Autor: Marcos Pastor

  • Hospital sobrecarregado, equipe no limite: a crise é de estrutura, não de quem está na linha de frente

    Hospital sobrecarregado, equipe no limite: a crise é de estrutura, não de quem está na linha de frente

    Profissionais seguem atendendo com dignidade, mesmo diante da falta de leitos e da pressão de uma demanda que cresce sem resposta proporcional da gestão.

    O que está acontecendo no Hospital Manoel Novaes precisa ser interpretado com responsabilidade.

    Não é um colapso causado por falha da equipe. É um colapso causado por limite de estrutura.

    A própria coordenação de enfermagem foi clara: mais de 20 crianças internadas por crises respiratórias, aumento sazonal já esperado, leitos insuficientes e pacientes sendo mantidos no pronto-socorro. Soma-se a isso gestantes internadas e uma unidade que atende mais de 120 municípios.

    Isso não é um problema pontual. É um sistema pressionado além do que foi dimensionado.

    Mesmo assim, os relatos mostram algo que não pode ser ignorado: o atendimento continua sendo feito. Com esforço. Com improviso. Com desgaste.

    A classificação de risco do Ministério da Saúde está sendo aplicada. A orientação para casos leves buscarem unidades básicas faz sentido técnico. Mas isso escancara outra falha: a rede não está equilibrada.

    Quando o hospital vira a primeira opção até para casos leves, é sinal de que a base não está funcionando como deveria.

    E aqui entra o ponto que precisa ser dito sem rodeio:

    Se a demanda é previsível, a resposta também deveria ser.

    Todos os anos o período de doenças respiratórias se repete. Não é surpresa. É calendário. Mesmo assim, não se vê ampliação temporária de leitos, reforço de equipe ou uma estratégia clara para absorver esse aumento.

    Isso não é responsabilidade do hospital. É decisão de gestão.

    A equipe do hospital está fazendo o que pode com o que tem. O problema é que o que tem não acompanha o que é necessário.

    A fala da acompanhante que relata crianças nos corredores e falta até de cadeiras não é uma crítica ao atendimento. É um alerta sobre a estrutura.

    E estrutura depende de prioridade.

    Se saúde não estiver no topo da decisão política, o resultado é exatamente esse: profissionais sobrecarregados tentando sustentar um sistema que já deveria ter sido reforçado antes de chegar ao limite.

    A leitura correta não é culpar quem atende.

    É questionar quem decide.

    Porque no fim, a diferença entre crise e colapso não está na equipe. Está na gestão.

  • Falta de materiais na Câmara de Itabuna levanta dúvidas, e resposta da presidência não esclarece situação

    Falta de materiais na Câmara de Itabuna levanta dúvidas, e resposta da presidência não esclarece situação

    Denúncias internas apontam ausência de itens básicos; questionado, presidente não responde objetivamente sobre o problema

    Denúncias recebidas por um veículo local apontam possível falta de materiais essenciais, como itens de escritório e limpeza, dentro da Câmara de Itabuna.

    Durante entrevista, o presidente Manoel Porfírio foi questionado de forma direta sobre a situação.

    A resposta não tratou diretamente do ponto levantado.

    Em vez de confirmar ou negar a falta de materiais, o presidente destacou:

    • digitalização de processos
    • economia de recursos
    • discurso de austeridade
    • compromisso com transparência

    Ao final, afirmou que “tudo está decorrendo normal”, sem apresentar dados, explicações práticas ou medidas adotadas.

    A questão é simples:

    há ou não falta de materiais básicos na Câmara?

    Essa resposta não foi dada de forma objetiva.

    Quando a pergunta é direta e a resposta não enfrenta o problema, o que se cria não é esclarecimento, é dúvida.

    Não se trata aqui de acusação, mas de coerência administrativa.

    Se existem relatos internos sobre falta de insumos mínimos, e a resposta institucional não esclarece:

    • ou há falha de comunicação
    • ou há problema operacional sendo minimizado

    Em qualquer cenário, o resultado é o mesmo: falta de clareza.

    O que precisa ser explicado

    O funcionamento básico de um órgão público não depende de grandes decisões políticas.

    Depende de rotina.

    E isso envolve:

    • fornecimento regular de materiais
    • contratos ativos de abastecimento
    • organização interna

    Se esse nível apresenta ruído, não é uma questão de orçamento. É gestão.

    O tema exige resposta objetiva, com dados:

    • existe contrato vigente para fornecimento desses materiais?
    • houve atraso ou falha na entrega?
    • os gabinetes estão sendo atendidos regularmente?

    Sem isso, a discussão permanece no campo do discurso.

    Se está tudo normal, por que surgem relatos dentro da própria Câmara apontando o contrário?

  • Feira nova, problema antigo: quem vai pagar pela segurança dos boxes?

    Feira nova, problema antigo: quem vai pagar pela segurança dos boxes?

    Estrutura moderna levanta alerta: espaços abertos e sem fechamento transferem custo para feirantes

    A nova Feira do São Caetano começa a ser apresentada como símbolo de modernização. Estrutura limpa, organizada e com boxes padronizados.

    Mas um detalhe chama atenção.

    Os espaços estão sendo entregues abertos e sem fechamento superior, o que levanta uma preocupação imediata:
    como garantir a segurança de mercadorias e equipamentos?

    Na prática, isso significa que cada feirante pode ser obrigado a arcar com:
    • fechamento dos boxes
    • proteção contra furtos
    • adaptação para armazenamento de estoque

    Para quem já enfrentou prejuízos durante o período provisório, essa nova etapa pode representar mais um custo.

    A dúvida é objetiva:
    A estrutura será entregue completa ou o custo da segurança será repassado para quem trabalha?

    Enquanto isso, a cidade assiste a outro tipo de eficiência.

    Para eventos como o Itapedro, em poucos dias são montados:
    • palco de grande porte
    • camarotes
    • telões
    • estruturas metálicas
    • ambientação completa

    Tudo rápido. Tudo funcionando.

    Quando é festa, a estrutura aparece pronta.
    Quando é trabalho, o acabamento vira responsabilidade de quem menos pode pagar.

    Prefeito, a obra é importante.
    Mas entregar sem condições completas transfere o problema.

    Se há capacidade de montar grandes estruturas em poucos dias,
    também há condição de garantir que os feirantes recebam seus espaços prontos, seguros e dignos.

  • Feira pronta, memória curta: onde estavam esses vereadores quando os feirantes mais precisaram?

    Feira pronta, memória curta: onde estavam esses vereadores quando os feirantes mais precisaram?

    Vereadores aparecem em visita à nova estrutura, mas silêncio sobre período de precariedade cobra explicações

    Hoje, vereadores estiveram na nova Feira do São Caetano, ainda não entregue oficialmente, gravando vídeos e celebrando a estrutura que deve atender mais de 200 feirantes.

    O registro mostra um espaço limpo, organizado e pronto.
    Mas essa não foi a realidade vivida pelos feirantes nos últimos anos.

    Durante o período de obras:
    • feirantes trabalharam sem água
    • enfrentaram alagamentos
    • sofreram com estrutura precária
    • relataram prejuízos e adoecimento

    A presença institucional agora levanta uma questão inevitável:

    Onde estavam essas mesmas vozes quando a feira provisória operava em condições insalubres?

    A entrega da nova feira é necessária e importante.
    Mas não apaga o percurso.

    Gestão pública não se mede apenas pela entrega final,
    mas pelo caminho até ela.

    Antes da inauguração, talvez seja o momento de responder não só pelo resultado,
    mas pelo tempo e pelas condições que marcaram essa obra.

  • Oito meses após a morte de professora, Prefeitura mantém dívida e caso pode virar ação judicial

    Oito meses após a morte de professora, Prefeitura mantém dívida e caso pode virar ação judicial

    Verba rescisória segue sem pagamento, sem prazo e condicionada a promessa sem previsão, situação pode gerar responsabilização do Município

    Oito meses após o falecimento da professora Ionae Silva Santos, a família segue sem receber as verbas rescisórias devidas pelo Município de Itabuna.

    Em mensagem recente, o esposo relata desgaste emocional, sensação de desvalorização e a dificuldade contínua para obter uma resposta objetiva da administração.

    Segundo ele, após diversas tentativas de contato com a Secretaria de Administração, as respostas foram evasivas e sem definição de prazo. A justificativa apresentada é que o pagamento estaria “na fila”, condicionado a um precatório da educação que não possui previsão de liberação.

    O pagamento de verbas rescisórias não é uma opção da administração, é uma obrigação legal. Trata-se de verba de natureza alimentar, que deve ser quitada aos dependentes em prazo razoável.

    A ausência de prazo, somada à vinculação a um evento incerto, indica possível:
    • falha na gestão administrativa
    • descumprimento do princípio da eficiência
    • retenção indevida de verba alimentar

    Promessa futura não substitui obrigação presente.

    A situação abre margem para medidas judiciais contra o Município, incluindo:
    • ação de cobrança com pedido de pagamento imediato
    • pedido de tutela de urgência, diante do caráter alimentar da verba
    • eventual indenização por danos morais pela demora prolongada

    Em análise mais aprofundada, o caso também pode exigir apuração sobre eventual impacto do contexto funcional na saúde da servidora, considerando o histórico já relatado pela família.

    Para avançar, a família deve reunir:
    • documentação funcional
    • comprovação de remuneração
    • certidão de óbito
    • registros de cobranças administrativas
    • eventuais decisões judiciais relacionadas

    Com esses elementos, é possível ingressar com ação judicial e exigir cumprimento imediato da obrigação.

    Se o direito existe, o valor é devido e a obrigação é clara, o que ainda impede o pagamento?

  • Monitores denunciam risco à vida e pressão no Conjunto Penal de Itabuna

    Monitores denunciam risco à vida e pressão no Conjunto Penal de Itabuna

    Carta aberta expõe sobrecarga, falta de segurança e possível assédio dentro da unidade prisional

    Uma carta aberta atribuída a monitores de ressocialização do Conjunto Penal de Itabuna começou a circular em grupos de WhatsApp denunciando um cenário de trabalho considerado insustentável dentro da unidade. O documento relata redução no quadro de funcionários, sobrecarga extrema, riscos constantes à vida e ausência de garantias básicas de segurança.

    Segundo o conteúdo, os monitores afirmam desempenhar atividades de alto risco, como revistas em pavilhões, contato direto com internos e manuseio de materiais ilícitos, sem proteção adequada, sem armamento e com exposição direta da identidade. A carta também menciona um ambiente de tensão interna, com alegações de perseguição e constrangimentos por parte de outros agentes que atuam na unidade.

    O ponto mais grave não é apenas a denúncia de condições precárias, mas o possível colapso operacional. A própria categoria admite discutir paralisação por instinto de sobrevivência. Em um sistema prisional, isso não é detalhe administrativo, é risco direto à segurança pública.

    Diante da gravidade, a situação exige resposta imediata do Governo do Estado, da Secretaria de Administração Penitenciária e da empresa cogestora. Não se trata apenas de relação de trabalho, mas de funcionamento mínimo de uma unidade prisional.

    Se quem está dentro diz que não aguenta mais, a pergunta é simples: o sistema ainda está sob controle?

  • Criança espera cirurgia há 3 anos, piora internada e sai sem operar em Itabuna

    Criança espera cirurgia há 3 anos, piora internada e sai sem operar em Itabuna

    Caso levanta dúvidas sobre critérios, fila e estrutura para procedimentos na rede pública

    Uma criança de 5 anos, identificada como Maria Fernanda, aguarda há cerca de 3 anos por uma cirurgia de adenoide, já indicada por avaliação médica. Segundo relato da mãe, a criança foi internada no Hospital Manuel Novaes com febre, dificuldade para respirar e baixa alimentação.

    Mesmo diante do quadro, a paciente recebeu alta com prescrição de antibióticos, sem a realização do procedimento cirúrgico.

    O ponto não é opinião, é fluxo.

    Se existe laudo indicando cirurgia e agravamento do quadro, o que impede a execução?
    Fila, falta de insumo, equipe ou ausência de regulação efetiva?

    Sem essa informação, o que aparece é um sistema que trata o sintoma, mas não resolve a causa.

    A família relata que já buscou atendimento via unidade de saúde e Defensoria Pública, mas ainda enfrenta exigências adicionais para avançar no processo.

    Enquanto isso, a criança segue sem cirurgia e com dificuldades respiratórias.

    Cabe à Secretaria de Saúde esclarecer de forma objetiva:
    • Existe fila para esse tipo de cirurgia?
    • Qual o tempo médio de espera?
    • Há limitação de anestesia ou equipe?
    • Por que não houve encaminhamento para outra unidade?

    Sem essas respostas, o caso deixa de ser pontual e passa a indicar falha de gestão.

    Se o diagnóstico é cirúrgico e o problema persiste há anos, o que ainda impede a solução?

  • Criança com corte na testa aguarda enquanto unidades transferem responsabilidade

    Criança com corte na testa aguarda enquanto unidades transferem responsabilidade

    ATENDIMENTO OU EXPOSIÇÃO AO RISCO?
    Uma criança com ferimento aberto na testa foi levada pelo pai ao SEMEP e, de lá, encaminhada para o Hospital Manoel Novaes sob a justificativa de que o local não realizaria sutura. Ao chegar, encontrou um cenário já conhecido pela população: superlotação, especialmente com crianças doentes.

    Enquanto aguarda atendimento, o pai relata uma preocupação lógica: o risco de contaminação. A filha, que chegou apenas com um corte, permanece exposta em um ambiente com alta circulação de pacientes com viroses.

    O problema não é só a demora. É o fluxo. Quem define para onde o paciente vai? Existe protocolo claro ou cada unidade empurra a responsabilidade?

    Saúde pública não pode funcionar no improviso. Um corte simples virou um risco maior por falha de organização.

    A pergunta é direta: por que uma criança com necessidade básica de sutura precisa peregrinar entre unidades e ainda ser exposta a outros riscos?

  • Campo do CAIC vira prioridade enquanto ruas seguem esquecidas em Itabuna

    Campo do CAIC vira prioridade enquanto ruas seguem esquecidas em Itabuna

    Máquinas e estrutura aparecem em ritmo acelerado no local, levantando questionamentos sobre critérios da gestão

    O Campo do CAIC, em Itabuna, voltou a receber uma atenção que chama atenção.

    Imagens mostram operação intensa no local: caminhões descarregando cascalho, máquinas trabalhando, limpeza completa e preparação da área em ritmo acelerado.

    Até aqui, nada de errado.

    Espaço público precisa mesmo de manutenção.

    O problema começa quando se olha para o resto da cidade.

    Enquanto o campo recebe estrutura e agilidade, moradores seguem convivendo com ruas esburacadas, lama e dificuldades básicas de mobilidade.

    E aí surge a pergunta inevitável:

    por que quando é no Campo do CAIC, resolve rápido…

    e quando é na rua do cidadão, demora?

    Não se trata de ser contra o investimento no campo.

    Se trata de entender o critério.

    Gestão pública não pode funcionar por exceção.

    Precisa funcionar por padrão.

    Se há máquina, material e equipe, a cidade inteira precisa sentir.

    Caso contrário, não é eficiência. É escolha.

  • Posto de saúde em Itabuna enfrenta infestação de caramujos e acende alerta sanitário

    Posto de saúde em Itabuna enfrenta infestação de caramujos e acende alerta sanitário

    Denúncia aponta presença de praga dentro da unidade do Bairro de Fátima e cobra resposta imediata

    Uma denúncia recebida aponta um possível surto de caramujos dentro da Unidade Básica de Saúde do Bairro de Fátima, na Rua São José, em Itabuna. Segundo o relato, cerca de 100 caramujos já teriam sido eliminados dentro da unidade, mas o problema persiste, com os animais circulando livremente pelo local.

    Não é um detalhe. A presença de caramujos, especialmente o africano, está associada a riscos sanitários relevantes. Estamos falando de um ambiente que deveria ser controlado, limpo e seguro. Quando isso não acontece, o problema não é pontual, é estrutural.

    Se há infestação dentro de uma unidade de saúde, há falha clara de manutenção e vigilância. E quando o básico não é garantido, o serviço perde confiança. A população passa a evitar o local ou, pior, se expõe sem saber.

    A Secretaria de Saúde precisa agir e responder com objetividade:

    há vistoria recente no local?

    houve acionamento da vigilância sanitária?

    qual medida imediata foi adotada para eliminar o problema?

    Se o posto de saúde não consegue garantir um ambiente seguro, o que mais está ficando sem controle?