Prefeito se coloca como articulador da oposição e expõe confusão entre os Poderes

Declaração feita em prestação de contas oficial levanta questionamentos sobre autonomia do Legislativo em Itabuna

Durante a prestação de contas do Carnaval antecipado de Itabuna, transmitida ao vivo pela Câmara de Vereadores, o prefeito fez declarações que chamaram atenção pela forma como tratou a composição da oposição no município.

Ao comentar sua base política, afirmou governar com apoio de 13 partidos, declarou que “o cobertor é curto” e disse que “quem estiver comigo, eu não largo a mão”. Em seguida, relatou ter dito a um vereador que gostaria de vê-lo na oposição e afirmou ter sugerido a inclusão de outros parlamentares nesse campo.

A fala foi registrada em ambiente institucional e não se trata de interpretação. Trata se de declaração literal feita em sessão oficial.

O ponto que merece reflexão pública é simples. A oposição não é estruturada pelo Executivo. Ela decorre da autonomia do mandato parlamentar e da independência entre os Poderes. Quando o chefe do Executivo se apresenta como agente ativo na definição de quem deve compor o contraditório, surge uma confusão institucional relevante.

Oposição não é concessão, nem arranjo estratégico. É instrumento de fiscalização, controle e equilíbrio democrático.

A pergunta que fica é objetiva. Em um regime de separação de Poderes, cabe ao prefeito influenciar quem ocupa a oposição, ou essa decisão pertence exclusivamente ao vereador e ao eleitor que o elegeu?

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *