PGP de Itabuna evidenciou dois movimentos distintos: enquanto o PSD concentrou o protagonismo institucional e deu visibilidade a lideranças como o secretário estadual Saulo Pontes, Manoel Porfírio demonstrou força de mobilização nas ruas, sem ocupar o mesmo espaço de protagonismo durante o evento.
O Programa de Governo Participativo (PGP), realizado em Itabuna na última quinta-feira (16), foi apresentado oficialmente como um espaço para ouvir a população e construir as diretrizes do próximo programa de governo da Bahia. No entanto, além da pauta administrativa, o evento também deixou sinais políticos que passaram a ser observados por quem acompanha os bastidores da sucessão no sul do estado.
Antes mesmo da chegada do governador Jerônimo Rodrigues, um dos momentos mais marcantes foi a mobilização organizada pelo vereador Manoel Porfírio (PT). O parlamentar reuniu milhares de apoiadores na Praça do Sarinha e conduziu uma caminhada até a Arena Zé Cachoeira, demonstrando capacidade de organização e forte presença de militantes.
A expressiva participação chamou atenção e foi destacada por veículos ligados à base governista, evidenciando que o PT continua mantendo uma estrutura capaz de mobilizar pessoas nas ruas.
Entretanto, quando o evento entrou em sua programação institucional, outro cenário ganhou força.
Os principais discursos, os registros oficiais e os gestos políticos concentraram protagonismo em lideranças do PSD. Entre elas, o secretário estadual de Infraestrutura Hídrica e Saneamento, Saulo Pontes, que recebeu manifestações públicas de prestígio do senador Otto Alencar, principal liderança do partido na Bahia.
Embora não exista qualquer anúncio oficial sobre a sucessão municipal de 2028, o espaço ocupado por Saulo Pontes durante o evento alimentou interpretações políticas sobre sua crescente projeção dentro do grupo governista.
A leitura ganha ainda mais relevância quando se observa o cenário regional.
Nos últimos anos, o PSD consolidou protagonismo nas principais cidades do sul da Bahia. O partido administrou Ilhéus por dois mandatos consecutivos com Marão e governa Itabuna desde 2021 com Augusto Castro, reeleito em 2024. Mesmo após a mudança de comando em Ilhéus, o PSD continua sendo uma das principais forças políticas da região, sustentado pela liderança do senador Otto Alencar e pela gestão de Augusto Castro em Itabuna.
Sob essa perspectiva, o PGP parece ter revelado dois tipos diferentes de força política.
De um lado, Manoel Porfírio mostrou que possui capacidade de mobilizar pessoas, organizar militância e ocupar as ruas.
Do outro, o PSD concentrou o protagonismo institucional, direcionando visibilidade para nomes considerados estratégicos dentro do governo, entre eles Saulo Pontes.
Não há elementos suficientes para afirmar que Saulo Pontes será o nome escolhido para disputar a sucessão de Augusto Castro. Da mesma forma, não se pode ignorar que, na política, lideranças costumam ser construídas gradualmente, por meio da ocupação de espaços, do reconhecimento público e da exposição em eventos de grande repercussão.
É justamente essa combinação de movimentos que desperta a atenção.
Enquanto Manoel Porfírio demonstrou força popular e capacidade de mobilização, os holofotes institucionais pareceram apontar para outro eixo de construção política.
Resta saber se essa diferença foi apenas consequência natural da organização do evento ou se representa os primeiros sinais de uma estratégia mais ampla do PSD para conduzir, no momento oportuno, o debate sobre a sucessão de Augusto Castro em Itabuna.
Essa é uma pergunta que, por enquanto, permanece sem resposta oficial, mas que o próprio PGP fez voltar ao centro das conversas nos bastidores da política regional.


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