Categoria: Política Itabuna

  • O áudio que abalou Itabuna “resolve” reaparecer

    O áudio que abalou Itabuna “resolve” reaparecer

    Caso que ganhou repercussão em toda a Bahia volta ao debate após surgirem informações sobre novos desdobramentos nas apurações.

    Em setembro de 2024, um áudio atribuído ao então vereador Cosme Resolve tomou conta dos grupos de WhatsApp, blogs e redes sociais de Itabuna e de diversas cidades da Bahia.

    O conteúdo divulgado publicamente fazia referência aos bastidores políticos da votação dos empréstimos autorizados pela Câmara Municipal, tema que gerou ampla repercussão na época.

    O assunto rapidamente ultrapassou os limites da política local e passou a ser debatido em diferentes espaços da sociedade.

    Agora, quase dois anos depois, o caso volta a chamar atenção.

    Documentos e informações que circulam nos meios políticos apontam para a continuidade de apurações relacionadas aos fatos divulgados à época, incluindo a atuação das autoridades competentes.

    Por razões legais, detalhes de eventuais procedimentos não são públicos em sua integralidade.

    E nem poderiam ser.

    Por isso, esta matéria não pretende antecipar conclusões, atribuir responsabilidades ou fazer qualquer julgamento sobre fatos que estejam sob análise das autoridades.

    O que chama atenção neste momento é outro aspecto.

    O silêncio.

    Silêncio institucional sobre um tema que envolveu uma das votações mais relevantes dos últimos anos na Câmara Municipal.

    Silêncio diante de um assunto que repercutiu em toda a Bahia.

    Silêncio em torno de questionamentos que continuam despertando interesse da população.

    Afinal, estamos falando de decisões relacionadas a operações de crédito de grande impacto para os cofres públicos e para o futuro financeiro do município.

    A população tem o direito de acompanhar, dentro dos limites da lei, os desdobramentos de temas que envolvem recursos públicos e agentes políticos.

    O tempo passou.

    Os empréstimos foram aprovados.

    As obras começaram a ser executadas.

    Mas uma pergunta continua presente no debate público:

    Que fim levou o áudio que mobilizou Itabuna e ganhou repercussão em toda a Bahia?

    Porque transparência não substitui a investigação.

    Mas também não deve ser substituída pelo silêncio.

  • Mãe de criança autista passa por cirurgia, mas agora não consegue voltar para casa em Itabuna

    Mãe de criança autista passa por cirurgia, mas agora não consegue voltar para casa em Itabuna

    A situação da mãe de uma criança autista que aguardou por 25 dias uma cirurgia ortopédica no Hospital de Base de Itabuna ganhou um novo capítulo ainda mais delicado.

    Segundo relatos enviados à reportagem, a mulher sofreu o acidente após cair em uma rua do bairro Vale do Sol, onde moradores denunciam há anos dificuldades de acessibilidade e precariedade na infraestrutura para pedestres.

    A cirurgia finalmente foi realizada.

    Mas agora a família enfrenta outra dificuldade:
    a paciente não poderá retornar para sua própria casa durante a recuperação.

    Por conta das limitações de locomoção após o procedimento e das condições da rua onde mora, a alternativa encontrada foi ficar temporariamente na casa de familiares.

    A residência possui apenas dois cômodos e não oferece estrutura adequada para acomodar a mãe em recuperação e o filho autista, que depende diretamente dos cuidados dela.

    O caso chama atenção porque expõe um abandono que vai muito além da saúde pública.

    Quando falta infraestrutura nas ruas, o reflexo chega aos hospitais.
    E quando não existe suporte social, o sofrimento continua mesmo depois da cirurgia.

    Enquanto isso, famílias inteiras seguem tentando sobreviver entre ruas sem acessibilidade, demora no atendimento e ausência de apoio básico para atravessar momentos de vulnerabilidade.

    No meio de tudo isso, permanece uma pergunta:

    Até quando mães atípicas continuarão enfrentando sozinhas o peso do abandono público?

  • Centro TEA em Itabuna: a inauguração é importante, mas a cidade agora precisa acompanhar se o atendimento vai funcionar na prática

    Centro TEA em Itabuna: a inauguração é importante, mas a cidade agora precisa acompanhar se o atendimento vai funcionar na prática

    A Prefeitura de Itabuna inaugurou nesta semana o Centro TEA, espaço especializado voltado ao atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

    O equipamento foi apresentado pela gestão municipal como um avanço na política de inclusão, com estrutura moderna, consultórios e proposta de atendimento multiprofissional.

    E é importante reconhecer: a criação de um espaço especializado para famílias atípicas era uma demanda antiga da cidade.

    O problema é que, para muitas mães de autistas em Itabuna, a principal preocupação não é mais a inauguração.

    É a continuidade.

    Nos últimos anos, famílias vêm relatando dificuldades para conseguir terapias, demora em atendimentos especializados, falta de profissionais, interrupções de acompanhamento e sobrecarga emocional causada pela ausência de suporte permanente.

    Por isso, a discussão agora precisa ir além do vídeo de entrega e da cerimônia de inauguração.

    A pergunta passa a ser outra:

    O município terá estrutura para manter o serviço funcionando de forma eficiente e contínua?

    Porque inclusão não se mede apenas pela entrega de um prédio.
    Se mede pela capacidade de atender com qualidade ao longo do tempo.

    A população tem o direito de saber:

    • quantas crianças serão atendidas;
    • qual será a capacidade mensal do centro;
    • quantos profissionais atuarão diariamente;
    • como funcionará a regulação;
    • qual o tempo médio de espera;
    • se haverá atendimento contínuo ou limitado.

    Outro ponto que também chama atenção é a forte presença política na divulgação institucional da entrega do espaço.

    Em períodos pré-eleitorais, inaugurações com forte apelo emocional inevitavelmente ampliam o debate sobre os limites entre ação institucional e construção de imagem pública.

    E isso acontece porque políticas públicas importantes também geram capital político.

    Mas, acima de qualquer disputa política, existe uma realidade que não pode ser ignorada:

    Famílias atípicas não precisam apenas de inaugurações.
    Precisam de atendimento funcionando todos os dias.

    O Centro TEA pode representar um avanço importante para Itabuna.

    Agora cabe à população acompanhar se a estrutura anunciada no vídeo será transformada, de fato, em assistência permanente para quem mais precisa.

  • Mãe de criança autista relata espera de 25 dias por cirurgia no Hospital de Base

    Mãe de criança autista relata espera de 25 dias por cirurgia no Hospital de Base

    Caso reacende debate sobre demora na ortopedia e impacto social enfrentado por famílias que dependem de cuidadores únicos

    Uma denúncia recebida nesta semana chama atenção para mais um caso envolvendo a fila da ortopedia do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna.

    Segundo relato enviado à reportagem, a paciente Jucilene Almeida dos Santos estaria internada há 25 dias aguardando uma cirurgia após fraturar a perna.

    Mas o caso ganha um peso ainda maior por um detalhe delicado: ela é mãe e principal responsável pelos cuidados de um filho autista.

    De acordo com a denúncia, a família enfrenta dificuldades porque não existe outra pessoa capaz de oferecer o acompanhamento necessário à criança durante o período de internação da mãe.

    No áudio encaminhado, o relato descreve o desgaste físico e emocional provocado pela longa espera e pela preocupação constante com o filho.

    A situação expõe um problema que vai além da estrutura hospitalar.

    Porque quando um paciente permanece semanas aguardando cirurgia, o impacto não fica apenas dentro do hospital.

    Ele alcança toda a família.

    E em casos como esse, atinge diretamente uma criança que depende da mãe para sua rotina, estabilidade e cuidados diários.

    O caso também levanta um questionamento importante:

    Existe algum protocolo de prioridade social para pacientes que são cuidadores únicos de crianças com deficiência, idosos ou pessoas dependentes?

    Porque não estamos falando apenas de uma fila ortopédica.

    Estamos falando sobre o efeito que a demora no atendimento causa na vida de famílias inteiras.

    A direção do Hospital de Base e a Secretaria Municipal de Saúde precisam esclarecer:
    • qual o tempo médio atual de espera para cirurgias ortopédicas,
    • quantos pacientes aguardam procedimento,
    • e se há algum fluxo prioritário para pacientes em situação de vulnerabilidade social e familiar.

    Fila hospitalar não é apenas número.

    Atrás de cada paciente existe uma história.
    E, muitas vezes, uma família inteira aguardando junto.

  • “Foi na mão grande”, diz Geraldo sobre controle do PT em Itabuna

    “Foi na mão grande”, diz Geraldo sobre controle do PT em Itabuna

    O ex-prefeito Geraldo Simões fez uma das declarações políticas mais pesadas dos últimos meses ao comentar a disputa interna do PT de Itabuna e a ascensão de Manoel Porfírio dentro do grupo ligado ao prefeito Augusto Castro.

    Durante entrevista ao Pod Gusmão, Geraldo afirmou que nunca perdeu a disputa interna no voto.

    Segundo ele, o que houve foi uma intervenção política conduzida pela direção estadual do partido, ligada ao Governo da Bahia, para retirar o comando do diretório municipal e construir apoio ao atual prefeito.

    A acusação é grave.

    Geraldo afirma que o diretório eleito foi destituído “na marra”, substituído por uma comissão provisória formada por pessoas ligadas à prefeitura.

    Também afirmou que houve filiação em massa de funcionários municipais para alterar o equilíbrio interno do partido.

    Mas a declaração mais dura veio ao falar sobre a decisão final do PT em Itabuna:

    “Essa decisão em Itabuna foi na mão grande.”

    A fala escancara uma ruptura antiga dentro do partido:
    de um lado, militantes históricos que defendem autonomia política;
    do outro, grupos alinhados ao poder institucional da prefeitura e do governo estadual.

    Sem atacar Manoel Porfírio pessoalmente, Geraldo deixou claro o distanciamento político.

    Disse que não tem problemas pessoais com o presidente da Câmara, mas afirmou não ter assunto para tratar com ele por considerar que Porfírio representa um projeto de apoio ao atual governo municipal.

    E foi além:
    classificou a gestão de Augusto Castro como “horrível para o povo mais humilde da cidade”.

    No fim, a entrevista não expôs apenas um racha partidário.

    Ela levantou uma suspeita política muito maior:

    o PT de Itabuna ainda decide seus caminhos pela militância… ou pela força do poder?

  • Quando o vereador deixa de fiscalizar, quem perde é a cidade

    Quando o vereador deixa de fiscalizar, quem perde é a cidade

    O problema não é apoiar prefeito. O problema é esquecer quem colocou o vereador lá.

    Em muitas cidades, a população ainda confunde independência com briga política.

    Mas vereador não foi eleito para ser inimigo do prefeito.
    Também não foi eleito para ser defesa permanente da gestão.

    Foi eleito para representar o povo.

    E isso inclui cobrar, fiscalizar, questionar gastos, acompanhar contratos e denunciar falhas quando elas existem.

    O problema começa quando parte do Legislativo abandona esse papel para viver apenas de aplausos, inaugurações, eventos e alianças políticas.

    Porque cidade nenhuma melhora sem fiscalização.

    O vereador que realmente trabalha costuma incomodar.

    Incomoda porque visita bairros esquecidos.
    Porque leva problemas para a tribuna.
    Porque cobra respostas.
    Porque denuncia abandono.
    Porque exige transparência.

    E talvez seja exatamente por isso que tanta coisa continue acontecendo sem a pressão necessária.

    Enquanto a população reclama de buracos espalhados pela cidade, a cobrança da água aumenta.
    Enquanto escolas ainda enfrentam problemas estruturais, milhões são investidos em festas e propaganda.
    Enquanto equipamentos esportivos aguardam manutenção, estruturas públicas seguem deterioradas.
    Enquanto a reforma da FICC atravessa anos de anúncios e promessas, contratos e gastos administrativos continuam avançando com rapidez.

    E isso não significa ser contra festa, cultura ou eventos populares.

    O problema é o desequilíbrio das prioridades.

    Porque a população começa a perceber que existe velocidade para o que gera palco, imagem e marketing político.
    Mas lentidão para o que realmente impacta a vida diária de quem depende do serviço público.

    E é exatamente nesse ponto que a atuação do vereador se torna fundamental.

    Nem todo vereador governista é omisso. Assim como nem toda oposição trabalha de verdade.

    Mas existe uma diferença muito clara entre apoiar projetos importantes para a cidade e abrir mão completamente da independência política.

    Quando o vereador passa a defender tudo sem questionar nada, a população perde sua principal ferramenta de cobrança.

    E o eleitor precisa refletir sobre isso.

    Muitos reclamam da saúde, da infraestrutura, das obras paradas e dos serviços precários. Mas esquecem que também elegeram vereadores justamente para fiscalizar o uso do dinheiro público e cobrar resultados da prefeitura.

    Prefeito sem fiscalização confortável demais raramente entrega o melhor para a cidade.

    Porque poder sem vigilância tende ao comodismo.

    Cidade sem vereador independente vira território confortável para gestão.

    E quando o poder deixa de ser vigiado, quem paga a conta é sempre a população.

  • Campo reformado não é só inaugurar, tirar foto e entregar microfone.

    Campo reformado não é só inaugurar, tirar foto e entregar microfone.

    Moradores e desportistas do Lomanto denunciam que o campo está sofrendo com problemas de drenagem e alagamento, impedindo até a prática esportiva para evitar danos maiores ao gramado.

    Segundo relatos, a própria EMASA teria identificado que o problema não está nas manilhas, mas sim na tubulação da drenagem do campo, situação que dependeria de providências da Secretaria de Esportes.

    Enquanto isso, atletas e moradores seguem sem resposta concreta.

    E a pergunta que fica para o atual secretário é simples:

    Até quando o esporte de bairro vai continuar sendo tratado apenas como palco de entrega e não como compromisso de manutenção?

    Porque obra pública não termina na inauguração.
    Ela começa na responsabilidade de manter funcionando.

    Se nem um campo recém reformado consegue ter manutenção adequada, como ficará a situação quando começar o Interbairros?

    O Lomanto já avisa: com o campo alagado e abandonado, não há clima para receber competição.

  • Milhões para festas, pouco para o básico: contratos entram na mira do MP

    Milhões para festas, pouco para o básico: contratos entram na mira do MP


    Festa milionária não apaga hospital lotado, rua destruída e posto sem remédio.

    A população tem direito à cultura, ao lazer e às festas populares. Isso não está em discussão.

    O que precisa entrar em discussão é outra coisa: qual é a prioridade real da gestão pública?

    Nos últimos meses, o Ministério Público da Bahia passou a questionar contratos milionários de artistas pagos por prefeituras, apontando valores acima do padrão de mercado e exigindo explicações sobre gastos públicos em cidades que enfrentam dificuldades financeiras.

    Enquanto milhões aparecem rapidamente para estruturas, cachês e grandes eventos, a realidade de muitos bairros continua praticamente a mesma:
    postos sem medicamentos, exames demorados, ruas esburacadas, escolas com problemas estruturais e serviços públicos funcionando no limite.

    E talvez o ponto mais importante seja esse:
    o dinheiro da festa não nasce da prefeitura.
    Ele vem dos impostos pagos pela própria população.

    Não se trata de ser contra festa.
    O povo deve ir, aproveitar e celebrar sua cultura.

    Mas também precisa entender que festa pública não é presente político.
    É dinheiro público.

    E dinheiro público exige transparência, responsabilidade e prioridade.

    Porque quando uma gestão consegue mobilizar milhões em poucos dias para um evento, surge uma pergunta inevitável:

    Por que essa mesma urgência quase nunca aparece para garantir uma saúde pública digna, ruas melhores e serviços funcionando de verdade?

  • ENTRE ANÚNCIOS E LAMA: MORADORES DA JOSÉ ALVES FRANCO PROTESTAM E DÃO ULTIMATO À PREFEITURA

    ENTRE ANÚNCIOS E LAMA: MORADORES DA JOSÉ ALVES FRANCO PROTESTAM E DÃO ULTIMATO À PREFEITURA

    Após anos de promessas de drenagem, pavimentação e mobilidade, população fecha via no São Roque e ameaça bloquear a BR-415

    Moradores dos condomínios Pedro Fontes I, Pedro Fontes II e Itabuna Parque realizaram nesta quinta-feira um protesto na Rua José Alves Franco, no bairro São Roque, em Itabuna. A manifestação bloqueou a principal via da região e expôs a insatisfação da população com problemas antigos de infraestrutura que, segundo os moradores, seguem sem solução definitiva apesar das sucessivas promessas feitas pela Prefeitura.

    A Rua José Alves Franco foi apresentada diversas vezes pela gestão municipal como uma obra estratégica de mobilidade urbana. Entre 2023 e 2024, a Prefeitura anunciou recuperação da pista, drenagem pluvial, pavimentação asfáltica e integração da via ao novo corredor de acesso da cidade.

    Mas nesta quinta-feira, o cenário visto pelos moradores foi outro: lama, dificuldade de acesso, problemas no transporte público e preocupação com atendimentos de saúde.

    Durante o protesto, uma moradora do Itabuna Parque afirmou que ambulâncias enfrentam dificuldades para chegar ao local e relatou a situação de crianças que fazem hemodiálise e dependem de deslocamento rápido.

    “Nós precisamos de drenagem, de uma pista decente, de uma calçada decente. A ambulância precisa ser rápida e às vezes demora”, declarou.

    Outro ponto levantado pelos moradores foi a precariedade do transporte coletivo e a falta de estrutura adequada nos pontos de ônibus, especialmente em períodos de chuva.

    A manifestação terminou após negociação com o superintendente de Serviços Públicos do município, Souza Lino, que esteve no local e afirmou que a Prefeitura iniciará na próxima terça-feira uma nova intervenção de drenagem seguida de pavimentação asfáltica.

    Mesmo após o acordo, os moradores fizeram um alerta direto: se as promessas não forem cumpridas em até 15 dias, um novo protesto será realizado, desta vez com bloqueio da BR-415.

    O episódio reacende uma discussão recorrente em Itabuna: o distanciamento entre os anúncios oficiais de obras e a realidade enfrentada pela população nos bairros.

    Enquanto vídeos institucionais falam em requalificação e mobilidade, moradores afirmam ainda conviver com dificuldades básicas de acesso, insegurança e abandono estrutural.

  • ITABUNA TROCA ÁRVORES POR CONCRETO?

    ITABUNA TROCA ÁRVORES POR CONCRETO?

    Supressão de árvores em praças, avenidas e obras públicas começa a levantar debate sobre calor urbano, paisagismo e modelo de cidade adotado pela gestão municipal

    A retirada de árvores durante a reforma da Praça do Góes Calmon reacendeu um debate que já vinha crescendo silenciosamente em Itabuna. O problema é que o caso não é isolado.

    Nos últimos anos, diferentes obras de requalificação urbana executadas pela Prefeitura passaram a ser acompanhadas de cortes de árvores adultas em áreas públicas da cidade. A discussão já apareceu na Orla da Beira-Rio, em intervenções viárias e agora voltou ao centro do debate após vídeos mostrarem máquinas atuando em meio à arborização da Praça do Góes Calmon.

    Nas imagens gravadas no local, moradores questionam a supressão de árvores que, segundo eles, deveriam ser preservadas conforme o projeto apresentado inicialmente. Troncos cortados, galhos espalhados e equipamentos de obra passaram a simbolizar uma crítica cada vez mais presente: Itabuna estaria adotando um modelo de urbanização que privilegia concreto, estética e circulação viária, enquanto reduz sombra e conforto climático.

    E aqui entra uma questão técnica importante.

    Árvore adulta não é apenas elemento decorativo. Ela exerce função ambiental e urbana direta:

    • reduz temperatura;
    • diminui ilhas de calor;
    • melhora drenagem;
    • reduz poeira;
    • absorve carbono;
    • cria conforto para circulação de pedestres;
    • e fortalece a convivência nos espaços públicos.

    Quando uma cidade remove árvores maduras, ela perde imediatamente esses benefícios. Já o replantio de mudas, frequentemente utilizado como compensação ambiental, leva anos ou até décadas para produzir o mesmo efeito climático.

    Essa é justamente a principal crítica feita por urbanistas em várias cidades brasileiras: compensação numérica não significa compensação funcional.

    Na prática, uma muda de 1 metro não substitui uma copa consolidada de 20 ou 30 anos.

    Outro ponto que chama atenção em Itabuna é o padrão visual das novas obras. Muitas intervenções recentes seguem a mesma lógica:
    mais piso,
    mais concreto,
    mais áreas abertas,
    menos cobertura vegetal.

    A gestão municipal sustenta que as intervenções fazem parte de projetos de mobilidade urbana, revitalização e modernização da cidade. Em algumas ocasiões, também afirmou existir compensação ambiental para árvores removidas.

    O problema é que a transparência técnica dessas supressões raramente chega de forma clara para a população.

    Quais espécies foram retiradas?
    Quantas árvores foram suprimidas?
    Quais laudos autorizaram?
    Houve estudo de impacto térmico?
    O replantio ocorrerá na mesma região afetada?
    Quantas árvores efetivamente sobreviverão?

    Sem essas respostas públicas, cresce a percepção de que a cidade está substituindo arborização consolidada por paisagismo de curto prazo.

    E existe ainda um aspecto político delicado nisso tudo:
    Itabuna já enfrenta temperaturas elevadas, deficiência de áreas verdes e problemas históricos de ocupação urbana desordenada. Em cidades assim, retirar sombra não é apenas uma decisão estética. É uma decisão que afeta diretamente a qualidade de vida.

    A própria Orla da Beira-Rio já havia sido alvo de críticas semelhantes durante as obras. Moradores registraram remoção de árvores e questionaram a perda de áreas sombreadas em um dos principais cartões-postais urbanos do município.

    Enquanto isso, cidades modernas no Brasil e no mundo caminham no sentido contrário:

    • ampliação de corredores verdes;
    • proteção de árvores antigas;
    • criação de microclimas urbanos;
    • redução de concreto exposto;
    • incentivo à mobilidade humana e não apenas veicular.

    Porque cidade inteligente não é a que apenas entrega obra rápida e bonita na inauguração.

    É a que consegue manter pessoas caminhando, convivendo e respirando melhor anos depois da fita cortada.