começa a ocupar espaço nas conversas políticas.

    Se o vídeo mostrou um grupo unido no presente, ele também evidenciou uma realidade da política itabunense: quando há mais de um nome cotado para a sucessão, cada gesto, cada fotografia e cada aparição pública passam a ser analisados sob a ótica de 2028.

    Afinal, a unidade demonstrada no camarote não responde à pergunta que continua sem resposta: quem será o escolhido de Augusto Castro para disputar a Prefeitura de Itabuna?

  • Depois da inauguração, feirantes cobram respostas e passam a ser alvo de ataques

    Depois da inauguração, feirantes cobram respostas e passam a ser alvo de ataques

    A repercussão da inauguração da nova Feira do São Caetano ganhou um novo capítulo. Após cobrarem esclarecimentos sobre quando poderão ocupar os novos boxes, feirantes relatam que passaram a ser alvo de críticas e ataques nas redes sociais.

    A principal reivindicação dos permissionários, no entanto, permanece a mesma: saber quando a nova feira estará efetivamente pronta para funcionar.

    Embora a obra tenha sido oficialmente entregue no último dia 25 de junho, os comerciantes continuam trabalhando no espaço provisório da antiga fábrica da Kildare. Segundo relatos encaminhados à reportagem, ainda existem pendências que impedem a ocupação da estrutura por todos os setores.

    Um dos exemplos citados é o setor de carnes, que ainda depende de adequações na parte elétrica, incluindo a substituição de transformadores para permitir o funcionamento adequado dos equipamentos.

    Mesmo diante desse cenário, alguns feirantes afirmam que, ao cobrarem agilidade ou questionarem a falta de um cronograma para a mudança, passaram a receber críticas, como se reivindicar melhores condições de trabalho fosse algo indevido.

    A cobrança, porém, não é pela realização de uma nova inauguração. Ela é por respostas.

    Quando ocorrerá a mudança definitiva? Quais serviços ainda precisam ser concluídos? Qual é o cronograma para que todos os permissionários possam ocupar seus boxes?

    Essas são perguntas que permanecem sem resposta oficial e que interessam não apenas aos feirantes, mas também à população, que aguarda o pleno funcionamento de um equipamento público construído com recursos públicos.

    Cobrar informações sobre uma obra entregue oficialmente não deveria gerar ataques pessoais. Pelo contrário. O diálogo e a transparência são instrumentos essenciais para que trabalhadores e administração pública construam juntos uma solução.

    Enquanto isso, a realidade continua a mesma: a nova Feira do São Caetano foi inaugurada, mas os feirantes seguem trabalhando no espaço provisório, aguardando o dia em que a entrega oficial se transformará, de fato, no início de uma nova etapa.

  • Motoristas de aplicativo denunciam falta de pontos de embarque e reclamam de multas durante o Ita Pedro em Itabuna

    Motoristas de aplicativo denunciam falta de pontos de embarque e reclamam de multas durante o Ita Pedro em Itabuna

    Uma mobilização de motoristas de aplicativo começou a ganhar força nas redes sociais e em grupos de mensagens após o encerramento do Ita Pedro 2026. Em áudios e textos compartilhados entre a categoria, os profissionais relatam insatisfação com a atuação da fiscalização de trânsito durante o evento e cobram mudanças por parte da Prefeitura de Itabuna.

    Nas mensagens, os motoristas afirmam que vêm enfrentando multas frequentes durante grandes eventos e alegam que não existem pontos suficientes e adequados para embarque e desembarque de passageiros, o que, segundo eles, acaba dificultando o trabalho e aumentando o risco de autuações.

    Além das reclamações sobre a fiscalização, integrantes da categoria defendem maior diálogo com a administração municipal e afirmam que os motoristas de aplicativo desempenham um papel importante na logística da cidade durante festas de grande porte, transportando milhares de pessoas com segurança antes e após os eventos.

    As mensagens também demonstram um movimento de mobilização da categoria para cobrar mudanças e levar o tema ao debate público.

    Questões que merecem esclarecimento

    Diante das reclamações, algumas perguntas precisam ser respondidas pela Prefeitura e pela SETTRAN:

    • Quantos motoristas de aplicativo foram autuados durante o Ita Pedro?
    • Existiam áreas oficiais e suficientes para embarque e desembarque de passageiros por aplicativos?
    • Quantos pontos foram disponibilizados?
    • Houve diálogo prévio entre a Prefeitura e representantes dos motoristas de aplicativo para definir a operação do evento?
    • Quantos táxis foram fiscalizados e autuados no mesmo período?
    • Os critérios de fiscalização foram exatamente os mesmos para todas as modalidades de transporte individual?

    Essas informações são relevantes porque envolvem a organização de um evento financiado com recursos públicos e a atuação de profissionais responsáveis pelo deslocamento de milhares de pessoas.

    Debate precisa ser baseado em dados

    As mensagens divulgadas pelos motoristas revelam um cenário de insatisfação. Essas alegações dependem de apuração e de dados oficiais.

    Por outro lado, se um número significativo de profissionais relata dificuldades semelhantes, o tema merece atenção e transparência por parte do poder público.

    A discussão vai além das multas. Ela envolve mobilidade urbana, planejamento do trânsito, segurança dos passageiros e as condições de trabalho de uma categoria que hoje integra o sistema de transporte da cidade.

    O Blog Entre Nós deixa espaço aberto para que a Prefeitura de Itabuna e a SETTRAN apresentem esclarecimentos sobre a operação realizada durante o Ita Pedro, os critérios de fiscalização adotados e os números oficiais das autuações aplicadas no período.

  • Feira inaugurada, mas sem feirantes: nova estrutura do São Caetano seguirá vazia após entrega oficial

    Feira inaugurada, mas sem feirantes: nova estrutura do São Caetano seguirá vazia após entrega oficial

    A nova Feira do São Caetano foi oficialmente entregue no último dia 25 de junho, em uma cerimônia que reuniu diversas autoridades políticas. O governador Jerônimo Rodrigues não participou do evento, mas a solenidade contou com a presença do ministro da Casa Civil, Rui Costa, além do prefeito Augusto Castro, deputados e outras lideranças.

    Apesar da entrega oficial, a nova feira seguirá vazia nos próximos dias.

    Os feirantes continuam trabalhando no espaço provisório instalado na antiga fábrica de calçados Kildare e, segundo permissionários ouvidos pela reportagem, ainda não há condições para ocupação da nova estrutura nem previsão para a mudança.

    As imagens do novo equipamento mostram que os boxes foram construídos sem fechamento superior individual. Cada espaço possui apenas divisórias laterais e pia, enquanto toda a feira é coberta por um único telhado metálico de grande altura. Na prática, os boxes permanecem totalmente abertos até a cobertura principal.

    Segundo os próprios feirantes, a estrutura, da forma como foi entregue, ainda não permite a instalação das mercadorias e o início das atividades.

    Isso significa que, embora a obra tenha sido inaugurada oficialmente, ela ainda não cumprirá sua principal finalidade: receber os trabalhadores e voltar a funcionar para a população.

    O contraste chama atenção. Enquanto autoridades participaram da cerimônia de entrega e celebraram a conclusão da obra, centenas de feirantes seguem exercendo suas atividades no galpão provisório da antiga Kildare.

    Diante desse cenário, algumas perguntas permanecem sem resposta:

    • O que ainda impede a ocupação da nova feira?
    • Quais adequações precisam ser realizadas antes da mudança?
    • Existe um cronograma oficial para a transferência dos feirantes?
    • Por que a inauguração ocorreu antes do início efetivo do funcionamento?

    A entrega de uma obra pública representa um momento importante. Mas sua finalidade só é plenamente alcançada quando ela passa a servir à população.

    No caso da Feira do São Caetano, a cerimônia aconteceu. Os discursos também.

    Os feirantes, porém, continuarão trabalhando longe da nova estrutura, que permanecerá vazia até que existam condições reais para sua ocupação.

  • Quem entra no camarote oficial? Essa é a pergunta levantada após vídeo mostrar presidente da Câmara na entrada do camarote oficial durante o Itapedro

    Quem entra no camarote oficial? Essa é a pergunta levantada após vídeo mostrar presidente da Câmara na entrada do camarote oficial durante o Itapedro

    Um vídeo que circula nas redes sociais mostrando o presidente da Câmara de Itabuna e o deputado federal Joseildo Ramos na entrada do camarote oficial do Itapedro chamou a atenção durante a festa. Independentemente do motivo do episódio registrado nas imagens, a situação acabou despertando um debate que vai além dos envolvidos.

    Afinal, quem pode acessar o camarote oficial de um evento público? Quais são os critérios para ingresso? Quem define a lista de convidados? E quem custeia essa estrutura?

    São perguntas que interessam diretamente à população.

    O episódio registrado no vídeo evidencia a necessidade de maior transparência sobre o funcionamento do espaço reservado às autoridades e convidados. Ainda que a situação tenha sido posteriormente resolvida, ou tenha ocorrido por questões de protocolo, credenciamento ou segurança, o fato reacende uma discussão importante: qual é a finalidade do camarote oficial e como ocorre a definição de quem tem acesso ao local?

    Eventos como o Itapedro movimentam milhões de reais entre recursos públicos, patrocínios e investimentos privados. Nesse contexto, estruturas oficiais também precisam observar princípios da administração pública, especialmente a publicidade, a transparência e a impessoalidade.

    A sociedade tem o direito de saber:

    • Quem pagou pela estrutura do camarote oficial?
    • O custo está previsto nos contratos do evento?
    • O espaço é destinado exclusivamente ao trabalho institucional?
    • Há uma relação oficial de convidados?
    • Quais critérios são utilizados para autorizar o acesso?

    Esses questionamentos não surgem apenas porque uma autoridade apareceu em um vídeo na entrada do camarote. Eles surgem porque espaços vinculados a eventos públicos precisam ter regras claras, critérios objetivos e informações acessíveis à população.

    Mais importante do que discutir se determinada autoridade entrou imediatamente ou aguardou autorização é compreender como funciona um ambiente criado dentro de uma festa custeada com recursos públicos e patrocinadores.

    Transparência não deve se limitar à divulgação dos contratos da festa. Ela também deve alcançar a utilização das estruturas oficiais, os critérios de acesso e a finalidade de cada espaço reservado.

    O episódio envolvendo o presidente da Câmara e o deputado federal Joseildo Ramos acaba servindo como ponto de partida para uma discussão que interessa a todos os cidadãos: em um evento público, os critérios de acesso aos espaços oficiais devem ser conhecidos apenas pelos organizadores ou também pela sociedade que financia e prestigia a festa?

  • Buraco aberto na Avenida Cinquentenário expõe abandono e coloca vidas em risco no centro de Itabuna

    Buraco aberto na Avenida Cinquentenário expõe abandono e coloca vidas em risco no centro de Itabuna

    A Avenida Cinquentenário, principal centro comercial de Itabuna, abriga diariamente milhares de pessoas. É justamente em um dos pontos mais movimentados da cidade que um buraco aberto na via permanece sem proteção adequada, transformando a calçada e a pista em uma verdadeira armadilha para pedestres, idosos, pessoas com deficiência, motociclistas e condutores.

    As imagens registradas no local mostram que a estrutura cedeu, deixando um vão de grandes proporções exposto. Quem passa pela região precisa desviar do obstáculo sem qualquer garantia de segurança. À noite ou em dias de chuva, o risco se torna ainda maior.

    Não se trata apenas de um buraco. Trata-se de um equipamento público deteriorado em uma das avenidas mais importantes do município, justamente onde a circulação de pessoas é intensa durante todo o dia.

    A situação levanta um questionamento inevitável: a Prefeitura está aguardando que alguém caia, sofra um acidente grave ou até perca a vida para realizar o reparo?

    Manutenção urbana não deve acontecer apenas depois da tragédia. Em uma cidade que investe em obras e revitalizações, problemas como esse deveriam receber atendimento imediato, principalmente quando colocam vidas em risco.

    Enquanto isso não acontece, comerciantes, trabalhadores e consumidores continuam convivendo diariamente com um perigo que está à vista de todos.

  • E OS CONTRATOS? PUBLICARAM OU NÃO?

    E OS CONTRATOS? PUBLICARAM OU NÃO?

    A pergunta continua no ar.

    Após a atuação do Ministério Público da Bahia, do Ministério Público Federal e da Justiça Federal, a discussão sobre o Ita Pedro 2026 deixou de ser apenas sobre atrações, cachês e programação. O debate agora é outro: transparência.

    Afinal, se os contratos estavam regulares, os valores devidamente justificados e a origem dos recursos perfeitamente identificada, por que foi necessária a intervenção dos órgãos de controle e uma decisão judicial para exigir a divulgação dessas informações?

    Essa não é uma pergunta da oposição.

    Também não é uma pergunta da imprensa.

    É uma pergunta que nasce da própria atuação do Ministério Público e da Justiça Federal.

    O que causa estranheza não é a realização da festa. Eventos culturais são importantes, movimentam a economia e fazem parte da tradição da cidade.

    O que chama atenção é o fato de que órgãos responsáveis por fiscalizar a aplicação dos recursos públicos precisaram recorrer ao Poder Judiciário para garantir acesso a informações que deveriam estar disponíveis espontaneamente.

    Quando Ministério Público, Ministério Público Federal e Justiça Federal precisam atuar para garantir acesso a informações públicas, algo está muito errado na relação da administração com os mecanismos de controle.

    Transparência não é favor.

    Transparência não é concessão.

    Transparência não é algo que se oferece apenas depois de recomendações, cobranças ou decisões judiciais.

    Transparência é dever.

    O cidadão pode até não acompanhar diariamente os portais públicos. Os órgãos de controle, porém, existem exatamente para isso. Quando esses órgãos relatam dificuldades para obter informações e precisam recorrer à Justiça para assegurar publicidade aos atos administrativos, o problema deixa de ser burocrático e passa a ser institucional.

    O mais preocupante é a naturalização dessa situação.

    Como se fosse normal que contratos milionários de um dos maiores eventos do interior da Bahia só passassem a ocupar o centro do debate após a atuação do Ministério Público e da Justiça Federal.

    Não é normal.

    Não deveria ser.

    A boa gestão pública não teme fiscalização.

    A boa gestão pública não resiste à transparência.

    A boa gestão pública compreende que prestar contas não é obrigação apenas quando alguém cobra, mas durante todo o processo.

    Por isso, a pergunta permanece:

    Os contratos do Ita Pedro 2026 já foram publicados integralmente?

    Se a resposta for sim, excelente. Que todos possam analisá-los.

    Se a resposta for não, a população tem o direito de saber por quê.

    Porque, em uma democracia, recursos públicos exigem publicidade, fiscalização e respeito aos mecanismos de controle.

    E quando a transparência depende da atuação conjunta do Ministério Público, do Ministério Público Federal e da Justiça Federal, a discussão já não é sobre a festa.

    A discussão é sobre o cumprimento de um princípio básico da administração pública.

    CONSULTE VOCÊ MESMO

    Os contratos, editais, atas, dispensas, inexigibilidades e demais documentos das contratações públicas podem ser consultados diretamente no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP):

    Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP):
    https://pncp.gov.br

    Pesquise por “Itabuna” e confira quais documentos já estão disponíveis para consulta pública.

  • De jovem aprendiz a prefeito: Augusto Castro também foi oposição e chegou à Prefeitura sem experiência como gestor municipal

    De jovem aprendiz a prefeito: Augusto Castro também foi oposição e chegou à Prefeitura sem experiência como gestor municipal

    A declaração do prefeito de que a oposição ‘nunca governou nada’ chama a atenção para um debate sobre experiência administrativa, democracia e a própria trajetória política de quem hoje comanda Itabuna.

    Durante entrevista concedida na manhã desta segunda-feira ao radialista Oziel Aragão, o prefeito de Itabuna, Augusto Castro, fez uma declaração que rapidamente repercutiu nos meios políticos da cidade. Ao comentar as críticas feitas por adversários políticos, afirmou que a oposição não teria competência para administrar porque “nunca governou nada”.

    A fala foi além da defesa da gestão municipal e abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre experiência administrativa, democracia e o papel da oposição dentro do processo político.

    O que chama atenção é que a própria trajetória de Augusto Castro guarda semelhanças com a realidade de muitos dos nomes que hoje fazem oposição ao seu governo.

    Antes de chegar à Prefeitura de Itabuna, Augusto Castro não havia exercido cargo de prefeito nem comandado um município. Sua história começou ainda jovem, como aprendiz em órgãos públicos municipais, passando por funções administrativas, assessorias e atuação política ao longo de décadas.

    Foi secretário parlamentar, assessor em órgãos públicos, deputado estadual por dois mandatos e construiu grande parte de sua trajetória política justamente ocupando o espaço da oposição em diferentes momentos da política local e regional.

    Assim como acontece com diversos líderes políticos pelo país, sua chegada ao cargo de prefeito ocorreu sem experiência prévia como gestor municipal.

    A declaração também levanta uma reflexão importante: para fiscalizar uma administração, apontar problemas ou apresentar propostas alternativas, é obrigatório já ter governado?

    Na prática democrática, o papel da oposição não é administrar. Sua função é acompanhar, fiscalizar, cobrar resultados e apresentar caminhos diferentes para a gestão pública. Muitas das principais lideranças políticas brasileiras chegaram ao poder após anos exercendo justamente esse papel.

    Ao mesmo tempo, é legítimo o argumento de que administrar uma cidade do porte de Itabuna apresenta desafios que nem sempre são percebidos por quem está fora do governo. Durante a entrevista, Augusto Castro destacou os elevados custos da saúde pública, citando o funcionamento do Hospital de Base, das unidades de saúde e da UPA, além das dificuldades enfrentadas pelos municípios para manter os serviços funcionando diante do aumento constante das despesas.

    A questão, no entanto, vai além dos números e dos custos da máquina pública.

    A fala do prefeito acaba colocando em debate se a capacidade de criticar uma gestão está necessariamente ligada à experiência de ter ocupado um cargo executivo ou se o direito de fiscalizar e questionar é uma prerrogativa de qualquer cidadão, liderança política ou representante da sociedade.

    Curiosamente, a própria história política de Augusto Castro demonstra que toda liderança pública tem um primeiro desafio administrativo. Antes de governar Itabuna, ele também construiu sua trajetória fazendo política, participando do debate público, criticando administrações e defendendo suas ideias para a cidade.

    Por isso, a declaração repercute não apenas pelo conteúdo, mas pela reflexão que provoca: se apenas quem já governou pode criticar, como surgem os novos gestores? E se a experiência é adquirida governando, não foi exatamente esse o caminho percorrido por quem hoje ocupa o cargo de prefeito?

    A discussão está lançada. E, como toda boa discussão democrática, deve ser feita com argumentos, resultados e respeito às diferentes visões sobre o futuro de Itabuna.