Caso reacende debate sobre demora na ortopedia e impacto social enfrentado por famílias que dependem de cuidadores únicos
Uma denúncia recebida nesta semana chama atenção para mais um caso envolvendo a fila da ortopedia do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna.
Segundo relato enviado à reportagem, a paciente Jucilene Almeida dos Santos estaria internada há 25 dias aguardando uma cirurgia após fraturar a perna.
Mas o caso ganha um peso ainda maior por um detalhe delicado: ela é mãe e principal responsável pelos cuidados de um filho autista.
De acordo com a denúncia, a família enfrenta dificuldades porque não existe outra pessoa capaz de oferecer o acompanhamento necessário à criança durante o período de internação da mãe.
No áudio encaminhado, o relato descreve o desgaste físico e emocional provocado pela longa espera e pela preocupação constante com o filho.
A situação expõe um problema que vai além da estrutura hospitalar.
Porque quando um paciente permanece semanas aguardando cirurgia, o impacto não fica apenas dentro do hospital.
Ele alcança toda a família.
E em casos como esse, atinge diretamente uma criança que depende da mãe para sua rotina, estabilidade e cuidados diários.
O caso também levanta um questionamento importante:
Existe algum protocolo de prioridade social para pacientes que são cuidadores únicos de crianças com deficiência, idosos ou pessoas dependentes?
Porque não estamos falando apenas de uma fila ortopédica.
Estamos falando sobre o efeito que a demora no atendimento causa na vida de famílias inteiras.
A direção do Hospital de Base e a Secretaria Municipal de Saúde precisam esclarecer:
• qual o tempo médio atual de espera para cirurgias ortopédicas,
• quantos pacientes aguardam procedimento,
• e se há algum fluxo prioritário para pacientes em situação de vulnerabilidade social e familiar.
Fila hospitalar não é apenas número.
Atrás de cada paciente existe uma história.
E, muitas vezes, uma família inteira aguardando junto.


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