Enquanto ações pontuais ganham divulgação nas redes, moradores denunciam falhas persistentes nos postos de saúde dos bairros
A recente divulgação do programa “Mais Saúde, Menos Fila” nas redes sociais trouxe à tona um contraste que a população já percebe no dia a dia. A iniciativa prevê atendimento concentrado em datas específicas, com especialistas e exames para pacientes cadastrados e já inseridos na fila de espera.
A proposta, em tese, busca reduzir demandas reprimidas. No entanto, relatos de moradores de bairros como Nova Ferradas indicam que o problema está além da fila.
Há denúncias de postos que não conseguem preencher documentos básicos da regulação, dificuldades para marcar consultas, exames preventivos sem entrega de resultados e exigências burocráticas que atrasam tratamentos. Situações que não dependem de mutirão, mas de funcionamento regular da atenção básica.
É nesse ponto que surge a pergunta legítima. Se a unidade de saúde não resolve procedimentos simples no dia a dia, um evento pontual é suficiente para caracterizar fortalecimento da rede?
A saúde pública é estruturada a partir da atenção primária, com atendimento contínuo, equipe completa, regulação eficiente e acompanhamento permanente. Mutirões podem aliviar a demanda momentaneamente, mas não substituem política pública estruturante.
Também chama atenção o uso intenso da divulgação institucional nas redes sociais, o que reforça a percepção de que a comunicação pode estar assumindo protagonismo maior que a solução estrutural.
Não se trata de questionar a legalidade da ação, mas de analisar o contexto. A gestão municipal da saúde é responsabilidade direta do Executivo, e os resultados precisam ser avaliados de forma contínua, não apenas em datas específicas.
Mutirão não substitui atenção básica.
Saúde pública não é vitrine.

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