Internados apenas para manter vaga no Sisnefro, doentes relatam superlotação, risco de infecção e atrasos no tratamento
Pacientes internados no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães relatam uma situação que classificam como desumana: pessoas clinicamente estáveis permanecem hospitalizadas por meses apenas para não perder a vaga no Sisnefro, enquanto aguardam transferência para tratamento ambulatorial no Hospital São Lucas.
Segundo os relatos recebidos, uma nova sala para hemodiálise já estaria pronta, com máquinas instaladas, porém a liberação das vagas dependeria da chegada de poltronas específicas para o funcionamento do espaço. A promessa de que os equipamentos estariam “chegando na próxima semana” se repete há mais de um mês.
Há pacientes internados há três, quatro, cinco e até nove meses aguardando essa definição. Alguns afirmam não utilizar medicação e estarem em boas condições clínicas, permanecendo internados apenas para não perder a posição na fila do Sisnefro.
A denúncia também aponta superlotação no setor de hemodiálise do Hospital de Base. Com apenas duas máquinas disponíveis, pacientes estariam ficando até quatro ou cinco dias sem realizar o procedimento, o que contraria protocolos clínicos básicos para quem depende da terapia renal substitutiva.
Além do impacto emocional, há o risco sanitário. Pacientes considerados estáveis dividem espaço com pessoas em estado mais grave, aumentando o medo de contaminação por infecções hospitalares. A situação afeta também acompanhantes, que relatam adoecimento físico e psicológico diante da espera indefinida.
Os denunciantes cobram esclarecimentos públicos da Prefeitura de Itabuna e questionam o motivo do atraso na entrega das poltronas que permitiriam a alta hospitalar e a continuidade do tratamento fora do ambiente de internação.
A gestão municipal ainda não se pronunciou oficialmente sobre o prazo para funcionamento da nova sala nem apresentou cronograma detalhado de aquisição e instalação dos equipamentos.
Enquanto isso, pacientes seguem internados, aguardando não apenas uma vaga, mas uma resposta concreta.


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