A Prefeitura de Itabuna inaugurou nesta semana o Centro TEA, espaço especializado voltado ao atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
O equipamento foi apresentado pela gestão municipal como um avanço na política de inclusão, com estrutura moderna, consultórios e proposta de atendimento multiprofissional.
E é importante reconhecer: a criação de um espaço especializado para famílias atípicas era uma demanda antiga da cidade.
O problema é que, para muitas mães de autistas em Itabuna, a principal preocupação não é mais a inauguração.
É a continuidade.
Nos últimos anos, famílias vêm relatando dificuldades para conseguir terapias, demora em atendimentos especializados, falta de profissionais, interrupções de acompanhamento e sobrecarga emocional causada pela ausência de suporte permanente.
Por isso, a discussão agora precisa ir além do vídeo de entrega e da cerimônia de inauguração.
A pergunta passa a ser outra:
O município terá estrutura para manter o serviço funcionando de forma eficiente e contínua?
Porque inclusão não se mede apenas pela entrega de um prédio.
Se mede pela capacidade de atender com qualidade ao longo do tempo.
A população tem o direito de saber:
- quantas crianças serão atendidas;
- qual será a capacidade mensal do centro;
- quantos profissionais atuarão diariamente;
- como funcionará a regulação;
- qual o tempo médio de espera;
- se haverá atendimento contínuo ou limitado.
Outro ponto que também chama atenção é a forte presença política na divulgação institucional da entrega do espaço.
Em períodos pré-eleitorais, inaugurações com forte apelo emocional inevitavelmente ampliam o debate sobre os limites entre ação institucional e construção de imagem pública.
E isso acontece porque políticas públicas importantes também geram capital político.
Mas, acima de qualquer disputa política, existe uma realidade que não pode ser ignorada:
Famílias atípicas não precisam apenas de inaugurações.
Precisam de atendimento funcionando todos os dias.
O Centro TEA pode representar um avanço importante para Itabuna.
Agora cabe à população acompanhar se a estrutura anunciada no vídeo será transformada, de fato, em assistência permanente para quem mais precisa.


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