Autor: Marcos Pastor

  • FICC: A CULTURA ESPERA. O PALCO NÃO.

    FICC: A CULTURA ESPERA. O PALCO NÃO.

    Enquanto milhões circulam nas festas, a principal referência cultural de Itabuna passou anos entre anúncios, abandono e promessas repetidas.

    A imagem da sede da FICC deteriorada virou mais que um problema estrutural. Virou um retrato das prioridades da gestão pública em Itabuna.

    Durante anos, a população assistiu sucessivos anúncios sobre a reforma:
    promessa de recuperação, homologação de licitação, ordem de serviço, nova licitação após desistência da empresa e mais discursos sobre “requalificação” e “ampliação”.

    Enquanto isso, o prédio continuava fechado, deteriorado e servindo como símbolo silencioso do abandono cultural da cidade.

    E a comparação é inevitável.

    Porque o palco do Itapedro sobe rápido.

    Em poucas semanas, estruturas milionárias aparecem, grandes atrações são anunciadas, publicidade toma conta das redes e a máquina pública funciona com velocidade impressionante.

    Já a principal casa da cultura da cidade passou anos esperando definições básicas.

    Isso revela um problema maior:
    Itabuna parece ter desenvolvido uma política forte para eventos, mas ainda frágil para cultura permanente.

    E existe diferença.

    Evento gera impacto imediato.
    Política cultural gera legado.

    Uma cidade culturalmente forte não vive apenas de festa. Vive também de espaços culturais preservados, incentivo contínuo aos artistas locais, oficinas, formação cultural, memória histórica e acesso da periferia à cultura.

    A própria situação da FICC expõe essa contradição.

    O prédio já havia sido reformado anos atrás. Mesmo assim, voltou a apresentar deterioração severa, sem que houvesse manutenção contínua capaz de preservar um patrimônio histórico e simbólico para o município.

    O problema não é o Itapedro existir.
    A população gosta da festa.
    O comércio movimenta.
    A cidade ganha visibilidade.

    Mas a pergunta continua necessária:

    como uma gestão consegue mobilizar milhões rapidamente para eventos temporários, mas leva anos para recuperar sua principal estrutura cultural fixa?

    Porque no fim, festa passa.

    Mas o abandono da cultura deixa marcas permanentes na identidade de uma cidade.

  • PRECATÓRIOS DO FUNDEF: SILÊNCIO DA PREFEITURA AUMENTA PRESSÃO E DESCONFIANÇA ENTRE PROFESSORES EM ITABUNA

    PRECATÓRIOS DO FUNDEF: SILÊNCIO DA PREFEITURA AUMENTA PRESSÃO E DESCONFIANÇA ENTRE PROFESSORES EM ITABUNA

    Falta de sanção oficial e ausência de calendário para pagamento ampliam cobrança pública da categoria

    A demora na publicação oficial da lei dos precatórios do FUNDEF em Itabuna começou a aumentar a pressão sobre a Prefeitura e a gerar forte repercussão entre professores, herdeiros e representantes da categoria.

    Mesmo após a aprovação do projeto pela Câmara Municipal, ainda não houve publicação da sanção da lei no Diário Oficial nem divulgação oficial sobre prazos, documentação ou previsão de pagamento. A situação levou o SIMPI a fazer uma cobrança pública nas redes sociais, questionando a demora do Executivo.

    A repercussão nos comentários da publicação revelou um clima crescente de insegurança e desconfiança entre profissionais da educação. Muitos afirmam que esperam há mais de 20 anos pelo reconhecimento das perdas salariais e defendem que o município dê mais transparência ao processo.

    Entre os comentários, professores questionam a ausência de informações oficiais, demonstram preocupação com possíveis adiamentos e cobram respeito à categoria. Alguns também levantaram discussões sobre os rendimentos financeiros que os recursos poderiam gerar enquanto permanecem depositados.

    A mobilização também começou a ganhar tom político. Parte dos comentários defende maior pressão popular, participação de empresários e acompanhamento permanente do caso para evitar novas demoras.

    O tema, que inicialmente foi tratado como uma conquista para a categoria, agora começa a produzir desgaste público pela falta de comunicação clara da gestão municipal sobre os próximos passos.

    Sem calendário oficial, sem publicação da sanção e sem definição pública sobre os pagamentos, a principal pergunta que hoje circula entre professores e herdeiros é direta: quando o município vai apresentar oficialmente uma solução para quem espera por esse direito há mais de duas décadas?

  • ESPORTE EM ITABUNA: MAIS AUTONOMIA, MAS ONDE ESTÃO OS RESULTADOS?

    ESPORTE EM ITABUNA: MAIS AUTONOMIA, MAS ONDE ESTÃO OS RESULTADOS?

    Após mais de cinco anos de gestão, criação da FITEL reacende debate sobre estrutura, orçamento e entregas reais para o esporte da cidade

    A aprovação da FITEL, Fundação Itabunense de Esportes e Lazer, foi comemorada pela gestão municipal como um avanço histórico para o esporte de Itabuna. Segundo o secretário Alcântara Pellegrini, a nova fundação dará mais autonomia financeira, agilidade administrativa e facilidade para receber convênios e emendas parlamentares.

    O discurso é positivo.

    Mas a pergunta que começa a surgir é outra:

    O esporte de Itabuna precisava primeiro de uma nova fundação ou de resultados mais visíveis?

    A discussão não é sobre ser contra o esporte. Nem contra investimentos.

    A questão é proporcionalidade entre estrutura, orçamento e entrega.

    De 2021 até 2026, a Secretaria de Esportes passou a contar com orçamento milionário, retomada institucional da pasta e espaço político dentro do governo. Ainda assim, a cidade continua sem uma política esportiva estruturante claramente identificável pela população.

    O principal símbolo esportivo da gestão segue sendo o Campeonato Interbairros, evento importante para a tradição do futebol amador local, mas insuficiente para representar sozinho uma política pública esportiva de longo prazo.

    Enquanto isso, seguem abertas algumas perguntas:

    • Quantos atletas recebem apoio permanente do município?
    • Quais modalidades além do futebol possuem investimento contínuo?
    • Onde estão os centros de formação esportiva?
    • Quais bairros possuem projetos esportivos permanentes?
    • Quais metas públicas foram estabelecidas para o setor?
    • Onde a população pode acompanhar os indicadores de resultado da secretaria?

    Outro ponto que chama atenção é o orçamento.

    A própria LOA 2026 prevê cerca de R$ 11,7 milhões para a Secretaria de Esportes e Lazer. Desse total, aproximadamente R$ 7 milhões têm origem em operação de crédito, ou seja, recursos provenientes de endividamento público.

    Quando parte significativa do investimento vem de dívida pública, a cobrança por resultado deixa de ser apenas política. Passa a ser administrativa e institucional.

    Além disso, o estádio municipal continua sem conclusão definitiva, enquanto a cidade ainda carece de projetos esportivos permanentes capazes de integrar esporte, educação, inclusão social e formação de jovens.

    Agora, com a criação da FITEL, a prefeitura amplia a autonomia administrativa da área esportiva.

    E justamente por isso a cobrança por transparência também precisa aumentar.

    Porque autonomia sem controle pode gerar dúvidas.
    Autonomia sem metas públicas pode virar apenas expansão administrativa.
    E autonomia sem resultados concretos perde legitimidade diante da população.

    Fundação pública não é problema por si só. Em muitos municípios ela funciona como instrumento eficiente de gestão.

    Mas sua eficácia depende de algo essencial:
    transparência, planejamento e prestação pública de resultados.

    A cidade agora espera saber:

    • como os recursos serão aplicados,
    • quais projetos serão executados,
    • quais critérios serão utilizados,
    • quais mecanismos de fiscalização existirão,
    • e quais metas reais serão entregues ao esporte de Itabuna.

    Porque no fim, o debate não é sobre discurso institucional.

    É sobre resultado.

    Dinheiro público não pode financiar apenas estrutura.
    Precisa produzir transformação visível para quem vive a cidade todos os dias.

  • TARCÍSIO VOLTA À GRADE DO ITAPEDRO 2026, MAS PREFEITURA AINDA NÃO EXPLICOU O QUE ACONTECEU EM 2025

    TARCÍSIO VOLTA À GRADE DO ITAPEDRO 2026, MAS PREFEITURA AINDA NÃO EXPLICOU O QUE ACONTECEU EM 2025

    Cantor aparece novamente entre as atrações oficiais enquanto seguem sem resposta pública informações sobre cancelamento, contrato e possível devolução de valores

    A divulgação da grade oficial do Ita Pedro 2026 trouxe novamente o nome de Tarcísio do Acordeon entre as atrações principais da festa em Itabuna. O problema é que até hoje a população não recebeu uma explicação clara sobre o que ocorreu em 2025, quando o cantor foi anunciado, divulgado nas peças oficiais, mas não se apresentou no evento.

    Desde então, não houve transparência pública detalhada sobre:

    • se houve cancelamento contratual,
    • se existia contrato formal assinado,
    • se houve pagamento antecipado,
    • se houve devolução de recursos,
    • ou quais medidas administrativas foram adotadas após a ausência do artista.

    Agora, ao recolocar o nome do cantor na grade de 2026, a gestão municipal reacende um debate que nunca foi encerrado oficialmente.

    O questionamento não é sobre a realização da festa. O ponto central é transparência. Em eventos financiados com recursos públicos, publicidade oficial e estrutura custeada pelo município, a população tem o direito de saber exatamente como foram conduzidas as contratações e quais consequências ocorreram quando uma atração anunciada não sobe ao palco.

    Sem essas respostas, o anúncio de 2026 acaba produzindo um efeito político delicado: parte da população interpreta como se o episódio de 2025 simplesmente tivesse sido ignorado.

    A gestão ainda pode esclarecer:

    • houve prejuízo financeiro?
    • houve multa contratual?
    • houve substituição formal?
    • o município recuperou eventual valor pago?
    • ou sequer existiu contratação efetivada?

    Transparência não é detalhe administrativo. É obrigação pública.

  • AUXÍLIO ATRASA, PROTESTO VOLTA E BR-101 É FECHADA NOVAMENTE EM ITABUNA

    AUXÍLIO ATRASA, PROTESTO VOLTA E BR-101 É FECHADA NOVAMENTE EM ITABUNA


    Moradores interditaram ponte entre Lomanto e Nova Itabuna cobrando pagamento do auxílio aluguel prometido pela Prefeitura; cenário repete manifestação registrada em março no mesmo local e pelo mesmo motivo.

    Moradores de Itabuna voltaram a interditar, nesta quinta-feira, a ponte que liga os bairros Lomanto e Nova Itabuna, trecho estratégico entre as BRs 101 e 415. Pneus foram queimados e o trânsito ficou completamente travado nos dois sentidos.

    Segundo os manifestantes, o motivo é o atraso no pagamento do auxílio aluguel prometido pela Prefeitura. De acordo com os relatos, o pagamento deveria ter sido realizado no último dia 8, mas até esta tarde os valores ainda não haviam sido depositados.

    Durante a manifestação, moradores afirmaram que vivem há meses dependendo do benefício e denunciaram falta de resposta do governo municipal. “Nem casa e nem aluguel”, disse uma das manifestantes durante o protesto.

    Outro ponto que chamou atenção foi a revolta popular ao comparar o atraso do auxílio social com os anúncios já realizados para festas e atrações do Itapedro. A fala expõe um sentimento crescente em parte da população: enquanto eventos avançam, famílias seguem aguardando uma resposta básica para sobreviver.

    O cenário não é novo. Em março de 2026, moradores já haviam realizado outro protesto no mesmo local e pelos mesmos motivos. A repetição da manifestação revela que o problema deixou de ser pontual e passou a representar desgaste contínuo entre prefeitura e população atingida.

  • VEREADORES DEIXAM O PLENÁRIO E ISOLAM O ÚNICO PARLAMENTAR A DEBATER OS R$ 462 MILHÕES DA EDUCAÇÃO EM ITABUNA

    VEREADORES DEIXAM O PLENÁRIO E ISOLAM O ÚNICO PARLAMENTAR A DEBATER OS R$ 462 MILHÕES DA EDUCAÇÃO EM ITABUNA

    Cena registrada durante sessão da Câmara gerou repercussão nas redes e levantou debate sobre postura institucional diante de um tema de interesse público

    A sessão desta terça-feira (12), na Câmara Municipal de Itabuna, terminou marcada por uma cena que rapidamente repercutiu nas redes sociais e nos bastidores políticos da cidade: vereadores deixaram o plenário enquanto o vereador Danilo da Nova Itabuna utilizava a tribuna para discutir a situação da educação municipal e os R$ 462 milhões destinados à pasta no orçamento aprovado para 2026.

    Antes do discurso, houve um embate entre o parlamentar e o presidente da Câmara, Manoel Porfírio, relacionado ao uso do tempo regimental. Após a discussão, Danilo iniciou sua fala praticamente sozinho no plenário, permanecendo apenas o vereador Bruno Bileco na condução da sessão.

    Durante o pronunciamento, o vereador afirmou que desejava debater os investimentos da educação e questionar como os recursos públicos estão sendo aplicados no município. As imagens do plenário vazio passaram a circular rapidamente, provocando críticas e comentários sobre o comportamento adotado pelos parlamentares durante a sessão.

    Embora o Regimento Interno da Câmara garanta o direito à fala e ao contraditório parlamentar, e não obrigue formalmente a permanência dos vereadores no plenário durante todos os pronunciamentos, o episódio ampliou o debate sobre responsabilidade institucional e compromisso com discussões de interesse coletivo.

    Na prática, a repercussão não ficou apenas no discurso.
    Ficou na imagem.

    Porque, para parte da população, a cena transmitiu a sensação de afastamento entre o Legislativo e os temas que impactam diretamente a vida dos cidadãos, especialmente quando o assunto envolve educação pública e centenas de milhões de reais do orçamento municipal.

    No fim, o silêncio das cadeiras vazias acabou falando mais alto que o próprio plenário.

  • DE ROMPIMENTOS A ALIANÇAS: OS MOVIMENTOS POLÍTICOS DE ISAAC E PANCADINHA MOSTRAM COMO A POLÍTICA FUNCIONA

    DE ROMPIMENTOS A ALIANÇAS: OS MOVIMENTOS POLÍTICOS DE ISAAC E PANCADINHA MOSTRAM COMO A POLÍTICA FUNCIONA

    Na política, posições mudam. E, muitas vezes, mudam rápido.

    Em 2020, o então chamado “quarteto fantástico” da política de Itabuna reunia quatro candidatos a a prefeito em um movimento político que envolvia partidos como Avante, MDB, Rede e Cidadania.

    Naquele período, Isaac acabou deixando o grupo em meio às divergências internas e partidárias. Entre os assuntos discutidos nos bastidores estava justamente a aproximação da frente com o MDB. Anos depois, o cenário político deu uma volta curiosa: hoje, Dr. Isaac é presidente do MDB em Itabuna.

    Outro episódio que chama atenção envolve Fabrício Pancadinha.

    Durante a disputa eleitoral de 2024, Pancadinha teve seu apelido ironizado publicamente pelo presidente estadual do PDT, deputado Félix Mendonça Júnior, que declarou:
    “Vou chamar um prefeito chamado Pancada?”

    A fala repercutiu na cidade e gerou críticas de apoiadores do então candidato, principalmente por atingir justamente a identidade popular que ajudou a construir sua trajetória política.

    Mas a política novamente mostrou sua dinâmica.

    Hoje, Pancadinha está filiado ao PDT, partido presidido na Bahia pelo próprio Félix Mendonça Júnior, e já circulam nos bastidores articulações sobre uma possível candidatura a deputado federal com apoio do grupo político.

    Os dois episódios ajudam a mostrar uma realidade conhecida, mas que muitos eleitores ainda resistem em aceitar:
    na política, adversários de ontem podem se tornar aliados amanhã.

    Mais do que atacar nomes ou partidos, os fatos servem para lembrar ao eleitor que alianças políticas raramente são permanentes. Elas mudam conforme estratégia, cenário eleitoral, sobrevivência política e projetos de poder.

    E talvez por isso a memória do eleitor continue sendo uma das ferramentas mais importantes da democracia.

  • FEIRA DO SÃO CAETANO: ENTRE A ENTREGA DA OBRA E A CONTA QUE AINDA VAI CHEGAR

    FEIRA DO SÃO CAETANO: ENTRE A ENTREGA DA OBRA E A CONTA QUE AINDA VAI CHEGAR

    Prefeitura reúne feirantes, anuncia estrutura, taxas futuras e modelo de gestão compartilhada para nova feira.

    A Prefeitura de Itabuna realizou nesta segunda-feira (11) uma reunião com feirantes da Feira do São Caetano para discutir os detalhes da entrega do novo equipamento público. O encontro contou com a presença do prefeito Augusto Castro, secretários municipais, vereadores e representantes dos comerciantes.

    Durante a reunião, a gestão confirmou que o município ainda aguarda o repasse oficial da estrutura pelo Governo do Estado. A previsão é que, após a inauguração, os feirantes recebam os termos de cessão de ocupação dos boxes e iniciem um período de adaptação antes da mudança definitiva.

    A prefeitura também informou que pretende licitar uma empresa para administrar o espaço junto ao município. Segundo os representantes da gestão, a empresa ficará responsável por limpeza, manutenção, organização dos banheiros, retirada de lixo e apoio operacional, em um modelo semelhante ao de condomínio.

    Outro ponto que chamou atenção foi a fala sobre cobrança futura de taxas. Apesar da sinalização de possível isenção inicial, a própria gestão deixou claro que a manutenção da feira “não poderá ser de graça” de forma permanente. A discussão sobre valores ainda deverá passar por negociação com os feirantes.

    Após meses de reclamações sobre atraso, insegurança e estrutura incompleta, a reunião também serviu para anunciar a instalação das portas de rolar e telas metálicas, itens cobrados há bastante tempo pelos comerciantes.

    O encontro teve ainda promessas de crédito facilitado, apoio bancário, cursos de vigilância sanitária, reorganização dos segmentos comerciais e intervenções urbanas no entorno da feira.

    Mas, apesar do tom otimista da gestão, a própria reunião deixou evidente um ponto importante: a entrega da estrutura não encerra os problemas. Ela apenas inicia uma nova etapa, onde manutenção, custos, organização e convivência entre prefeitura, empresa administradora e feirantes passarão a fazer parte da rotina do novo espaço.

    No meio dos discursos, um feirante resumiu o sentimento de muitos presentes ao afirmar que há comerciantes que “passaram noites sem dormir” preocupados com a segurança e os custos da mudança.

    Agora, a expectativa deixa de ser apenas pela inauguração. Passa a ser também sobre como a feira irá funcionar na prática depois da festa de entrega.

  • R$ 21,5 MILHÕES EM ALUGUÉIS: QUANTOS PRÉDIOS PRÓPRIOS ITABUNA PODERIA TER CONSTRUÍDO?

    R$ 21,5 MILHÕES EM ALUGUÉIS: QUANTOS PRÉDIOS PRÓPRIOS ITABUNA PODERIA TER CONSTRUÍDO?

    Entre os imóveis identificados no levantamento aparece estrutura vinculada ao Centro de Integração Social CISO utilizada pelo município

    Um levantamento realizado com base em dados disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura de Itabuna identificou mais de R$ 21,5 milhões relacionados à utilização de imóveis destinados ao funcionamento da máquina pública municipal.

    Os registros envolvem estruturas utilizadas por:

    • setores administrativos da prefeitura,
    • escolas e anexos escolares,
    • CRAS,
    • CAPS,
    • Cadastro Único,
    • acolhimento social,
    • centros educacionais.

    A locação de imóveis pela administração pública é legal e acontece em diversos municípios do país. O debate levantado pelos números, porém, vai além da legalidade.

    A pergunta que começa a surgir entre moradores e servidores é:
    quanto desse valor poderia ter sido investido, ao longo dos anos, na construção de estruturas próprias para o município?

    Dependendo do porte da obra, especialistas da construção civil apontam que estruturas públicas como escolas pequenas, centros administrativos e unidades de atendimento podem custar entre R$ 1,5 milhão e R$ 4 milhões.

    Na prática, os valores identificados no levantamento poderiam representar a possibilidade de construção gradual de diversos prédios públicos permanentes para educação, assistência social e serviços administrativos.

    Entre os imóveis identificados no levantamento aparece estrutura vinculada ao Centro de Integração Social CISO, utilizada para funcionamento do Centro de Formação e Tecnologia Municipal (CFTM). O tema também chama atenção pelo fato de o atual secretário municipal da Educação, Josué de Sousa Brandão Júnior, possuir ligação familiar com o imóvel citado nos registros públicos, ampliando o debate sobre transparência e critérios adotados na utilização de estruturas privadas pela administração municipal.

    Enquanto isso, muitos serviços continuam funcionando em anexos, imóveis adaptados e estruturas provisórias que, em alguns casos, acabam se tornando permanentes.

    Os dados também ampliam a discussão sobre:

    • planejamento urbano,
    • gestão patrimonial,
    • centralização administrativa,
    • e prioridades na aplicação dos recursos públicos.

    Em uma cidade que enfrenta desafios em áreas como educação, infraestrutura e atendimento público, os números levantam uma reflexão inevitável:
    Itabuna está investindo no futuro estrutural da cidade ou apenas mantendo soluções temporárias ano após ano?

  • R$ 6,3 BILHÕES EM 4 ANOS E 4 MESES, EMENDAS MILIONÁRIAS E QUASE R$ 280 MILHÕES EM EMPRÉSTIMOS: O QUE MUDOU EM ITABUNA?

    R$ 6,3 BILHÕES EM 4 ANOS E 4 MESES, EMENDAS MILIONÁRIAS E QUASE R$ 280 MILHÕES EM EMPRÉSTIMOS: O QUE MUDOU EM ITABUNA?

    Município ampliou arrecadação, recebeu recursos estaduais e federais históricos e autorizou financiamentos milionários enquanto população segue cobrando melhorias nos serviços essenciais

    Nos últimos 4 anos e 4 meses, Itabuna passou a movimentar um volume financeiro bilionário. Somando arrecadação municipal, transferências constitucionais, recursos da saúde, educação, convênios, emendas parlamentares e financiamentos, a cidade operou com cifras que ultrapassam R$ 6,3 bilhões no período.

    Além disso, a atual gestão também autorizou operações de crédito que somam aproximadamente R$ 280 milhões.

    Entre os financiamentos divulgados estão:

    • R$ 115 milhões junto ao Banco do Brasil;
    • cerca de US$ 30 milhões através do Fonplata, valor estimado em aproximadamente R$ 165 milhões.

    Paralelamente, Itabuna recebeu ao longo dos últimos anos diversas emendas estaduais e federais destinadas a áreas como:

    • saúde;
    • infraestrutura;
    • pavimentação;
    • drenagem;
    • assistência social;
    • cultura;
    • esporte;
    • e mobilidade urbana.

    O orçamento municipal aprovado para 2025 sozinho chegou próximo de R$ 1,474 bilhão, um dos maiores da história da cidade.

    Na prática, isso significa que Itabuna passou a operar com uma capacidade financeira muito superior à de gestões passadas.

    O debate que começa a crescer entre moradores, comerciantes e servidores públicos não é mais apenas sobre falta de recursos.

    A pergunta agora é:
    com tanto dinheiro circulando, por que problemas básicos continuam afetando diretamente a rotina da população?

    Mesmo diante desse crescimento financeiro, continuam frequentes as reclamações envolvendo:

    • filas e dificuldades na saúde;
    • esgoto a céu aberto;
    • drenagem insuficiente;
    • ruas sem manutenção;
    • transporte;
    • problemas estruturais;
    • e precariedade em serviços essenciais.

    Especialistas em contas públicas lembram que empréstimos públicos não são ilegais e podem ser importantes para obras estruturantes. Porém, defendem que a população tenha acesso claro e permanente a informações como:

    • quanto já entrou nos cofres;
    • quanto já foi gasto;
    • quanto ainda falta pagar;
    • quais obras realmente pertencem aos financiamentos;
    • e qual será o impacto dessas dívidas nos próximos anos.

    Outro ponto que também chama atenção é o custo final dessas operações. Somados juros e encargos, os financiamentos podem ultrapassar centenas de milhões de reais ao longo do tempo.

    Hoje, mais do que anúncios e números, parte da população cobra transparência, manutenção e resultado prático no cotidiano da cidade.

    Porque no fim, a pergunta que começa a ocupar as ruas é simples:

    Com tantos bilhões circulando em Itabuna nos últimos anos, a cidade melhorou na mesma proporção?