A declaração do prefeito de que a oposição ‘nunca governou nada’ chama a atenção para um debate sobre experiência administrativa, democracia e a própria trajetória política de quem hoje comanda Itabuna.
Durante entrevista concedida na manhã desta segunda-feira ao radialista Oziel Aragão, o prefeito de Itabuna, Augusto Castro, fez uma declaração que rapidamente repercutiu nos meios políticos da cidade. Ao comentar as críticas feitas por adversários políticos, afirmou que a oposição não teria competência para administrar porque “nunca governou nada”.
A fala foi além da defesa da gestão municipal e abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre experiência administrativa, democracia e o papel da oposição dentro do processo político.
O que chama atenção é que a própria trajetória de Augusto Castro guarda semelhanças com a realidade de muitos dos nomes que hoje fazem oposição ao seu governo.
Antes de chegar à Prefeitura de Itabuna, Augusto Castro não havia exercido cargo de prefeito nem comandado um município. Sua história começou ainda jovem, como aprendiz em órgãos públicos municipais, passando por funções administrativas, assessorias e atuação política ao longo de décadas.
Foi secretário parlamentar, assessor em órgãos públicos, deputado estadual por dois mandatos e construiu grande parte de sua trajetória política justamente ocupando o espaço da oposição em diferentes momentos da política local e regional.
Assim como acontece com diversos líderes políticos pelo país, sua chegada ao cargo de prefeito ocorreu sem experiência prévia como gestor municipal.
A declaração também levanta uma reflexão importante: para fiscalizar uma administração, apontar problemas ou apresentar propostas alternativas, é obrigatório já ter governado?
Na prática democrática, o papel da oposição não é administrar. Sua função é acompanhar, fiscalizar, cobrar resultados e apresentar caminhos diferentes para a gestão pública. Muitas das principais lideranças políticas brasileiras chegaram ao poder após anos exercendo justamente esse papel.
Ao mesmo tempo, é legítimo o argumento de que administrar uma cidade do porte de Itabuna apresenta desafios que nem sempre são percebidos por quem está fora do governo. Durante a entrevista, Augusto Castro destacou os elevados custos da saúde pública, citando o funcionamento do Hospital de Base, das unidades de saúde e da UPA, além das dificuldades enfrentadas pelos municípios para manter os serviços funcionando diante do aumento constante das despesas.
A questão, no entanto, vai além dos números e dos custos da máquina pública.
A fala do prefeito acaba colocando em debate se a capacidade de criticar uma gestão está necessariamente ligada à experiência de ter ocupado um cargo executivo ou se o direito de fiscalizar e questionar é uma prerrogativa de qualquer cidadão, liderança política ou representante da sociedade.
Curiosamente, a própria história política de Augusto Castro demonstra que toda liderança pública tem um primeiro desafio administrativo. Antes de governar Itabuna, ele também construiu sua trajetória fazendo política, participando do debate público, criticando administrações e defendendo suas ideias para a cidade.
Por isso, a declaração repercute não apenas pelo conteúdo, mas pela reflexão que provoca: se apenas quem já governou pode criticar, como surgem os novos gestores? E se a experiência é adquirida governando, não foi exatamente esse o caminho percorrido por quem hoje ocupa o cargo de prefeito?
A discussão está lançada. E, como toda boa discussão democrática, deve ser feita com argumentos, resultados e respeito às diferentes visões sobre o futuro de Itabuna.


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