A ambulância foi adquirida com recursos públicos.
Os equipamentos pertencem ao patrimônio público.
O ambulatório em construção é fruto de investimentos públicos.
Nada disso pertence a uma pessoa.
Tudo isso pertence à população.
Por isso, quando uma figura sem cargo eletivo ou função administrativa formalmente conhecida passa a ocupar espaço de destaque em agendas oficiais, a sociedade tem o direito de questionar qual é exatamente a sua atribuição institucional.
A discussão ganha ainda mais relevância porque não se trata de um episódio isolado.
Nos últimos meses, a primeira-dama tem aparecido de forma recorrente em agendas ligadas a obras públicas, eventos promovidos pela FICC, ações sociais, visitas a bairros e, agora, também em entregas relacionadas à saúde.
O ponto não é a presença.
O ponto é a função.
Porque em uma administração pública existem secretários, diretores, coordenadores e agentes formalmente responsáveis por cada área.
E quando uma mesma figura passa a ocupar espaço de destaque em diferentes setores da gestão, uma dúvida naturalmente surge:
Ela está representando quem?
A população tem o direito de conhecer não apenas as obras, os equipamentos e as entregas.
Também tem o direito de compreender quem responde por elas, quem presta contas dos resultados e quem exerce oficialmente cada papel dentro da administração.
Afinal, transparência não é apenas mostrar o que foi entregue.
Transparência também é deixar claro quem fala em nome da gestão e em qual condição fala.
E essa é uma pergunta que continua sem resposta:
Qual é a função institucional da primeira-dama na apresentação dessas entregas públicas?


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