R$ 3,42 milhões em trios elétricos em ano eleitoral levantam debate sobre prioridades e exposição política em Itabuna

R$ 3,42 milhões em trios elétricos em ano eleitoral levantam debate sobre prioridades e exposição política em Itabuna

Carnaval é manifestação cultural legítima e pertence ao povo. Se há festa, que a população participe. O recurso é público, portanto é da própria cidade. O que merece reflexão não é a alegria nas ruas, mas o contexto.

A Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania homologou contrato de R$ 3,42 milhões para locação de trios elétricos, conforme publicação no Diário Oficial. O ato é formal, legal e público. A questão é outra: trata-se de prioridade adequada diante da realidade atual do município?

Estamos em ano eleitoral. Paralelamente, a primeira-dama é tratada nos bastidores como pré-candidata. Eventos de grande visibilidade naturalmente ampliam exposição e capital político. Não há ilegalidade nisso. Mas é legítimo perguntar se a festa cumpre apenas função cultural ou também estratégica.

Enquanto o trio desfila duas vezes no circuito, a Feira do São Caetano segue sem conclusão após três anos, o Hospital de Base enfrenta relatos de falta de insumos, as ruas continuam esburacadas, a conta de água sofreu reajustes e os salários dos vereadores foram aumentados.

Gestão pública envolve escolhas. A publicação oficial mostra onde parte do recurso está sendo direcionada. O eleitor, por sua vez, precisa avaliar se concorda com essa ordem de prioridades.

Carnaval passa. Mandatos passam. Candidaturas passam.

O que permanece é a memória do cidadão sobre como e quando o dinheiro público foi aplicado.

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