Prefeito projetou público de 10 mil pessoas; participação de estudantes de Ilhéus gera dúvidas sobre necessidade de deslocamento
A realização do Programa de Governo Participativo (PGP), promovido pelo Governo da Bahia nesta quinta-feira (16), em Itabuna, passou a gerar questionamentos após a divulgação de documentos que autorizam a participação de estudantes de escolas estaduais de Ilhéus na plenária da juventude.
As autorizações encaminhadas aos pais informam que os alunos seriam transportados por ônibus disponibilizados pela União Municipal dos Estudantes de Ilhéus (UMES), com saída das escolas às 13h e retorno previsto para as 20h. O documento também informa que os participantes receberiam alimentação durante a programação.
Em comunicado às famílias, uma das unidades escolares esclareceu que a atividade possui caráter extracurricular e destacou que a escola não se responsabiliza pela organização, supervisão ou despesas relacionadas ao evento.
O caso chama atenção por envolver estudantes da rede estadual de ensino em uma mobilização para um evento realizado em outro município. O próprio PGP foi apresentado pelo Governo da Bahia como um processo de escuta popular que, além das plenárias presenciais, disponibiliza uma plataforma digital para o recebimento de propostas da população, permitindo que qualquer cidadão participe sem necessidade de comparecimento ao evento.
Diante desse cenário, surge um questionamento: se o programa já oferece canais digitais para ouvir a população, por que foi necessário transportar estudantes de uma escola da rede estadual de Ilhéus até Itabuna para participar da plenária?
Como o próprio PGP disponibiliza uma plataforma digital para envio de propostas, outra alternativa seria realizar debates nas próprias escolas e encaminhar as contribuições dos estudantes eletronicamente, preservando a rotina escolar e ampliando o alcance da consulta.
O debate ganha ainda mais relevância porque, antes da realização do evento, o prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), declarou à imprensa que a expectativa era reunir mais de 10 mil pessoas no PGP. Segundo o prefeito, a projeção seria resultado da mobilização realizada pelo gabinete municipal e pelas lideranças políticas da base do governo.
A declaração também acrescenta outro elemento à discussão. Se o PGP dispõe de ferramentas digitais para ampliar a participação da população, qual a necessidade de concentrar esforços na mobilização de público para um evento presencial? Em um programa criado para construir propostas de governo, o principal objetivo deve ser medir a participação pela quantidade de pessoas presentes ou pela qualidade das contribuições recebidas?
A reportagem também não questiona a importância da participação da juventude no processo democrático. O ponto central é a metodologia adotada para essa escuta e o papel da rede estadual de ensino na mobilização de estudantes para um evento realizado fora do município onde estudam, especialmente quando o próprio programa disponibiliza mecanismos digitais de participação.
A reportagem também não questiona a importância da participação da juventude no processo democrático. O ponto em debate é a metodologia adotada para essa escuta e a necessidade do deslocamento de estudantes entre municípios quando o próprio programa disponibiliza mecanismos digitais de participação.
Diante dos fatos, permanecem alguns questionamentos:
- Qual foi o critério para mobilizar estudantes da rede estadual de Ilhéus para uma plenária em Itabuna?
- Por que optar pelo deslocamento entre municípios se o PGP dispõe de plataforma digital para envio de propostas?
- Houve orientação ou participação da Secretaria da Educação da Bahia nessa mobilização?
- Por que optar pelo deslocamento entre municípios se o PGP dispõe de plataforma digital para envio de propostas?
- As contribuições dos estudantes não poderiam ter sido coletadas nas próprias escolas estaduais e encaminhadas posteriormente ao programa?
- Qual foi o objetivo pedagógico da participação desses estudantes no evento?


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