Quando o social vira propaganda: Exposição institucional intensa levanta debate sobre foco da gestão e prioridade da assistência social

A divulgação do chamado “Acesso Solidário” ganhou espaço relevante nas redes e na imprensa local. O que chama atenção não é apenas a ação em si, mas o volume e a sequência de aparições públicas relacionadas ao tema.

Primeiro, o presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, Aldo Rebouças, concedeu entrevistas associando o Carnaval à responsabilidade social. Depois, a primeira-dama Andrea Castro passou a protagonizar matérias institucionais sobre a iniciativa. Na sequência, a servidora Suse Mayre Martins Moreira Azevedo apareceu em vídeo oficial reforçando o pedido de doações.

Os fatos são públicos e verificáveis. A pergunta que surge é administrativa, não pessoal: por que a comunicação ocupa tanto espaço enquanto dados sobre execução orçamentária, metas da Secretaria de Promoção Social e resultados permanentes da política assistencial não recebem a mesma visibilidade?

Assistência social é política pública contínua, prevista em orçamento e submetida a controle e prestação de contas. Ações pontuais podem complementar, mas não substituir planejamento estruturado.

Quando o marketing institucional passa a ser mais visível do que números, relatórios e indicadores, o debate deixa de ser sobre solidariedade e passa a ser sobre prioridade. Transparência não é discurso, é dado concreto. E política pública se mede por execução, não por exposição.

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