Cidade possui orçamento milionário para o esporte, mas contratação feita pela empresa de saneamento levanta debate sobre prioridade e critério.
A EMASA ratificou uma inexigibilidade de licitação de R$ 495 mil para a Liga Itabunense de Futebol, destinada ao patrocínio do Campeonato Baiano de Futebol Amador e da Copa Cacau.
O apoio ao esporte possui relevância social e movimenta dezenas de equipes, bairros e projetos esportivos em Itabuna. O debate, porém, ganhou outro peso após a divulgação dos números do próprio orçamento municipal.
A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 prevê R$ 11.777.400,00 para a Secretaria de Esporte e Lazer de Itabuna.
Desse total, cerca de R$ 7 milhões são provenientes de operações de crédito, ou seja, recursos obtidos através de endividamento público.
Diante desse cenário, o questionamento que surge é:
se já existe uma secretaria com orçamento próprio milionário para fomentar o esporte, por qual motivo uma empresa municipal de saneamento precisou assumir uma contratação de quase meio milhão de reais para patrocínio esportivo?
A discussão aumenta porque o próprio Plano Municipal de Saneamento aponta que menos de 1/3 do esgoto coletado em Itabuna recebe tratamento adequado.
Enquanto isso, moradores seguem convivendo com problemas históricos relacionados a esgoto, canais, drenagem e abastecimento em diversos bairros.
Outro ponto que chama atenção é o modelo da contratação.
O investimento foi realizado por inexigibilidade de licitação, mecanismo previsto para situações de inviabilidade de competição, o que também abre espaço para debate técnico sobre a aplicação desse modelo em patrocínio institucional esportivo.
O questionamento não é contra o futebol.
É sobre prioridade, transparência e coerência administrativa.
Porque dinheiro público não é apenas investimento.
É escolha.
E toda escolha revela onde a gestão decidiu colocar suas prioridades.


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