No último dia 25 de junho, durante a cerimônia de entrega da nova Feira do São Caetano, a primeira-dama Andrea Castro concedeu entrevista à imprensa e definiu a inauguração como uma “entrega histórica”.
Na ocasião, declarou:
“É uma tarde muito especial. É mais do que uma entrega, uma grande conquista para a nossa cidade, para o nosso povo. Isso demonstra dignidade, desenvolvimento e oportunidades para a nossa população. Então estamos muito felizes porque é uma entrega histórica.”
A declaração foi feita durante um evento que reuniu diversas autoridades e marcou oficialmente a entrega da obra.
Uma semana depois, porém, a realidade encontrada pelos feirantes é diferente do discurso apresentado na solenidade.
Nesta quarta-feira, 1º de julho, nenhum permissionário ocupa os novos boxes. Todos continuam trabalhando no espaço provisório da antiga fábrica da Kildare, enquanto aguardam a conclusão de serviços considerados essenciais para o funcionamento da feira.
Conforme apurado pela reportagem em matérias anteriores, permissionários afirmam que ainda existem pendências estruturais que impedem a transferência para o novo equipamento.
Entre elas, estão a ausência de fechamento superior dos boxes, que permanecem totalmente abertos até a cobertura principal da feira, além de problemas em setores específicos.
No setor de carnes, por exemplo, feirantes relatam que a parte elétrica ainda depende da substituição de transformadores para permitir o funcionamento adequado dos equipamentos.
Diante desse cenário, a principal pergunta continua sem resposta:
Se a entrega foi considerada histórica, por que a feira ainda não pode cumprir sua principal finalidade, que é receber os trabalhadores e atender à população?
Outro ponto que chama atenção é o papel desempenhado por Andrea Castro durante a agenda oficial.
Ao afirmar “estamos entregando” e “tivemos uma agenda de saúde hoje pela manhã”, a primeira-dama adotou um discurso institucional em nome da administração municipal, o que reacende um debate de interesse público: qual é a função oficial exercida por ela dentro da estrutura da Prefeitura de Itabuna?
A pergunta não diminui a importância da atuação social ou da presença da primeira-dama em eventos públicos. O objetivo é esclarecer qual é sua participação institucional na gestão, especialmente em um momento em que seu nome é apontado como possível candidata a deputada estadual.
Enquanto essas respostas não chegam, permanece um fato incontestável: a cerimônia de entrega aconteceu, mas os feirantes continuam aguardando o dia em que a nova Feira do São Caetano estará efetivamente pronta para recebê-los.


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