Autor: Marcos Pastor

  • Antes de aplaudir, cabe ao eleitor perguntar: qual é a função?

    Primeira-dama participa de reunião administrativa e publicação gera debate sobre limites institucionais e uso do espaço público

    Uma publicação divulgada nas redes sociais mostrou a primeira-dama do município, também pré-candidata a deputada estadual, participando de reunião de “alinhamento” do Carnaval antecipado ao lado do prefeito e secretários.

    A repercussão foi imediata. Parte da população aplaudiu. Outra parte questionou. E é justamente aí que começa o debate necessário.

    No ordenamento jurídico brasileiro, a figura da primeira-dama não possui atribuição legal, administrativa ou orçamentária formal. Não se trata de cargo público previsto em lei. Assim, a presença em reuniões administrativas só possui natureza institucional se houver designação formal, ato publicado ou vínculo funcional devidamente registrado.

    O ponto central não é acusar ilegalidade. É discutir limites. Reuniões, agendas institucionais e planejamento de eventos são custeados com recursos públicos. Quando essas agendas passam a ser divulgadas como capital político, especialmente em cenário pré-eleitoral, surge um questionamento legítimo sobre a separação entre gestão pública e promoção pessoal.

    Democracia exige mais do que aplauso. Exige pergunta. E o eleitor não é espectador passivo. Projetos políticos, inclusive os familiares, só se consolidam porque recebem votos, silêncio ou concordância.

    Questionar não é atacar. É exercer cidadania.

  • O Entre Nós não ficou no microfone. Virou referência pra quem quer cobra na justiça.

    O Entre Nós não ficou no microfone. Virou referência pra quem quer cobra na justiça.

    Informação responsável virou referência para quem decide cobrar na Justiça

    O Entre Nós, idealizado e conduzido por Charliane Sousa, ultrapassou o formato de debate político e passou a ocupar um espaço mais profundo na vida pública de Itabuna. O projeto deixou de ser apenas um programa de análise para se tornar fonte organizada de fatos, documentos e registros públicos que vêm sendo utilizados por cidadãos e profissionais do direito como base para questionamentos formais.

    Sem exercer mandato, Charliane assumiu um papel contínuo de fiscalização, traduzindo contratos, decisões administrativas, votações legislativas e atos oficiais para a linguagem acessível da população. O diferencial sempre foi o método. Nenhuma acusação gratuita, nenhuma afirmação sem lastro documental. Apenas leitura técnica de fatos verificáveis.

    Ao abordar reajustes tarifários, contratos públicos, decisões da Câmara, gestão cultural e problemas na saúde e na educação, o conteúdo produzido organizou informações que já estavam nos registros oficiais, mas que raramente eram explicadas ao cidadão comum.

    O resultado foi natural. Quando a informação é clara e fundamentada, ela deixa de ser apenas opinião. Passa a servir como referência para quem decide formalizar representações, pedir providências ou recorrer ao Judiciário.

    O Entre Nós não acusa nem condena. Expõe fatos públicos e levanta perguntas legítimas. Em uma cidade onde muitas decisões passam despercebidas, organizar a informação também é um ato de responsabilidade.

    Se a notícia virou instrumento de cobrança, a consequência não veio do microfone. Veio dos próprios fatos.

  • Novo reajuste da EMASA chama atenção pela frequência e falta de contrapartidas visíveis

    Aumento de 7,5% ocorre em menos de um ano do anterior e reacende debate sobre qualidade dos serviços e transparência nos investimentos

    A Prefeitura de Itabuna publicou o Decreto nº 16.656, autorizando a EMASA a aplicar um reajuste de 7,5% na tarifa de água e esgoto. O aumento entra em vigor 30 dias após a publicação e foi justificado pela elevação de custos operacionais, como energia elétrica, contratos e despesas com pessoal, além da necessidade de investimentos para universalização do saneamento.

    O que chama atenção é a frequência. O novo reajuste ocorre em menos de um ano do anterior, em um cenário de inflação acumulada, perda de poder de compra e pressão sobre o orçamento das famílias.

    A legislação federal permite revisão tarifária para recompor equilíbrio econômico-financeiro. A questão que permanece é outra: quais melhorias concretas foram percebidas pela população entre um aumento e outro? Persistem relatos de falhas no abastecimento, esgotamento sanitário incompleto e dúvidas sobre a execução efetiva dos investimentos anunciados.

    A pergunta é objetiva e legítima: o reajuste acompanha um salto real na qualidade do serviço ou apenas recompõe custos internos? Transparência e prestação de contas são essenciais quando o impacto recai diretamente sobre o bolso do cidadão.

  • Sessão atrasada, votação relâmpago e pressa para reajustar salários em Itabuna

    Projeto do Executivo é aprovado em dois turnos consecutivos, ambos com menos de um minuto de tramitação em plenário

    A sessão da Câmara de Itabuna marcada para as 14h começou por volta das 16h, conforme registro público divulgado e transmissão oficial da própria Casa. O atraso, que já se tornou recorrente, foi seguido por uma sequência incomum de agilidade.

    Na mesma tarde, foram realizadas duas sessões consecutivas, uma ordinária e outra extraordinária, para votar o Anteprojeto de Lei nº 048/2025, de autoria do Executivo municipal. A matéria trata da revisão geral anual dos vencimentos, alcançando servidores, cargos comissionados, conselheiros tutelares e agentes políticos, além da extensão do auxílio-alimentação.

    O que chama atenção é o tempo de tramitação. Pelas gravações oficiais, a leitura, encaminhamento e votação da primeira discussão ocorreram em menos de um minuto. A segunda discussão repetiu o mesmo padrão, com aprovação por maioria simples e sem registro de debate em plenário.

    A condução foi feita pelo presidente da Casa, Manoel Porfírio, e o projeto segue para sanção do prefeito Augusto Castro.

    A questão que permanece é objetiva: temas que impactam diretamente os próprios agentes políticos devem tramitar em velocidade excepcional, enquanto outras pautas aguardam semanas por deliberação?

    A população assistiu ao atraso. E também ao recorde de aprovação.

  • Celebra Itabuna expõe improviso oficial e levanta questionamentos sobre prioridades

    Evento organizado pela FICC gera críticas públicas por estrutura reduzida e comparação com outros investimentos municipais

    O Celebra Itabuna 2025, promovido pela Fundação Itabunense, foi realizado em formato de trio elétrico, sem palco convencional ou estrutura cenográfica semelhante à adotada em outros grandes eventos do calendário municipal.

    Imagens amplamente compartilhadas nas redes sociais mostram o artista se apresentando sobre o trio, com cobertura simples e estrutura enxuta. A repercussão negativa não partiu de setores políticos, mas de integrantes da própria comunidade cristã, que relataram frustração quanto ao formato escolhido.

    A organização do evento é responsabilidade administrativa da FICC, presidida por Aldo Rebouças , órgão vinculado à gestão do prefeito Augusto Castro. Até o momento, não há divulgação detalhada de contratos, empenhos ou justificativas técnicas que expliquem o modelo estrutural adotado.

    O contraste com outros eventos municipais, como o Itapedro, que tradicionalmente contam com palco, iluminação e estrutura robusta, intensificou as críticas e levantou questionamentos sobre critérios de investimento.

    A pergunta que permanece é objetiva: houve limitação orçamentária específica para o Celebra ou escolha administrativa deliberada pelo formato reduzido? A transparência dos custos e das decisões pode encerrar o debate.

    Enquanto isso, o silêncio institucional amplia a percepção de improviso.

  • Fundação Marimbeta: mérito social não dispensa transparência na gestão dos recursos públicos

    Instituição histórica de Itabuna movimenta cifras expressivas e levanta debate sobre critérios, impessoalidade e governança

    A Fundação Marimbeta é reconhecida em Itabuna por sua atuação na formação social, educacional e cultural de crianças e adolescentes. Trata-se de uma instituição com trajetória consolidada e finalidade pública relevante.

    Nos últimos anos, no entanto, o volume de recursos públicos movimentados pela Fundação passou a despertar questionamentos legítimos. Dados disponíveis no Portal da Transparência indicam contratações que envolvem empresa recentemente constituída, objeto social amplo e estrutura jurídica simplificada, pontos que, isoladamente, não configuram irregularidade, mas que em conjunto exigem maior rigor técnico e transparência ativa.

    Há ainda um aspecto institucional que merece reflexão. O presidente da Câmara é responsável pela indicação da presidência da Fundação, ao mesmo tempo em que empresa que presta serviços jurídicos ao gabinete da Presidência também atua junto à Fundação. A configuração, embora não implique ilegalidade automática, suscita discussão sobre conflito de interesses e impessoalidade administrativa.

    A Constituição Federal, em seu artigo 37, estabelece como pilares da Administração Pública a legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Quando recursos públicos são elevados, cresce também a necessidade de clareza sobre critérios de contratação e compatibilidade entre valores e serviços prestados.

    As informações mencionadas têm origem em dados públicos e não substituem auditorias ou investigações formais, mas integram o exercício legítimo do controle social.

    O mérito social da Fundação é inegável. A pergunta que se impõe é outra: a gestão está estruturada com o nível de transparência que o interesse público exige?

  • MP-BA recomenda que Emasa não prorrogue contrato após apontar indícios de irregularidades

    Promotoria identifica possível sobrepreço, excesso de aditivos e falhas no planejamento contratual

    O Ministério Público do Estado da Bahia recomendou que a Empresa Municipal de Águas e Saneamento S.A., Emasa, não prorrogue o contrato nº 30/2021 firmado com a empresa Metro Engenharia e Consultoria Ltda.

    A recomendação é resultado de análise técnica da Central de Apoio Técnico do próprio MP-BA, que apontou indícios de sobrepreço global, excesso de termos aditivos, falhas no planejamento e possível terceirização de atividade considerada essencial ao serviço público de saneamento.

    Segundo o parecer técnico mencionado na recomendação, a diferença entre os valores contratados e os praticados no mercado pode ultrapassar R$ 1,3 milhão. O Ministério Público também orientou que futuras licitações observem rigorosamente os parâmetros da Lei nº 14.133/2021, especialmente quanto ao estudo técnico preliminar e à formação de preços.

    Em nota pública, a Emasa informou que prestou esclarecimentos, que o contrato se encerra no próximo mês e que não haverá aditivo ou renovação. A empresa declarou ainda que está colaborando com os órgãos de controle.

    A recomendação não é punição automática, mas levanta questionamentos relevantes: houve falha técnica, erro administrativo ou dano efetivo aos cofres públicos? Caberá à continuidade das apurações responder.

    O caso segue sob acompanhamento do Ministério Público.

  • Salários de cerca de R$ 17 mil e férias remuneradas: o que está em debate na Câmara

    Reajuste avança com análise técnica e sem amplo debate público sobre o impacto financeiro

    Vereadores do município recebem atualmente subsídios em torno de R$ 17 mil mensais, além de contarem com férias remuneradas, recesso parlamentar e estrutura de gabinete custeada com recursos públicos.

    Em meio à tramitação de proposta de revisão geral anual, o tema voltou ao centro do debate. A análise realizada nas comissões técnicas concentrou-se na legalidade e constitucionalidade da matéria, conforme registros oficiais, sem aprofundamento público sobre os reflexos financeiros para o Legislativo.

    Considerando índices inflacionários médios, a recomposição pode elevar o valor mensal para patamar superior a R$ 18 mil. Trata-se de atualização prevista em lei quando há revisão geral dos vencimentos, observados os limites constitucionais.

    A questão que permanece é política, não jurídica: qual o impacto dessa atualização no orçamento municipal? E, diante da realidade econômica da população, há espaço para discutir prioridades?

    O reajuste pode ser legal. Mas a transparência e o debate público são escolhas institucionais.

  • Sete minutos que expuseram um vazio político na Câmara de Itabuna

    Líder do governo entrega o cargo em plenário e sessão é encerrada sem deliberações

    A sessão ordinária da Câmara Municipal de Itabuna realizada em 16 de dezembro de 2025 teve duração de pouco mais de 7 minutos. O registro oficial do vídeo indica 7 minutos e 20 segundos entre a abertura e o encerramento.

    Aberta às 15h13, a sessão foi interrompida após pronunciamento do vereador Ronaldão, do Republicanos, que anunciou em plenário a entrega da liderança do governo na Casa. Em sua fala, pediu desculpas aos colegas, à imprensa e aos eleitores, afirmou não estar conseguindo “agregar” nem “avançar” e declarou não haver condição de continuar na função.

    Logo após o anúncio, os trabalhos foram encerrados, sem votação de matérias, debates adicionais ou comunicação formal sobre substituição na liderança governista.

    A liderança do governo é função estratégica no Legislativo, responsável pela articulação entre Executivo e base parlamentar. A saída ocorre no encerramento do período legislativo e levanta questionamentos objetivos: quem assume a função? Como ficará a condução da base governista? Houve comunicado oficial do Executivo sobre a mudança?

    Até o momento da publicação, não há nota pública esclarecendo os próximos passos. O episódio é público, registrado em vídeo institucional e integra os anais da Casa.

  • Professora concursada morre após denunciar demissão e cobrar respeito às leis em Itabuna

    Educadora citou legislação municipal, pediu fiscalização do Legislativo e aguardava convocação após novo concurso.

    Faleceu na manhã desta terça-feira a professora Clélia Eugênia de Sousa Lima, educadora concursada do município de Itabuna. Segundo informações de familiares, a causa da morte foi infarto. O falecimento ocorre em um contexto de forte repercussão pública, após a circulação de vídeos gravados por ela própria denunciando o que classificava como demissão ilegal.

    Nos registros, Clélia afirmava possuir dois vínculos de 20 horas e sustentava ter direitos adquiridos com base na Lei Municipal nº 2.442/2019 e na Emenda Constitucional nº 103/2019. Defendia que sua exoneração não teria observado essas normas e cobrava análise jurídica individualizada do caso.

    Imagens que circularam nas redes mostram a professora trabalhando como diarista na lavoura, colhendo cacau e retirando baronesas, após deixar a sala de aula. Em seus apelos, dirigiu-se ao prefeito e aos vereadores, pedindo que o Legislativo exercesse sua função de fiscalização.

    Nota oficial do sindicato da categoria confirmou que Clélia participou da mobilização contra demissões consideradas ilegais e que, mesmo após o desligamento, realizou novo concurso e aguardava convocação.

    Até o momento, não há posicionamento público detalhado da Prefeitura sobre o caso específico. Permanecem perguntas objetivas: os critérios adotados observaram integralmente a legislação vigente. Houve análise individual da situação funcional. O Legislativo acompanhou formalmente os desligamentos.

    A morte da professora encerra sua voz, mas não encerra o debate sobre legalidade, segurança jurídica e respeito ao servidor público.