ESPORTE EM ITABUNA: MAIS AUTONOMIA, MAS ONDE ESTÃO OS RESULTADOS?

Após mais de cinco anos de gestão, criação da FITEL reacende debate sobre estrutura, orçamento e entregas reais para o esporte da cidade

A aprovação da FITEL, Fundação Itabunense de Esportes e Lazer, foi comemorada pela gestão municipal como um avanço histórico para o esporte de Itabuna. Segundo o secretário Alcântara Pellegrini, a nova fundação dará mais autonomia financeira, agilidade administrativa e facilidade para receber convênios e emendas parlamentares.

O discurso é positivo.

Mas a pergunta que começa a surgir é outra:

O esporte de Itabuna precisava primeiro de uma nova fundação ou de resultados mais visíveis?

A discussão não é sobre ser contra o esporte. Nem contra investimentos.

A questão é proporcionalidade entre estrutura, orçamento e entrega.

De 2021 até 2026, a Secretaria de Esportes passou a contar com orçamento milionário, retomada institucional da pasta e espaço político dentro do governo. Ainda assim, a cidade continua sem uma política esportiva estruturante claramente identificável pela população.

O principal símbolo esportivo da gestão segue sendo o Campeonato Interbairros, evento importante para a tradição do futebol amador local, mas insuficiente para representar sozinho uma política pública esportiva de longo prazo.

Enquanto isso, seguem abertas algumas perguntas:

  • Quantos atletas recebem apoio permanente do município?
  • Quais modalidades além do futebol possuem investimento contínuo?
  • Onde estão os centros de formação esportiva?
  • Quais bairros possuem projetos esportivos permanentes?
  • Quais metas públicas foram estabelecidas para o setor?
  • Onde a população pode acompanhar os indicadores de resultado da secretaria?

Outro ponto que chama atenção é o orçamento.

A própria LOA 2026 prevê cerca de R$ 11,7 milhões para a Secretaria de Esportes e Lazer. Desse total, aproximadamente R$ 7 milhões têm origem em operação de crédito, ou seja, recursos provenientes de endividamento público.

Quando parte significativa do investimento vem de dívida pública, a cobrança por resultado deixa de ser apenas política. Passa a ser administrativa e institucional.

Além disso, o estádio municipal continua sem conclusão definitiva, enquanto a cidade ainda carece de projetos esportivos permanentes capazes de integrar esporte, educação, inclusão social e formação de jovens.

Agora, com a criação da FITEL, a prefeitura amplia a autonomia administrativa da área esportiva.

E justamente por isso a cobrança por transparência também precisa aumentar.

Porque autonomia sem controle pode gerar dúvidas.
Autonomia sem metas públicas pode virar apenas expansão administrativa.
E autonomia sem resultados concretos perde legitimidade diante da população.

Fundação pública não é problema por si só. Em muitos municípios ela funciona como instrumento eficiente de gestão.

Mas sua eficácia depende de algo essencial:
transparência, planejamento e prestação pública de resultados.

A cidade agora espera saber:

  • como os recursos serão aplicados,
  • quais projetos serão executados,
  • quais critérios serão utilizados,
  • quais mecanismos de fiscalização existirão,
  • e quais metas reais serão entregues ao esporte de Itabuna.

Porque no fim, o debate não é sobre discurso institucional.

É sobre resultado.

Dinheiro público não pode financiar apenas estrutura.
Precisa produzir transformação visível para quem vive a cidade todos os dias.

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