FICC: A CULTURA ESPERA. O PALCO NÃO.

Enquanto milhões circulam nas festas, a principal referência cultural de Itabuna passou anos entre anúncios, abandono e promessas repetidas.

A imagem da sede da FICC deteriorada virou mais que um problema estrutural. Virou um retrato das prioridades da gestão pública em Itabuna.

Durante anos, a população assistiu sucessivos anúncios sobre a reforma:
promessa de recuperação, homologação de licitação, ordem de serviço, nova licitação após desistência da empresa e mais discursos sobre “requalificação” e “ampliação”.

Enquanto isso, o prédio continuava fechado, deteriorado e servindo como símbolo silencioso do abandono cultural da cidade.

E a comparação é inevitável.

Porque o palco do Itapedro sobe rápido.

Em poucas semanas, estruturas milionárias aparecem, grandes atrações são anunciadas, publicidade toma conta das redes e a máquina pública funciona com velocidade impressionante.

Já a principal casa da cultura da cidade passou anos esperando definições básicas.

Isso revela um problema maior:
Itabuna parece ter desenvolvido uma política forte para eventos, mas ainda frágil para cultura permanente.

E existe diferença.

Evento gera impacto imediato.
Política cultural gera legado.

Uma cidade culturalmente forte não vive apenas de festa. Vive também de espaços culturais preservados, incentivo contínuo aos artistas locais, oficinas, formação cultural, memória histórica e acesso da periferia à cultura.

A própria situação da FICC expõe essa contradição.

O prédio já havia sido reformado anos atrás. Mesmo assim, voltou a apresentar deterioração severa, sem que houvesse manutenção contínua capaz de preservar um patrimônio histórico e simbólico para o município.

O problema não é o Itapedro existir.
A população gosta da festa.
O comércio movimenta.
A cidade ganha visibilidade.

Mas a pergunta continua necessária:

como uma gestão consegue mobilizar milhões rapidamente para eventos temporários, mas leva anos para recuperar sua principal estrutura cultural fixa?

Porque no fim, festa passa.

Mas o abandono da cultura deixa marcas permanentes na identidade de uma cidade.

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