Autor: Marcos Pastor

  • Em Itabuna, professora vende televisão para não perder a casa após demissão

    Em Itabuna, professora vende televisão para não perder a casa após demissão

    Caso expõe o impacto social das dispensas na rede municipal e reacende debate sobre responsabilidade da Prefeitura de Itabuna

    Um vídeo gravado dentro da própria casa ganhou repercussão em Itabuna. Nele, a professora Urânia relata dificuldades financeiras após a demissão da rede municipal. Mostra a geladeira com poucos alimentos, fala de contas atrasadas e anuncia a venda de uma televisão por R$ 650 para evitar perder o imóvel conquistado ao longo de décadas de trabalho.

    Segundo o relato, ela integra o grupo de profissionais dispensados pela Prefeitura de Itabuna nos últimos meses. Afirma viver hoje com cerca de R$ 1.800 de aposentadoria e questiona direitos trabalhistas, como FGTS e tempo de serviço.

    O caso ultrapassa o drama individual. Trata-se de um debate público sobre como decisões administrativas impactam diretamente famílias que dedicaram anos à educação do município.

    A Prefeitura de Itabuna já se manifestou oficialmente sobre o número de profissionais afetados e a situação jurídica dessas demissões?

    Enquanto a discussão segue nos bastidores legais, uma realidade se impõe: quando um educador precisa vender bens para manter o básico, a cidade precisa olhar com atenção. Educação não é apenas política pública. É compromisso social.

  • Entre a Aferição de Pressão e a Pressão no Orçamento da Saúde: Onde Está a Atuação Parlamentar?

    Entre a Aferição de Pressão e a Pressão no Orçamento da Saúde: Onde Está a Atuação Parlamentar?

    Enquanto ações simbólicas ganham visibilidade, a fiscalização do orçamento e das políticas públicas exige atuação permanente.

    Um vídeo divulgado nas redes sociais apresenta como “projeto muito importante” a aferição de pressão arterial, teste de glicemia e distribuição de água mineral durante caminhada na Beira Rio.

    Incentivar hábitos saudáveis é positivo. Cuidar da saúde é necessário. Mas é preciso separar iniciativa individual de política pública estruturada.

    A função constitucional do vereador é legislar, fiscalizar o Executivo e acompanhar a execução do orçamento. No caso da saúde, isso significa analisar contratos, verificar metas, questionar indicadores, acompanhar filas, cobrar aplicação de recursos e avaliar resultados concretos.

    Aferir pressão é ato assistencial pontual. Pressionar o orçamento da saúde é responsabilidade institucional.

    Quando ações episódicas ganham o status de “projeto”, a discussão precisa subir de nível.

    O debate não é sobre caminhar ou distribuir água. É sobre o papel do Legislativo na estrutura da política pública.

    Saúde se fortalece com planejamento, orçamento bem aplicado e fiscalização constante.

    O resto é performance.

  • Sensibilidade seletiva? Robson Rigaud reage a Danilo, mas não à fala do prefeito

    Sensibilidade seletiva? Robson Rigaud reage a Danilo, mas não à fala do prefeito

    Vereador afirma ter se sentido ofendido após colega defender independência de mandato, enquanto declaração do prefeito sobre “escolher oposição” não gerou reação pública.

    A reunião das comissões da Câmara de Itabuna que discutiu o projeto de reforma administrativa do Executivo terminou com um debate sobre autonomia parlamentar.

    Ao pedir vistas ao projeto, o vereador Danilo declarou:

    “Respeite o meu mandato e respeite o que o povo me deu. […] A decisão que eu tomo aqui vai ser tomada por mim, não estou aqui para ser tomada direção para o prefeito. […] Augusto não manda em mim e ninguém aqui nesta casa manda em mim.”

    Na sequência, o vereador Robson Rigaud afirmou que determinadas palavras “soam muito mal aí fora” e que, em alguns momentos, pode “se sentir ofendido”, por entender que a fala poderia sugerir que apenas um parlamentar estaria cumprindo seu papel.

    Danilo respondeu de forma direta:

    “Quem falou que manda aqui foi ele, quem falou que escolheu dois para mandar para a oposição. Não fui eu que falei, quem falou foi o prefeito.”

    A referência é à declaração feita pelo prefeito no dia 28 de janeiro de 2026, durante a prestação de contas do Carnaval Antecipado, quando afirmou da tribuna da própria Câmara:

    “Vamos botar mais uns dois na oposição.”

    Na ocasião, não houve registro de reação pública ou manifestação de ofensa institucional no plenário.

    O episódio levanta uma reflexão inevitável.

    Afirmar que o mandato é independente causa desconforto.

    Sugerir a composição da oposição, não.

    Em meio à discussão de uma reforma administrativa que reorganiza cargos e estrutura de poder no município, o debate sobre autonomia parlamentar ganha dimensão ainda maior.

    A independência do Legislativo não deveria ser motivo de tensão.

    É princípio básico do sistema democrático.

    A pergunta que permanece é simples:

    O que realmente incomoda, a fala ou o contexto?

  • Vídeo de educadora reacende debate sobre legalidade, isonomia e impacto humano na rede municipal

    Vídeo de educadora reacende debate sobre legalidade, isonomia e impacto humano na rede municipal

    Um vídeo publicado por uma professora da rede municipal de Itabuna trouxe novamente à tona uma situação que ainda carece de explicações oficiais claras.

    No desabafo, ela afirma:

    “Quando a cabeça não aguenta, o coração chora. Hoje o meu coração sangra pela injustiça.”

    Segundo o relato, mais de 400 professores teriam sido desligados por ato administrativo. Parte desses profissionais sustenta que possui respaldo em legislação municipal aprovada em 2019, que garantiria permanência a aposentados anteriores à norma.

    A educadora também menciona decisão judicial favorável, proferida após meses de análise, determinando pagamento retroativo de 11 meses e retorno ao trabalho. De acordo com ela, o Município apresentou recurso, o que teria retardado os efeitos práticos da sentença.

    Esses pontos exigem esclarecimento objetivo:

    • Existe decisão válida determinando reintegração?

    • Houve suspensão por instância superior?

    • Qual o estágio atual do processo?

    • O critério aplicado foi uniforme para todos os aposentados?

    No vídeo, a professora relata uso de medicação controlada e dificuldades financeiras após o desligamento:

    “Eu recebi uma demissão ilegal. Hoje eu vivo à base de remédios.”

    Ela também menciona colegas que teriam adoecido gravemente em meio ao impasse.

    Paralelamente, a Prefeitura mantém programação de eventos públicos e discursos institucionais sobre avanços na educação. O contraste entre narrativa administrativa e relatos individuais amplia a tensão.

    Não se trata de juízo moral.

    Trata-se de transparência administrativa.

    Se houve ilegalidade, ela precisa ser corrigida.

    Se houve equívoco de interpretação, ele precisa ser explicado.

    Se a decisão judicial está sub judice, a sociedade deve saber

    Assista o vídeo 📹

  • Hospital de Base sob denúncia: pacientes enfrentam calor, dor e restrições a ventiladores

    Hospital de Base sob denúncia: pacientes enfrentam calor, dor e restrições a ventiladores

    Relato aponta ar-condicionado inoperante, proibição de ventiladores e risco à saúde de idosos e diabéticos

    Publicação feita por visitante de paciente em grupos de WhatsApp levanta questionamentos sobre estrutura e protocolos da unidade

    Segundo a denúncia, pacientes internados estariam enfrentando calor intenso devido ao não funcionamento de aparelhos de ar-condicionado. O relato descreve enfermarias abafadas, estrutura danificada e restrição à entrada de ventiladores portáteis levados por familiares.

    De acordo com a narrativa, a justificativa apresentada teria sido risco de infecção hospitalar. No entanto, familiares questionam a coerência da medida, especialmente diante da ausência de climatização adequada.

    A denúncia menciona caso específico de paciente com fratura de fêmur, hipertensão e diabetes, com agravamento do quadro clínico em razão do calor excessivo.

    Se confirmados, os fatos levantam questões graves:

    • Existe protocolo formal proibindo ventiladores pessoais?

    • A Comissão de Controle de Infecção emitiu parecer técnico?

    • O hospital garante climatização adequada como alternativa?

    • A Secretaria Municipal de Saúde foi comunicada?

    A Constituição Federal estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Estrutura mínima, conforto térmico e condições sanitárias não são privilégios, são requisitos básicos de assistência hospitalar.

    Este espaço aguarda manifestação oficial da direção do Hospital de Base e da Secretaria de Saúde de Itabuna para esclarecimento dos fatos.

    Diante da gravidade do relato, é imprescindível que as autoridades competentes realizem verificação imediata das condições estruturais e adotem providências, caso irregularidades sejam confirmadas.

    Escute o Áudio:

  • Gestão ou projeção? O limite entre agenda pública e visibilidade política em ano pré eleitoral

    Gestão ou projeção? O limite entre agenda pública e visibilidade política em ano pré eleitoral

    Reforma administrativa, nova Secretaria da Mulher, Carnaval e entregas oficiais ampliam debate sobre exposição institucional

    O envio à Câmara do Projeto de Lei que reformula a estrutura administrativa do Executivo, incluindo a criação da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, ocorre em um momento politicamente sensível. Em ano pré eleitoral, a dinâmica da gestão naturalmente passa a ser observada com mais atenção.

    Nos últimos meses, a agenda institucional ganhou destaque em eventos públicos, programação de Carnaval, entrega de ambulâncias e reuniões oficiais. A presença da primeira dama nessas atividades também se tornou mais frequente, especialmente após a confirmação de sua pré candidatura.

    Não há ilegalidade presumida na participação em atos institucionais. O ponto central, porém, é outro. Onde termina a agenda pública e começa a projeção política?

    A criação de novas estruturas administrativas, a ampliação de secretarias e a visibilidade em eventos financiados com recursos públicos exigem transparência redobrada. Em períodos que antecedem disputas eleitorais, a separação entre gestão e campanha precisa ser clara para preservar o interesse coletivo.

    A pergunta que fica não é pessoal. É institucional.

    Gestão é prestação de serviço. Promoção é estratégia eleitoral.

    A cidade merece clareza, responsabilidade fiscal e foco permanente na entrega de resultados.

  • Enquanto a gestão nega, mães mostram a realidade. Relatos públicos, escolas fechadas e inclusão sob questionamento em Itabuna

    A educação municipal de Itabuna voltou ao centro do debate após a divulgação de vídeos em que mães relatam dificuldades enfrentadas por seus filhos na rede pública. Entre os pontos mais citados estão a ausência de monitores para crianças atípicas e a falta de estrutura em unidades que funcionam fora de seus prédios originais.

    Após a repercussão de um desabafo que viralizou nas redes sociais, uma escola providenciou acompanhamento para o aluno. No entanto, nos comentários da própria publicação, mais de 200 mães relataram situações semelhantes em outras unidades.

    Paralelamente, reportagem exibida pela TV Santa Cruz mostrou que pelo menos sete escolas continuam fechadas desde o período pós-pandemia. Alunos estudam em imóveis alugados, e pais apontam espaço reduzido, riscos estruturais e ausência de merendeira em ao menos uma unidade. O Conselho Municipal de Educação informou que acompanha a situação e que houve encaminhamentos ao Ministério Público.

    O secretário afirmou que 25 unidades passarão por reforma após processo licitatório.

  • MÁQUINA EM MOVIMENTO, RESULTADOS EM SILÊNCIO? Diário Oficial expõe sequência de atos administrativos

    O Diário Oficial do Município publicado nesta semana traz uma série de atos que merecem atenção da sociedade. Em sequência, aparecem concessões de férias a secretários municipais, nomeações para cargos estratégicos e atribuição de gratificações de função, inclusive com efeitos retroativos.

    Entre os registros estão nomeações para cargos DAS-1, o nível mais alto da estrutura comissionada, além da designação de substitutos durante afastamentos. Em alguns casos, a substituição mantém integralmente a estrutura remuneratória da pasta.

    Todos os atos estão formalmente amparados na legislação municipal. No entanto, a discussão central não é jurídica, é administrativa e política.

    Qual é o custo total dessa movimentação?

    Quais metas cada secretaria apresentou antes do afastamento de seus titulares?

    Que indicadores comprovam eficiência das pastas contempladas com gratificações?

    A cidade enfrenta desafios visíveis em áreas como infraestrutura, educação e segurança. Ao mesmo tempo, o Diário Oficial demonstra uma engrenagem interna ativa, com reorganização constante do alto escalão.

    Gestão pública se mede por entregas, não apenas por publicações oficiais. Transparência exige clareza sobre prioridades, resultados e impacto real na vida da população.

    A pergunta que fica não é se os atos são legais. É se são coerentes com a realidade do município.

    E essa é uma reflexão que pertence ao contribuinte.

  • Após cobrança pública, prefeito altera identificação visual em eventos oficiais

    A atuação da imprensa independente e da sociedade civil segue cumprindo seu papel institucional. Após a publicação da matéria que questionou o uso ostensivo da identificação “Prefeito” em vestimentas durante evento festivo financiado com recursos públicos, foi registrada mudança na forma como o chefe do Executivo municipal passou a se apresentar em agendas posteriores.

    Na matéria publicada anteriormente, este blog destacou que, embora a presença do gestor em eventos públicos seja legítima, a exibição explícita do cargo em contexto festivo tensiona o princípio constitucional da impessoalidade administrativa, previsto no artigo 37 da Constituição Federal. O cargo público não é instrumento de promoção pessoal, mas função temporária exercida em nome do interesse coletivo.

    Após a repercussão do conteúdo, novas imagens e registros em redes sociais e portais de notícia passaram a mostrar o prefeito Augusto Castro utilizando colete institucional sem a estampa direta do cargo em destaque, substituindo a identificação anterior.

    Não se afirma relação direta de causa e efeito. No entanto, o fato é objetivo e verificável: houve alteração na identificação visual após o debate público levantado.

    Esse episódio reforça dois pontos centrais da gestão pública democrática. Primeiro, que símbolos comunicam poder e, por isso, exigem limites claros. Segundo, que o debate público responsável produz efeitos concretos e contribui para o aperfeiçoamento das práticas institucionais.

    A função da imprensa não é personalizar embates, mas registrar fatos, provocar reflexão e zelar pelos princípios que regem a administração pública.

    Quando o poder é observado, ele se ajusta.

    Quando é questionado, ele aprende que não é absoluto.

  • Mutirão não substitui gestão: quando a saúde vira evento em Itabuna

    Enquanto ações pontuais ganham divulgação nas redes, moradores denunciam falhas persistentes nos postos de saúde dos bairros

    A recente divulgação do programa “Mais Saúde, Menos Fila” nas redes sociais trouxe à tona um contraste que a população já percebe no dia a dia. A iniciativa prevê atendimento concentrado em datas específicas, com especialistas e exames para pacientes cadastrados e já inseridos na fila de espera.

    A proposta, em tese, busca reduzir demandas reprimidas. No entanto, relatos de moradores de bairros como Nova Ferradas indicam que o problema está além da fila.

    Há denúncias de postos que não conseguem preencher documentos básicos da regulação, dificuldades para marcar consultas, exames preventivos sem entrega de resultados e exigências burocráticas que atrasam tratamentos. Situações que não dependem de mutirão, mas de funcionamento regular da atenção básica.

    É nesse ponto que surge a pergunta legítima. Se a unidade de saúde não resolve procedimentos simples no dia a dia, um evento pontual é suficiente para caracterizar fortalecimento da rede?

    A saúde pública é estruturada a partir da atenção primária, com atendimento contínuo, equipe completa, regulação eficiente e acompanhamento permanente. Mutirões podem aliviar a demanda momentaneamente, mas não substituem política pública estruturante.

    Também chama atenção o uso intenso da divulgação institucional nas redes sociais, o que reforça a percepção de que a comunicação pode estar assumindo protagonismo maior que a solução estrutural.

    Não se trata de questionar a legalidade da ação, mas de analisar o contexto. A gestão municipal da saúde é responsabilidade direta do Executivo, e os resultados precisam ser avaliados de forma contínua, não apenas em datas específicas.

    Mutirão não substitui atenção básica.

    Saúde pública não é vitrine.