Um dos maiores bairros de Itabuna fazendo bingo para recuperar uma quadra pública

Enquanto a Prefeitura amplia a estrutura do esporte e prevê milhões para o setor, moradores da Califórnia recorrem à arrecadação popular para tentar recuperar um espaço de lazer da comunidade

Um anúncio divulgado nos últimos dias chamou atenção em Itabuna: moradores do bairro Califórnia estão organizando um bingo beneficente para arrecadar recursos destinados à recuperação da quadra poliesportiva da comunidade.

O fato, por si só, demonstra união e mobilização popular. Mas também levanta uma pergunta inevitável:

Por que uma das maiores comunidades da cidade precisa fazer bingo para recuperar uma quadra pública?

Recentemente, o município aprovou a criação da FITEL, Fundação Itabunense de Esportes e Lazer. A justificativa da gestão é ampliar a autonomia administrativa da área esportiva, facilitar a captação de recursos e melhorar a execução de projetos.

O discurso é positivo.

Mas a realidade observada por muitos moradores parece apontar para outra necessidade mais urgente: a manutenção dos equipamentos esportivos já existentes.

A própria Lei Orçamentária de 2026 prevê aproximadamente R$ 11,7 milhões para a área de esportes, sendo cerca de R$ 7 milhões provenientes de operação de crédito, ou seja, recursos obtidos por meio de endividamento público.

Diante desses números, a iniciativa da comunidade da Califórnia acaba provocando uma reflexão legítima:

Quantas quadras esportivas dos bairros receberam investimentos efetivos nos últimos anos?

A discussão não diminui o mérito dos moradores que estão se organizando.

Pelo contrário.

Mostra uma comunidade que decidiu agir diante de uma necessidade concreta.

O que chama atenção é que a arrecadação popular surge justamente em um momento em que o município amplia sua estrutura esportiva, cria uma fundação específica para o setor e passa a contar com um orçamento cada vez mais robusto.

A questão, portanto, não é o bingo.

A questão é saber se os investimentos públicos estão chegando onde a população mais precisa.

Porque quando moradores precisam organizar eventos para recuperar um patrimônio público, o debate deixa de ser apenas sobre esporte.

Passa a ser sobre prioridades, planejamento e resultados.

E a pergunta que permanece é simples:

Se a comunidade está fazendo sua parte, o poder público está fazendo a dele?

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