Sessão vira palanque e emendas somem do debate

Discurso contra a “oposição” contrasta com ausência de fiscalização sobre mais de R$ 76 milhões já destinados ao município

A sessão itinerante realizada na Vila de Itamaracá, que deveria priorizar demandas da comunidade, acabou marcada por declarações políticas do presidente da Câmara. Em determinado momento, ele afirmou que iria “ensinar a oposição a fazer política” e sugeriu que buscassem emendas com seus deputados.

A fala chama atenção por dois motivos.

Primeiro, porque não existe bloco formal de oposição dentro da Câmara. O termo tem sido usado para se referir a cidadãos, comunicadores e lideranças que exercem o direito constitucional de fiscalizar e questionar atos do poder público.

Segundo, porque o debate sobre emendas ignora um dado objetivo: segundo o Tesouro Nacional, Itabuna recebeu mais de R$ 76 milhões em emendas parlamentares entre 2021 e 2025.

A questão que a população precisa responder não é quem “traz emenda”, mas como esses recursos foram aplicados.

Quais obras foram concluídas?

Quais contratos foram acompanhados pelo Legislativo?

Onde estão os relatórios públicos detalhando a execução desses valores?

A Câmara tem o dever constitucional de fiscalizar a aplicação de recursos públicos. Quando o foco da sessão se desloca para ataques à chamada “oposição”, o debate essencial fica de lado.

A cidade não precisa de discursos sobre quem é contra ou a favor.

Precisa de transparência, prestação de contas e fiscalização efetiva

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