O problema não é apoiar prefeito. O problema é esquecer quem colocou o vereador lá.
Em muitas cidades, a população ainda confunde independência com briga política.
Mas vereador não foi eleito para ser inimigo do prefeito.
Também não foi eleito para ser defesa permanente da gestão.
Foi eleito para representar o povo.
E isso inclui cobrar, fiscalizar, questionar gastos, acompanhar contratos e denunciar falhas quando elas existem.
O problema começa quando parte do Legislativo abandona esse papel para viver apenas de aplausos, inaugurações, eventos e alianças políticas.
Porque cidade nenhuma melhora sem fiscalização.
O vereador que realmente trabalha costuma incomodar.
Incomoda porque visita bairros esquecidos.
Porque leva problemas para a tribuna.
Porque cobra respostas.
Porque denuncia abandono.
Porque exige transparência.
E talvez seja exatamente por isso que tanta coisa continue acontecendo sem a pressão necessária.
Enquanto a população reclama de buracos espalhados pela cidade, a cobrança da água aumenta.
Enquanto escolas ainda enfrentam problemas estruturais, milhões são investidos em festas e propaganda.
Enquanto equipamentos esportivos aguardam manutenção, estruturas públicas seguem deterioradas.
Enquanto a reforma da FICC atravessa anos de anúncios e promessas, contratos e gastos administrativos continuam avançando com rapidez.
E isso não significa ser contra festa, cultura ou eventos populares.
O problema é o desequilíbrio das prioridades.
Porque a população começa a perceber que existe velocidade para o que gera palco, imagem e marketing político.
Mas lentidão para o que realmente impacta a vida diária de quem depende do serviço público.
E é exatamente nesse ponto que a atuação do vereador se torna fundamental.
Nem todo vereador governista é omisso. Assim como nem toda oposição trabalha de verdade.
Mas existe uma diferença muito clara entre apoiar projetos importantes para a cidade e abrir mão completamente da independência política.
Quando o vereador passa a defender tudo sem questionar nada, a população perde sua principal ferramenta de cobrança.
E o eleitor precisa refletir sobre isso.
Muitos reclamam da saúde, da infraestrutura, das obras paradas e dos serviços precários. Mas esquecem que também elegeram vereadores justamente para fiscalizar o uso do dinheiro público e cobrar resultados da prefeitura.
Prefeito sem fiscalização confortável demais raramente entrega o melhor para a cidade.
Porque poder sem vigilância tende ao comodismo.
Cidade sem vereador independente vira território confortável para gestão.
E quando o poder deixa de ser vigiado, quem paga a conta é sempre a população.


Deixe um comentário