A situação da mãe de uma criança autista que aguardou por 25 dias uma cirurgia ortopédica no Hospital de Base de Itabuna ganhou um novo capítulo ainda mais delicado.
Segundo relatos enviados à reportagem, a mulher sofreu o acidente após cair em uma rua do bairro Vale do Sol, onde moradores denunciam há anos dificuldades de acessibilidade e precariedade na infraestrutura para pedestres.
A cirurgia finalmente foi realizada.
Mas agora a família enfrenta outra dificuldade:
a paciente não poderá retornar para sua própria casa durante a recuperação.
Por conta das limitações de locomoção após o procedimento e das condições da rua onde mora, a alternativa encontrada foi ficar temporariamente na casa de familiares.
A residência possui apenas dois cômodos e não oferece estrutura adequada para acomodar a mãe em recuperação e o filho autista, que depende diretamente dos cuidados dela.
O caso chama atenção porque expõe um abandono que vai muito além da saúde pública.
Quando falta infraestrutura nas ruas, o reflexo chega aos hospitais.
E quando não existe suporte social, o sofrimento continua mesmo depois da cirurgia.
Enquanto isso, famílias inteiras seguem tentando sobreviver entre ruas sem acessibilidade, demora no atendimento e ausência de apoio básico para atravessar momentos de vulnerabilidade.
No meio de tudo isso, permanece uma pergunta:
Até quando mães atípicas continuarão enfrentando sozinhas o peso do abandono público?


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