Mãe relata que filho autista poderá ficar sem frequentar a escola após monitor informar que não continuará trabalhando enquanto aguarda pagamento.
Quatro meses após um vídeo gravado por uma mãe atípica de Itabuna ganhar repercussão nacional ao denunciar dificuldades enfrentadas por crianças autistas na rede municipal de ensino, uma nova reclamação volta a colocar a inclusão escolar no centro do debate.
Desta vez, uma mãe utilizou as redes sociais para relatar que seu filho autista poderá ficar sem frequentar a escola porque o monitor responsável pelo seu acompanhamento informou que não continuará trabalhando enquanto aguarda o pagamento dos valores que estariam em atraso.
No vídeo, a mãe demonstra indignação e afirma que a situação não seria isolada.
“Quem é que quer trabalhar de graça?”, questiona.
Segundo ela, outros monitores também estariam enfrentando dificuldades semelhantes, o que estaria comprometendo o acompanhamento de alunos que dependem desse suporte para permanecer em sala de aula.
A denúncia chama atenção porque atinge diretamente um dos pilares da educação inclusiva: o acompanhamento especializado que garante a participação e permanência de estudantes com deficiência no ambiente escolar.
Quando um monitor deixa de atuar, o impacto vai muito além da ausência de um profissional. Em muitos casos, significa interromper a rotina de uma criança que necessita de apoio individualizado para exercer um direito garantido por lei.
De acordo com informações divulgadas pelo Sindicato do Magistério Municipal Público de Itabuna (SIMPI), houve contato com o setor financeiro da Secretaria Municipal de Educação, que informou que o pagamento ao CIEE teria sido realizado nesta terça-feira (16), com previsão de repasse aos monitores nos próximos dias.
Ainda assim, a situação levanta questionamentos sobre a regularidade de um serviço considerado essencial para centenas de famílias.
Problema já havia gerado repercussão nacional
A nova reclamação surge poucos meses após outro episódio envolvendo uma mãe atípica de Itabuna mobilizar as redes sociais e alcançar repercussão em todo o país.
Em fevereiro deste ano, uma mãe denunciou que seu filho autista não conseguia frequentar a escola em razão da insuficiência de profissionais para garantir o acompanhamento necessário.
Na época, o relato emocionou milhares de pessoas ao expor a realidade enfrentada por muitas famílias.
“Meu filho pergunta: ‘Mamãe, por que todo mundo pode ir para a escola e eu não posso?’”
A repercussão do caso gerou forte comoção e colocou em evidência os desafios da inclusão escolar no município.
Agora, apenas quatro meses depois, uma nova denúncia volta a atingir justamente o atendimento destinado aos alunos que necessitam de acompanhamento especializado.
Embora os motivos sejam diferentes, os dois episódios possuem um ponto em comum: ambos resultam em obstáculos para que crianças autistas tenham acesso pleno à educação.
Entre avanços anunciados e dificuldades relatadas
Recentemente, a Prefeitura de Itabuna inaugurou o Espaço TEA/TDI, equipamento voltado ao atendimento especializado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista e Transtorno do Desenvolvimento Intelectual na área da saúde.
A iniciativa foi apresentada como um importante avanço para as famílias atípicas do município.
No entanto, a nova denúncia demonstra que os desafios relacionados à inclusão não se limitam ao atendimento clínico e terapêutico.
Para muitas famílias, a inclusão começa na escola.
Ela depende da presença de profissionais capacitados, da continuidade dos serviços e da garantia de que as crianças possam frequentar as aulas sem interrupções causadas por problemas administrativos.
A pergunta que permanece
Passados quatro meses da denúncia que repercutiu nacionalmente, a nova reclamação reforça a percepção de que os desafios da inclusão escolar em Itabuna ainda estão longe de serem superados.
Enquanto a administração municipal anuncia avanços e investimentos em políticas voltadas ao público autista, famílias continuam relatando dificuldades relacionadas justamente ao acesso e à permanência dessas crianças na escola.
A pergunta que fica é simples: o que está sendo feito para garantir que situações como essas deixem de se repetir e que crianças autistas tenham, na prática, o atendimento e a inclusão que lhes são assegurados por lei?


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