Profissionais seguem atendendo com dignidade, mesmo diante da falta de leitos e da pressão de uma demanda que cresce sem resposta proporcional da gestão.
O que está acontecendo no Hospital Manoel Novaes precisa ser interpretado com responsabilidade.
Não é um colapso causado por falha da equipe. É um colapso causado por limite de estrutura.
A própria coordenação de enfermagem foi clara: mais de 20 crianças internadas por crises respiratórias, aumento sazonal já esperado, leitos insuficientes e pacientes sendo mantidos no pronto-socorro. Soma-se a isso gestantes internadas e uma unidade que atende mais de 120 municípios.
Isso não é um problema pontual. É um sistema pressionado além do que foi dimensionado.
Mesmo assim, os relatos mostram algo que não pode ser ignorado: o atendimento continua sendo feito. Com esforço. Com improviso. Com desgaste.
A classificação de risco do Ministério da Saúde está sendo aplicada. A orientação para casos leves buscarem unidades básicas faz sentido técnico. Mas isso escancara outra falha: a rede não está equilibrada.
Quando o hospital vira a primeira opção até para casos leves, é sinal de que a base não está funcionando como deveria.
E aqui entra o ponto que precisa ser dito sem rodeio:
Se a demanda é previsível, a resposta também deveria ser.
Todos os anos o período de doenças respiratórias se repete. Não é surpresa. É calendário. Mesmo assim, não se vê ampliação temporária de leitos, reforço de equipe ou uma estratégia clara para absorver esse aumento.
Isso não é responsabilidade do hospital. É decisão de gestão.
A equipe do hospital está fazendo o que pode com o que tem. O problema é que o que tem não acompanha o que é necessário.
A fala da acompanhante que relata crianças nos corredores e falta até de cadeiras não é uma crítica ao atendimento. É um alerta sobre a estrutura.
E estrutura depende de prioridade.
Se saúde não estiver no topo da decisão política, o resultado é exatamente esse: profissionais sobrecarregados tentando sustentar um sistema que já deveria ter sido reforçado antes de chegar ao limite.
A leitura correta não é culpar quem atende.
É questionar quem decide.
Porque no fim, a diferença entre crise e colapso não está na equipe. Está na gestão.


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