Faixa, vaidade e dinheiro público: o que realmente está em jogo nessa disputa?

Em ano eleitoral, população precisa observar menos os nomes e mais o uso da máquina pública.

Um vídeo publicado pelo deputado estadual Pancadinha mostra a retirada de faixas ligadas ao projeto Periferia de Direitos durante uma ação realizada em Itabuna.

Nas imagens, o parlamentar afirma que a Prefeitura teria determinado a retirada do material que fazia referência à sua participação na chegada do projeto à cidade. Segundo ele, a ação representaria mais um episódio de perseguição política e tentativa de apagar a participação de quem ajudou a viabilizar a iniciativa junto ao Governo do Estado.

O episódio rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.

Mas antes de escolher um lado nessa disputa, vale lembrar um detalhe importante: essa discussão não começou agora.

Quando Pancadinha fazia oposição ao governo municipal, situações semelhantes já eram alvo de críticas públicas. Na época, o debate girava exatamente em torno da personalização de obras, ações e programas financiados com recursos públicos.

Por isso, talvez a verdadeira pergunta não seja quem colocou ou quem retirou a faixa.

A pergunta é outra:

Quem é o verdadeiro dono de uma ação pública?

A resposta deveria ser simples.

Não é o prefeito.

Não é o deputado.

Não é o governador.

É o cidadão que paga impostos.

Quando um programa social, uma obra, um evento ou um serviço público chega à população, ele não pertence a um grupo político. Ele pertence à sociedade.

A disputa por autoria revela um problema maior: a dificuldade que parte da classe política ainda tem em separar promoção pessoal de interesse público.

Se a Prefeitura realmente determinou a retirada das faixas, cabe esclarecer quais critérios foram utilizados e se a medida foi aplicada de forma isonômica para todos os envolvidos.

Por outro lado, também é legítimo questionar até que ponto estruturas, eventos e programas públicos podem ser utilizados para promoção individual de agentes políticos.

Em um ano eleitoral, essa discussão ganha ainda mais relevância.

O cidadão precisa estar atento não apenas ao que está sendo entregue, mas também à forma como essas entregas estão sendo apresentadas.

Porque a democracia perde quando o debate deixa de ser sobre resultados e passa a ser sobre quem aparece mais na fotografia.

No final das contas, faixas podem ser retiradas.

Logomarcas podem ser trocadas.

Discursos podem mudar.

Mas uma verdade permanece:

Nenhum político é dono de uma ação pública.

O verdadeiro financiador de tudo continua sendo o contribuinte.

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